Ebulição global é atual fase de intensificação do aquecimento global que tem produzido eventos climáticos extremos no nosso planeta, como secas severas, ondas de calor e chuvas muito volumosas fora de época.
Ebulição global é uma expressão utilizada para descrever a atual fase de intensificação do aquecimento global, e foi dita pela primeira vez pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, em 2023. As causas da ebulição global são a continuidade da intervenção humana na natureza, principalmente por meio da queima de combustíveis fósseis e do lançamento de gases poluentes da atmosfera, como o dióxido de carbono (CO2). Suas consequências já são conhecidas, como a maior frequência de eventos climáticos extremos. A reversão da ebulição global pode acontecer a longo prazo, mas demanda a cooperação de toda a sociedade, incluindo Estados e agentes econômicos, na implementação de metas e planos efetivos nos próximos anos.
Leia também: Mudanças climáticas — qual a sua relação com o efeito estufa e o aquecimento global?
A ebulição global é a atual fase do aquecimento global, em que a temperatura média do planeta Terra subiu de forma rápida e atingiu um patamar muito elevado. Essa expressão foi criada por um homem chamado António Guterres, que é secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), durante uma fala sobre o mês de julho mais quente da história até então, o que aconteceu no ano de 2023. Naquele período, a temperatura média do nosso planeta chegou a quase 17º C, sendo que o recorde anterior havia sido em 2022, com 16,6º C.
Então, diante de recordes de temperatura e de eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes, Guterres anunciou que “a era do aquecimento global acabou, e a era da ebulição global acabou de começar”.|1|
Se pensarmos na ebulição global como uma fase mais intensa e mais grave do aquecimento global, concluímos que as causas são as alterações que os seres humanos provocam na natureza, em especial, a poluição atmosférica. Mesmo com a proibição de gases altamente poluentes, como o gás CFC, que era utilizado para fabricar geladeiras, e com a assinatura de acordos sobre o clima, que estabelecem metas para a redução das emissões, não houve mudança considerável nesse quadro. O dióxido de carbono (CO2) continua sendo um dos maiores problemas para o meio ambiente.
O CO2 é lançado na natureza de diferentes formas, mas, principalmente, por meio da queima de combustíveis fósseis. Muitos países, como os desenvolvidos, ainda são dependentes do petróleo, do carvão mineral e do gás natural para a geração de energia. Em conjunto, essas três fontes representam 80% da matriz energética mundial. Observe o gráfico a seguir, que mostra as diferentes fontes naturais utilizadas para a geração de energia no nosso planeta:
Fonte: Empresa de Pesquisa Energética/ Ministério de Minas e Energia. Disponível em: https://www.epe.gov.br/pt/abcdenergia/matriz-energetica-e-eletrica
A queima de combustíveis não é a única atividade poluidora. As queimadas, o desmatamento e os incêndios florestais também lançam gases poluentes na atmosfera, da mesma maneira que as indústrias e a pecuária intensiva. O que essas práticas têm em comum é, justamente, a participação do ser humano. Então, a intensificação do aquecimento global tem origem antrópica, e cabe exclusivamente à sociedade, o que inclui Estados, governos e agentes econômicos, encontrarem uma solução viável para que o quadro não se torne ainda mais severo.
Veja também: Chuva ácida — um grande problema ambiental
As consequências da ebulição global são as mesmas do aquecimento global, porém, em maior escala. Esses efeitos já têm sido observados no mundo atual, que são:
A ebulição global já está em curso, mas pode ter seus efeitos abrandados. Para isso, é fundamental que governos e agentes econômicos atuem em conjunto em setores estratégicos, como de energia, para a ampliação do uso de fontes renováveis e menos poluentes, como a água, os ventos, os raios solares, o bagaço da cana-de-açúcar e até mesmo o calor interno da Terra (energia geotérmica). Essa é uma das principais linhas de trabalho dos países que participam de conferências do clima e de acordos sobre as mudanças climáticas, como o Acordo de Paris, e é chamada de transição energética.
