Relevo brasileiro
O relevo brasileiro é caracterizado por altitudes modestas e pelo predomínio de planaltos e depressões. Mais recentemente, o IBGE confirmou a existência de montanhas no país.
O relevo brasileiro é formado por três unidades principais: planaltos, planícies e depressões. Depois de um longo processo de revisão e reclassificação, o IBGE passou a considerar a existência de montanhas no território brasileiro. No entanto, é importante saber que a estrutura geológica do país é muito antiga e foi exposta à ação de agentes modeladores de relevo como as águas e os ventos, motivos pelos quais predominam formas derivadas da erosão, que são os planaltos e as depressões.
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Resumo sobre o relevo brasileiro
- O relevo brasileiro é classificado em três grandes unidades: planalto, planície e depressão.
- Os planaltos têm altitude média entre 300 e 1.000 metros e são formados por terrenos aplainados ou compostos por serras e morros. São predominantes no Brasil.
- As planícies são formadas pela deposição de sedimentos e constituem terrenos aplainados e de baixa altitude, comumente abaixo de 220 metros.
- As depressões são áreas de altitude muito baixa, inferior aos terrenos que as circundam, e que se formaram pelo intenso processo de erosão sobre as rochas.
- O relevo do Brasil foi formado sobre uma estrutura geológica muito antiga, com centenas de milhões de anos, o que favoreceu a ação prolongada de agentes erosivos.
- Os agentes erosivos que atuaram na formação do relevo brasileiro foram, principalmente, a água, os ventos e as variações de temperatura.
- Atualmente o IBGE já considera a existência de montanhas no Brasil, embora elas não sejam equivalentes aos dobramentos modernos, como os Andes e os Himalaias.
Videoaula sobre o relevo brasileiro
Classificação do relevo brasileiro
A classificação do relevo brasileiro foi feita por meio de estudos de dois professores e geógrafos muito importantes para a Geografia do Brasil, que foram Aziz Ab’Sáber (1924–2012) e Jurandyr Ross (1947–). Ambos deram contribuições muito valiosas para a análise do relevo do território brasileiro e são as principais referências nos estudos da Geografia Física. A partir de seus estudos, conclui-se que o Brasil tem três tipos de unidades de relevo: planaltos, planícies e depressões.
Os planaltos são predominantes no relevo brasileiro. Eles constituem os terrenos mais elevados, isto é, de maior altitude, do país, estando localizados entre 300 e 1.000 metros acima do nível do mar em média. São áreas que variam de planas a acidentadas, com a presença de serras, morros e montes, e que se formaram a partir da intensa ação erosiva de agentes como as águas e os ventos.
Segundo a classificação do relevo feita pelo professor Jurandyr Ross, existem 11 unidades de planaltos no Brasil. Alguns deles se formaram sobre rochas sedimentares muito antigas e, por isso, tendem a apresentar o topo plano. Outros se formaram sobre rochas metamórficas e ígneas também antigas que constituíam montanhas jovens e muito elevadas no passado geológico, mas que, hoje, apresentam formas suavizadas pela ação dos agentes erosivos.
Há, também, planaltos que foram modelados em locais onde houve atividade vulcânica, dando origem ao que chamamos de relevo residual, com formas elevadas e muito parecidas em termos de forma e estrutura, mas que não estão interligadas.
Como você verá no mapa do tópico seguinte, os planaltos estão presentes na maior parte do Sudeste e do Centro-Oeste do Brasil. Eles também se distribuem por parte do Sul, pela parcela ocidental da região Nordeste e em pontos isolados do Norte, principalmente na divisa com os países sul-americanos ao norte, como Venezuela, Guiana e Suriname.
As planícies são terrenos planos ou suavemente ondulados caracterizados pela baixa altitude e gerados a partir do depósito de sedimentos em áreas rebaixadas. A maioria das planícies brasileiras tem altitude menor do que 220 metros. Algumas delas ficam na cota altimétrica próxima de 0 metros acima do nível do mar, que são aquelas localizadas na zona costeira do país, chamadas de planícies litorâneas.
Além da costa, as planícies acompanham extensos cursos de rios, como é o caso do Rio Amazonas, que banha a região Norte do Brasil. O Pantanal, bioma que se distribui entre os estados do Mato Grosso e do Mato Grosso do Sul, no Centro-Oeste, também se desenvolveu sobre uma grande planície que acumula água ao menos seis meses no ano. O professor Jurandyr Ross identificou, ao todo, seis unidades de planície no território brasileiro.
As depressões são áreas rebaixadas e que sofreram ação intensa dos agentes erosivos com o passar das eras geológicas. Elas se formaram principalmente nas áreas de borda de bacias sedimentares, onde as camadas de rocha são menos espessas. Por causa do desgaste pelo qual passaram, as depressões são terrenos de altitude muito baixa, sempre inferior à altitude das áreas que a circundam. As depressões brasileiras têm altitude máxima de 100 metros.
Conforme a classificação elaborada pelo professor Jurandyr Ross, as depressões são a segunda unidade de relevo mais presente no Brasil depois dos planaltos. Elas são encontradas, em sua maioria, nas regiões Nordeste e Norte, com destaque para a Depressão Sertaneja e do São Francisco e a Depressão da Amazônia Ocidental. Ainda assim, constituem o relevo de todas as regiões do país. Ao todo, são, também, 11 unidades de depressão.
