A classificação dos verbos é a seguinte: regulares, irregulares, anômalos, defectivos, abundantes, principais, auxiliares, de ligação, transitivos e intransitivos.
A classificação dos verbos é feita quanto à conjugação, função e transitividade verbais. Quanto à conjugação, os verbos podem ser regulares (“ela grita”, “ela chama”), irregulares (“eu ouço”, “eu trago”), anômalos (“ele é”, “ele foi ao parque”), defectivos (“eu bramo”) e abundantes (“eles constroem” ou “eles construem”).
Quanto à função, os verbos podem ser principais (“eu tinha gritado”), auxiliares (“Nós começamos a voar) ou de ligação (“Tu estavas feliz”). Quanto à transitividade, os verbos podem ser transitivos diretos (“Eu amo chocolate”), transitivos indiretos (“Ela gosta de chocolate”), bitransitivos (“Dei um doce para ele”) ou intransitivos (“Rimos muito”).
Leia também: Como os substantivos são classificados?
O verbo é uma palavra que expressa ação, estado ou fenômeno da natureza e pode ser assim classificado:
Os verbos regulares são os mais fáceis de conjugar. Sabe por quê? Porque eles seguem um modelo ou um padrão de conjugação. Então, se você consegue conjugar um verbo regular, também vai conseguir conjugar outro verbo parecido.
No quadro abaixo vou mostrar para você como a conjugação de verbos do mesmo grupo é igual. Note que o final dos verbos se repete.
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PRESENTE DO INDICATIVO |
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CANTAR |
ESTUDAR |
PULAR |
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Eu canto Tu cantas Ele ou ela canta Nós cantamos Vós cantais Eles ou elas cantam |
Eu estudo Tu estudas Ele ou ela estuda Nós estudamos Vós estudais Eles ou elas estudam |
Eu pulo Tu pulas Ele ou ela pula Nós pulamos Vós pulais Eles ou elas pulam |
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APRENDER |
ESCONDER |
ESCREVER |
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Eu aprendo Tu aprendes Ele ou ela aprende Nós aprendemos Vós aprendeis Eles ou elas aprendem |
Eu escondo Tu escondes Ele ou ela esconde Nós escondemos Vós escondeis Eles ou elas escondem |
Eu escrevo Tu escreves Ele ou ela escreve Nós escrevemos Vós escreveis Eles ou elas escrevem |
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ASSISTIR |
EXISTIR |
PARTIR |
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Eu assisto Tu assistes Ele ou ela assiste Nós assistimos Vós assistis Eles ou elas assistem |
Eu existo Tu existes Ele ou ela existe Nós existimos Vós existis Eles ou elas existem |
Eu parto Tu partes Ele ou ela parte Nós partimos Vós partis Eles ou elas partem |
Os verbos irregulares não seguem um modelo ou um padrão de conjugação. Então, você precisa memorizar a conjugação de todos eles.
A irregularidade desses verbos, muitas vezes, ocorre no radical, isto é, oelemento básico e significativo que compõe uma palavra (em “cantar”, o radical é “cant-”).
No quadro abaixo vou mostrar para você a conjugação de dois verbos irregulares.
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MODO INDICATIVO |
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PRETÉRITO IMPERFEITO |
PRETÉRITO PERFEITO |
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SER |
IR |
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Eu era Tu eras Ele ou ela era Nós éramos Vós éreis Eles ou elas eram |
Eu fui Tu foste Ele ou ela foi Nós fomos Vós fostes Eles ou elas foram |
O verbo regular “aprender” manteve seu radical “prend-”. Mas “ser” e “ir” não mantiveram o radical. Se eles fossem regulares, nós diríamos: eu sia, tu sias etc. ou eu i, tu iste etc. Mas eles são irregulares.
A irregularidade também pode ocorrer na desinência, que é o finalzinho do verbo. Por exemplo, o verbo “passear”, conjugado no presente do indicativo:
Eu passeio
Tu passeias
Ele ou ela passeia
Nós passeamos
Vós passeais
Eles ou elas passeiam
Viu? Se ele fosse regular, seguiria a mesma conjugação de “cantar”: eu canto — eu passeo; tu cantas — tu passeas; ele ou ela canta — ele ou ela passea; eles ou elas cantam — eles ou elas passeam. No entanto, usamos um “i”: eu passeio etc.
Por fim, existem verbos que apresentam apenas uma ou duas irregularidades, como, por exemplo, o verbo “dizer”, conjugado no presente do indicativo:
Eu digo.
Tu dizes.
Ele ou ela diz
Nós dizemos
Vós dizeis
Eles ou elas dizem
Se ele fosse totalmente regular, seguiria a mesma conjugação de “aprender”: eu aprendo — eu dizo; ele ou ela aprende — ele ou ela dize. Porém, isso não ocorre.