É preciso que as indústrias e as usinas implementem modelos de produção sustentáveis, que gerem menor impacto à natureza e aos ecossistemas, visando principalmente diminuir as emissões de gases poluentes da atmosfera. Nesse sentido, é indispensável o cumprimento das metas de redução das emissões de gases do efeito estufa estabelecidas previamente. O auxílio financeiro a países subdesenvolvidos para que possam desenvolver esse tipo de projeto também é importante e tem sido discutido internacionalmente.
A ebulição global faz parte do aquecimento global. No entanto, o termo “ebulição” é utilizado para deixar claro que o aquecimento está se intensificando, o que pode levar o planeta Terra a chegar num ponto em que as mudanças serão irreversíveis.
Lembremos que a ebulição é um fenômeno que caracteriza a alteração no estado físico da água, quando ela passa de líquida para gasosa. Para isso, é preciso aquecê-la até o chamado ponto de ebulição, quando a água começa a ferver. O uso dessa palavra foi feito mais como um alerta, e não no sentido literal.
A reversão da ebulição global é o maior desafio enfrentado pela humanidade atualmente, e cientistas acreditam que é, sim, possível. No entanto, esse é um processo que pode demorar entre décadas e séculos, desde que haja ampla cooperação global para que isso aconteça. Essa cooperação envolve, como já mencionamos, Estados, agentes econômicos e também a sociedade civil, e deve incluir, sobretudo, os países desenvolvidos na adoção de planos de ação e de metas de redução de emissões, transição energética e na implementação de medidas que auxiliem a levar justiça climática aos países subdesenvolvidos.
Saiba mais: O que são ilhas de calor?
Questão 1
A expressão “ebulição global” se popularizou em 2023, após ter sido usada pelo secretário-geral da ONU enquanto falava sobre as condições climáticas do planeta Terra. Ela representa:
a) a reversão do aumento da temperatura média da Terra.
b) o fim das mudanças climáticas.
c) um fenômeno identificado nos oceanos de todo o planeta.
d) a intensificação do aquecimento global.
e) o enfraquecimento do efeito estufa.
Resposta: Alternativa D.
A ebulição global representa a intensificação do aquecimento global, com aumento acentuado da temperatura média do planeta Terra.
Questão 2
Leia atentamente as alternativas abaixo, e indique aquela que descreve uma causa da ebulição global.
A) Adoção de fontes de energia renováveis.
B) Continuidade da queima de combustíveis fósseis.
C) Reflorestamento e controle das queimadas.
D) Ondas de calor intensas e prolongadas.
E) Derretimento das geleiras e calotas polares.
Resposta: Alternativa B.
A continuidade da queima de combustíveis fósseis, como o petróleo, é uma das causas da intensificação do aquecimento global. As alternativas A e C indicam soluções para tentar reverter esse quadro, enquanto as alternativas D e E descrevem consequências da ebulição global.
Nota
|1| REDAÇÃO. Hottest July ever signals ‘era of global boiling has arrived’ says UN chief. UN News, 27 jul. 2023. Disponível em: https://news.un.org/en/story/2023/07/1139162.
Créditos da imagem
[1] Sudarshan Jha/ Shutterstock
Fontes
EPE. Matriz Energética e Elétrica. Empresa de Pesquisa Energética (EPE) – Ministério de Minas e Energia, [s.d.]. Disponível em: https://www.epe.gov.br/pt/abcdenergia/matriz-energetica-e-eletrica.
HERRING, David; LINDSEY, Rebecca. Can we slow or even reverse global warming? NOAA, 12 out. 2022. Disponível em: https://www.climate.gov/news-features/climate-qa/can-we-slow-or-even-reverse-global-warming.
REDAÇÃO. Aquecimento global: o que é a era da ebulição? National Geographic Brasil, 2 ago. 2023. Disponível em: https://www.nationalgeographicbrasil.com/meio-ambiente/2023/07/aquecimento-global-o-que-e-a-era-da-ebulicao.