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Mapa do relevo brasileiro
Principais características do relevo brasileiro
O relevo brasileiro é caracterizado pelo predomínio de altitudes modestas que caracterizam planaltos e de depressões, o que é explicado pela idade das rochas que formam a base geológica do território. Essa base é constituída pelos escudos cristalinos (ou crátons) e pelas bacias sedimentares, que apresentam rochas magmáticas e sedimentares com idade que alcança a casa das centenas de milhões de anos. Elas estiveram expostas aos agentes intempéricos, como a água, principalmente, os ventos e as variações de temperatura, por um período de tempo muito longo, o que provocou o seu desgaste e erosão.
Devido ao processo de erosão, então, a maior parte do relevo brasileiro tem altitude menor do que 500 metros, e é constituída por formas como terrenos planos ou suavemente ondulados, serras, morros, cuestas (possuem uma encosta íngreme atrelada a um topo inclinado para o lado oposto dessa encosta) e, ainda, montanhas.
→ Existem montanhas no Brasil?
Sim, segundo uma atualização do IBGE, o Brasil agora tem montanhas. As montanhas não surgiram de um dia para o outro no Brasil, até porque, a formação desse tipo de feição leva dezenas de milhares de anos e envolve diferentes processos no interior da crosta terrestre. Na verdade, o que os pesquisadores fizeram foi reavaliar os critérios para a classificação de montanhas, trazendo muitas feições do relevo brasileiro para essa categoria. Então, de acordo com a nova classificação, 14 estados brasileiros têm montanhas. Dentre elas podemos destacar a Serra do Mar e a Serra da Mantiqueira, que estão presentes nos litorais sul e sudeste.
Vale dizer que as montanhas brasileiras não são a mesma coisa que as montanhas das cordilheiras como os Andes e os Himalaias. Enquanto as duas cadeias montanhosas mencionadas se formaram a partir de 65 milhões de anos no passado geológico, sendo classificadas como dobramentos modernos, as montanhas brasileiras têm mais do que o dobro dessa idade.
Algumas delas passaram pelo mesmo processo de desenvolvimento, mas, por serem muito antigas, sofreram intenso desgaste pelos agentes modeladores do relevo que mencionamos anteriormente. Além disso, o Brasil fica no centro de uma placa tectônica, muito distante da região de borda onde se formam os dobramentos modernos. Por isso, essas estruturas não estão presentes no relevo do país.
Considerando as altitudes encontradas no relevo brasileiro, destacamos, abaixo, as três maiores:
- Pico da Neblina (Amazonas): 2.995,3 metros;
- Pico 31 de Março (Amazonas): 2.974,2 metros;
- Pico da Bandeira (Espírito Santo/Minas Gerais): 2.891,4 metros.
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Atividades sobre relevo brasileiro
Questão 1
Leia o segmento abaixo:
Os _____________ são predominantes na composição do relevo brasileiro. Trata-se de terrenos aplainados e de altitude elevada, podendo ultrapassar os 1.000 metros. No Brasil, eles estão dispostos principalmente no Centro-Oeste e no Sudeste, mas são identificados em praticamente todas as regiões.
Com base no que aprendeu sobre o relevo brasileiro, a alternativa que completa a lacuna é:
a) dobramentos modernos.
b) escudos cristalinos.
c) planaltos.
d) fundos de vale.
e) depósitos sedimentares.
Resposta: Alternativa C.
Considerando as informações do enunciado, a resposta certa é planaltos, já que essa é a unidade de relevo predominante no Brasil.
Questão 2
Todas as alternativas a seguir apresentam uma característica do relevo do Brasil, com exceção de uma. Identifique-a.
a) Os processos de soerguimento da crosta são predominantes hoje em dia.
b) Possui formas esculpidas pela ação prolongada de agentes intempéricos, como a água.
c) Constituiu-se sobre uma base geológica que é muito antiga.
d) Divide-se em planaltos, planícies e depressões.
e) Hoje já se admite a presença de montanhas no relevo brasileiro.
Resposta: Alternativa A.
O que é afirmado na opção A contradiz o que é afirmado na alternativa B. O relevo brasileiro foi formado principalmente por processos de erosão, tendo em vista o predomínio de planaltos e depressões, e não de soerguimento atual, que seria o caso de dobramentos modernos.
Créditos da imagem
[1] Força Aérea Brasileira/ Wikimedia Commons
Fontes
FIORAVANTI, Carlos. Geógrafos reconhecem que o Brasil tem, sim, montanhas. Revista Pesquisa FAPESP, 01 abr. 2026. Disponível em: https://revistapesquisa.fapesp.br/geografos-reconhecem-as-montanhas-do-brasil/.
ROSS, Jurandyr L. Sanches. Os fundamentos da geografia da natureza. In: ROSS, Jurandyr L. Sanches. (Org.). Geografia do Brasil. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2019. 6 ed. 3 reimp. (Didática; 3). P. 13-65.
VAN DEURSEN, Felipe. Sim, o Brasil tem montanhas: entenda a nova definição do IBGE. Superinteressante, 14 jul. 2026. Disponível em: https://super.abril.com.br/ciencia/sim-o-brasil-tem-montanhas-entenda-a-nova-definicao-do-ibge/.