Os verbos anômalos são irregulares. Eles são chamados de “anômalos” porque apresentam anomalia, ou seja, fogem da regra. Mas a anomalia desses verbos é muito grande, já que o radical deles é completamente alterado. Os verbos irregulares podem ou não ser anômalos. Os verbos “ir” e “ser” são irregulares e anômalos.
Note, no quadro abaixo, como o radical do verbo “ir” é alterado.
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IR |
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(modo indicativo) |
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(presente) |
(pretérito perfeito) |
(pretérito mais-que-perfeito) |
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Eu vou Tu vais Ele ou ela vai Nós vamos Vós ides Eles ou elas vão |
Eu fui Tu foste Ele ou ela foi Nós fomos Vós fostes Eles ou elas foram |
Eu fora Tu foras Ele ou ela fora Nós fôramos Vós fôreis Eles ou elas foram |
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(modo subjuntivo) |
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(presente) |
(pretérito imperfeito) |
(futuro) |
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Eu vá Tu vás Ele ou ela vá Nós vamos Vós vades Eles ou elas vão |
Eu fosse Tu fosses Ele ou ela fosse Nós fôssemos Vós fôsseis Eles ou elas fossem |
Eu for Tu fores Ele ou ela for Nós formos Vós fordes Eles ou elas forem |
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(modo imperativo) |
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(afirmativo) |
(negativo) |
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Vai tu Vá você Vamos nós Ide vós Vão vocês |
Não vás tu Não vá você Não vamos nós Não vades vós Não vão vocês |
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A seguir, veja as grandes alterações no radical do verbo “ser”.
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SER |
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(modo indicativo) |
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(presente) |
(pretérito perfeito) Não pare agora... Tem mais depois da publicidade ;) |
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Eu sou Tu és Ele ou ela é Nós somos Vós sois Eles ou elas são |
Eu fui Tu foste Ele ou ela foi Nós fomos Vós fostes Eles ou elas foram |
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(pretérito imperfeito) |
(pretérito mais-que-perfeito) |
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Eu era Tu eras Ele ou ela era Nós éramos Vós éreis Eles ou elas eram |
Eu fora Tu foras Ele ou ela fora Nós fôramos Vós fôreis Eles ou elas foram |
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(modo subjuntivo) |
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(pretérito imperfeito) |
(futuro) |
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Eu fosse Tu fosses Ele ou ela fosse Nós fôssemos Vós fôsseis Eles ou elas fossem |
Eu for Tu fores Ele ou ela for Nós formos Vós fordes Eles ou elas forem |
Os verbos defectivos apresentam conjugação incompleta. Isso quer dizer que eles não são utilizados em determinadas pessoas, tempos ou modos verbais. Vou mostrar, no quadro abaixo, dois exemplos para você entender melhor.
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(presente do indicativo) |
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COLORIR |
REAVER |
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Eu — Tu colores Ele ou ela colore Nós colorimos Vós coloris Eles ou elas colorem |
Eu — Tu — Ele ou ela — Nós reavemos Vós reaveis Eles ou elas — |
Então, segundo a gramática normativa, não existem: “eu coloro”, “eu reavejo”, “tu reavês”, “ele ou ela reavê”, “eles ou elas reaveem”.
Os verbos abundantes apresentam duas ou mais formas de flexão. Isso acontece mais no particípio. O particípio regular é caracterizado pela terminação “-ado” ou “-ido”. Por exemplo, “sonhado” e “divertido”. Mas alguns verbos possuem dois particípios: um regular e outro irregular, como mostro a seguir:
Agora veja só a conjugação do verbo “construir” no presente do indicativo:
Eu construo
Tu construis ou constróis
Ele ou ela construi ou constrói
Nós construímos
Vós construís
Eles ou elas construem ou constroem
Ele apresenta duas formas referentes a “tu”, “ele” ou “ela”, “eles” ou “elas”. Portanto, “construir” é um exemplo de verbo abundante.
Verbos também podem exercer uma função na oração (frase com verbo). Nesse sentido, os verbos são assim classificados:
A locução verbal é composta por dois ou mais verbos que, juntos, atuam como se fossem um verbo só. Por exemplo: “tinha sonhado”, “havia pulado” etc. O segundo verbo da locução é chamado de verbo principal. Esse verbo aparece em uma destas formas nominais:
O primeiro verbo da locução verbal é chamado de verbo auxiliar. Esse verbo aparece conjugado, ou seja, apresenta pessoa, tempo e modo.
Veja só estes exemplos:
Julinha tinha sonhado com um bolo de chocolate.
Julinha havia pulado de alegria.
Fiquei brava quando Julinha começou a rir de mim.
Julinha estava correndo de mim.
Nos exemplos, os verbos “tinha”, “havia” e “estava” estão conjugados na terceira pessoa do singular do pretérito imperfeito do indicativo. Já “começou” está conjugado na terceira pessoa do singular do pretérito perfeito do indicativo.
