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Pronomes

Pronomes são palavras que substituem, determinam ou acompanham os substantivos. Além disso, eles indicam a pessoa do discurso (primeira, segunda ou terceira, do singular ou do plural). Os tipos de pronomes são:

  • pessoais

  • de tratamento

  • demonstrativos

  • possessivos

  • relativos

  • indefinidos

  • interrogativos

O que é pronome?

Para o gramático Domingos Paschoal Cegalla, pronomes “são palavras que substituem os substantivos ou os determinam, indicando a pessoa do discurso”. Já para o gramático Luiz Antonio Sacconi, pronome “é a palavra que substitui ou acompanha um substantivo (nome), em relação às pessoas do discurso”.

Nessa perspectiva, o pronome “ele” pode assim ser chamado porque substitui um substantivo:

Exemplo:

  • Jorge comprou uma bicicleta. Ele trabalhou durante um ano para conseguir economizar.

Note que, nesses dois períodos, o pronome “Ele” substitui a palavra “Jorge”, que é um substantivo próprio.

Assim:

  • Jorge comprou uma bicicleta. Ele [Jorge] trabalhou durante um ano para conseguir economizar.

Os pronomes possuem função essencial na coesão e coerência, evitando a repetição de termos.

A seguir, vamos analisar estes versos do poeta Castro Alves:

“Não quebra teus elos,

Ó laço de fita!”

Neles, o pronome “teus” determina, indica, de quem são os “elos”, ou seja, eles são do “laço de fita”. Além disso, “teus” acompanha o substantivo “elos”.

No primeiro exemplo, a pessoa do discurso indicada pelo pronome “Ele” é a terceira pessoa do singular. Já no segundo exemplo, a pessoa do discurso indicada pelo pronome “teus” é a segunda pessoa do singular.

Dessa forma, fica comprovado o que foi dito por Cegalla e Sacconi: o pronome é uma palavra que substitui, acompanha ou determina um substantivo. Além de indicar as pessoas do discurso, que estão envolvidas no ato comunicativo. A primeira pessoa é aquela que fala; a segunda, com quem se fala; e a terceira, de quem se fala.

Tipos de pronomes

Os pronomes podem ser classificados da seguinte maneira:

  • Pronomes pessoais

PESSOAS DO DISCURSO

CASO RETO

CASO OBLÍQUO

1a pessoa do singular

eu

me, mim, comigo

2a pessoa do singular

tu

te, ti, contigo

3a pessoa do singular

ele, ela

o, a, lhe, se, si, consigo

1a pessoa do plural

nós

nos, conosco

2a pessoa do plural

vós

vos, convosco

3a pessoa do plural

eles, elas

os, as, lhes, se, si, consigo


Os pronomes pessoais do caso reto podem exercer a função de sujeito na oração. Exemplo:

  • O livro que estava sobre a mesa desapareceu. Ele ficou lá durante uma semana.

Perceba que “O livro” é sujeito da primeira oração e que o pronome “Ele”, que o substitui, é o sujeito da segunda oração. Portanto, uma frase do tipo “O livro, eu deixei ele sobre a mesa” estaria incorreta, segundo a gramática normativa, pois “ele” não pode exercer a função de complemento. Essa função é reservada aos pronomes pessoais do caso oblíquo.

Observe:

  • O livro estava sobre a mesa. Peguei-o e coloquei-o sobre a estante.

Observe que o pronome oblíquo “o” substitui o substantivo “livro”. Nesse exemplo, ele é complemento dos verbos “pegar” e “colocar”.

Leia também: Pronomes oblíquos átonos: funções e usos

  • Pronomes de tratamento

“Vossa Majestade” é pronome de tratamento direcionado a reis e rainhas.

Os pronomes de tratamento são usados para dirigir-se, formalmente, a um interlocutor. Às vezes, são usados para fazer referência a alguém. No entanto, você” é um pronome de tratamento que, por exceção à regra, é informal.

PRONOMES DE TRATAMENTO

USOS

senhor ou senhora

tratamento respeitoso

Vossa Senhoria

pessoas de cerimônia, correspondência comercial, funcionários graduados

Vossa Excelência

altas autoridades

Vossa Eminência

cardeais

Vossa Alteza

príncipes, princesas e duques

Vossa Majestade

rainhas, reis, imperadores, imperatrizes

Vossa Reverendíssima

sacerdotes e religiosos em geral

Vossa Magnificência

reitores de universidades

Vossa Meritíssima

juízes de direito

Vossa Santidade

papa


Atenção: utilizamos o termo “Vossa” quando nos dirigimos diretamente ao interlocutor. Por exemplo, imagine que João está conversando com um rei:

João: Vossa Majestade poderia atender ao meu pedido?