Um oração é uma frase com verbo, e uma das estruturas de uma oração é a seguinte:
SUJEITO + VERBO + PREDICATIVO
O sujeito é o elemento sobre o qual declaramos alguma coisa. Já o predicativo é o termo que apresenta uma qualidade do sujeito. Pois o verbo que liga o sujeito ao predicativo é justamente o verbo de ligação. Portanto, os verbos de ligação são os verbos que ligam o sujeito ao predicativo.
Os principais verbos de ligação são os seguintes:
Existem alguns verbos que precisam de um complemento para fazerem sentido e aqueles que não precisam. Por exemplo, se eu digo para você que “seu irmão nasceu hoje”, o verbo “nascer” já diz tudo. Essa coisa de verbo precisar ou não de complemento é chamada de “transitividade” ou “intransitividade”. Nesse sentido, os verbos são assim classificados:
Os verbos transitivos diretos são aqueles cujo complemento não apresenta preposição. Esse complemento é chamado de “objeto direto”. As principais preposições da língua portuguesa são “a”, “ante”, “após”, “até”, “com”, “contra”, “de”, “desde”, “em”, “entre”, “com”, “para”, “perante”, “por”, “sem”, “sob”, “sobre” e “trás”.
Veja só estas frases com verbo transitivo direto:
Eu li o livro da Rute.
Minha avó escrevia cartas.
Hoje estudei matemática.
Nas frases, são objetos diretos (não são iniciados com preposição): “o livro da Rute”, “carta” e “matemática”. Esses objetos diretos completam o sentido dos verbos “li”, “escrevia” e “estudei”.
Os verbos transitivos indiretos são aqueles cujo complemento apresenta preposição. Esse complemento é chamado de “objeto indireto”.
Veja só estas frases com verbo transitivo indireto:
Julieta acredita em duendes.
Meu primo gosta de mangá.
Todo mundo concordava com minha mãe.
Nas frases, são objetos indiretos (iniciados com preposição): “em duendes”, “de mangá” e “com minha mãe”. Esses objetos indiretos completam o sentido dos verbos “acredita”, “gosta” e “concordava”.
Os verbos bitransitivos são aqueles que precisam de dois complementos: um sem preposição e outro com preposição. Portanto, eles exigem tanto um objeto direto quanto um objeto indireto. Veja só estas frases com verbo bitransitivo:
Roger entregou o livro ao professor.
Minha irmã comprou um sorvete para mim.
Meu pai acusou meu cachorro de ladrão.
Nas frases, são objetos diretos (sem preposição): “o livro”, “um sorvete” e “meu cachorro”. São objetos indiretos (com preposição): “ao professor”, “para mim” e “de ladrão”. Esses objetos completam o sentido dos verbos “entregou”, “comprou” e “acusou”.
Os verbos intransitivos são aqueles que NÃO precisam de complemento. Portanto, fazem sentido sozinhos. Veja só estas frases com verbo intransitivo:
A cadelinha Lili morreu ontem.
Meu cachorro Pluto latiu e depois dormiu.
O coelhinho pulava, pulava, pulava.
Nas frases, os verbos “morreu”, “latiu”, “dormiu” e “pulava” apresentam sentido completo. E, portanto, não precisam de objeto direto nem de objeto indireto.
Leia também: Verbos pronominais — aqueles que estão sempre acompanhados de pronomes oblíquos
Atividade 1
Numere a segunda coluna de acordo com a primeira.
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COLUNA 1 |
COLUNA 2 |
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1) Frase com verbo anômalo. 2) Frase com verbo auxiliar. 3) Frase com verbo bitransitivo. 4) Frase com verbo de ligação. |
( ) Betina estava curiosa. ( ) Betina foi ao circo. ( ) Betina começou a chorar. ( ) Betina contou uma mentirinha para a irmã. |
Resposta:
4, 1, 2, 3.
Atividade 2
Leia as frases abaixo e classifique os verbos sublinhados quanto à conjugação.
A) Dudu cantava todas as manhãs com os passarinhos.
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B) Eu posso fazer o dever de casa hoje à tarde.
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C) Se Lucas fosse esperto, estudava para a prova hoje.
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D) Léo fez tanta bagunça que foi expulso de sala.
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Resposta:
A) O verbo “cantava” é regular, pois o radical “cant-” não foi alterado.
B) O verbo “posso” é irregular, pois o radical “pod-” foi alterado.
C) O verbo “fosse” é anômalo, pois o radical “s-” do verbo “ser” foi completamente alterado.
D) O verbo “fez” é irregular, pois o radical “faz-” do verbo “fazer” foi alterado.
Fontes
BECHARA, Evanildo. Moderna gramática portuguesa. 40. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2024.
CEGALLA, Domingos Paschoal. Novíssima gramática da língua portuguesa. 49. ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2020.
NICOLA, José de; INFANTE, Ulisses. Gramática contemporânea da língua portuguesa. 15. ed. São Paulo: Scipione, 1999.