Rei: Preciso pensar a respeito.

Se João estiver falando sobre o rei, então o termo “Vossa” é trocado por “Sua”.

João: Sua Majestade disse que vai pensar em atender ao meu pedido.

Laura: Então ainda há esperança.

  • Pronomes demonstrativos

Os pronomes demonstrativos apontam pessoas, objetos, lugares etc.

PESSOAS DO DISCURSO

SITUAÇÃO NO ESPAÇO

SITUAÇÃO NO TEMPO

VARIÁVEIS

INVARIÁVEIS

1a pessoa

proximidade da pessoa que fala

presente

este, esta, estes, estas

isto

2a pessoa

proximidade da pessoa com quem se fala ou coisa pouco distante

passado ou futuro próximos

esse, essa, esses, essas

isso

3a pessoa

proximidade da pessoa de quem se fala ou coisa muito distante

passado remoto

aquele, aquela, aqueles, aquelas

aquilo


Exemplos (situação no espaço):

  • Pegue esta cadeira que está aqui.

  • Pegue essa cadeira que está .

  • Pegue aquela cadeira que está ali.

Exemplos (situação no tempo):

  • Este ano está passando muito devagar, ainda estamos em março.

  • No ano passado, descobri a verdade sobre você. Nesse ano, a minha vida mudou.

  • Nasci no ano de 1986. Naquele ano, a Copa do Mundo aconteceu no México.

Além desses principais pronomes demonstrativos, há também os seguintes: mesmo, mesmos, mesma, mesmas, próprio, próprios, própria, próprias, tal, tais, semelhante, semelhantes. Assim, temos:

  • Fomos maltratados pela diretora do hospital, mas não admitiremos semelhante atitude da próxima vez.

  • Liguei para o Sr. Alexandre, mas tal pessoa não atendeu.

Leia também: Uso dos pronomes demonstrativos

  • Pronomes possessivos

Os pronomes possessivos indicam uma relação de posse associada à pessoa do discurso.

PESSOAS DO DISCURSO

POSSESSIVOS

1a pessoa do singular

meu, minha, meus, minhas

2a pessoa do singular

teu, tua, teus, tuas

3a pessoa do singular

seu, sua, seus, suas

1a pessoa do plural

nosso, nossa, nossos, nossas

2a pessoa do plural

vosso, vossa, vossos, vossas

3a pessoa do plural

seu, sua, seus, suas


Assim, vamos analisar as seguintes orações:

  • Leocádia vivia a sua vida sem se intrometer na dos outros.

  • A minha casa ficou toda inundada.

Nesses dois exemplos, há uma relação de posse. No primeiro, a vida pertence a Leocádia. No segundo, a casa pertence ao enunciador (aquele que expõe o fato de que a casa ficou toda inundada).

  • Pronomes relativos

Os pronomes relativos fazem referência a substantivos anteriormente mencionados na oração. São eles:

VARIÁVEIS

INVARIÁVEIS

o qual

cujo

quanto

quem

que

onde


Assim, temos:

  • O menino gritou com a mulher, a qual ficou extremamente irritada com isso.

  • A árvore cujos galhos foram quebrados acabou de cair.

  • O país onde ocorreu o atentado estava em choque.

  • O carro que eu comprei chega amanhã.

Observe que, no prieiro exemplo, o pronome “a qual” se refere ao termo anterior “mulher”. No segundo, o pronome “cujos” se refere ao termo anterior “árvore”, já que indica uma relação de posse, pois os “galhos” pertencem à “árvore”. No terceiro, o pronome “onde” se refere ao termo anterior “país”. Por fim, no quarto, o pronome “que” se refere ao termo anterior “carro”.

Veja também: Como usar corretamente o pronome relativo “quem”?

  • Pronomes indefinidos

Os pronomes indefinidos fazem referência a algo ou alguém de forma imprecisa.

VARIÁVEIS

INVARIÁVEIS

algum

nenhum

todo

muito

pouco

certo

diverso

vário

outro

quanto

tanto

qual

qualquer

algo

alguém

nada

ninguém

 tudo

 cada

 outrem

 que

quem


Nos exemplos a seguir, os pronomes apresentam imprecisão:

  • Se disser algo sobre isso, vai se arrepender.

  • Ninguém pode afirmar que a história aconteceu dessa maneira.

  • Quem fez isso, sabia que não ficaria impune.

  • Entendi o que ele disse.

  • Nenhuma cidade conseguiu o prêmio.

  • Pronomes interrogativos

Os pronomes interrogativos são palavras usadas em perguntas.

Os pronomes interrogativos são usados em frases interrogativas, ou seja, em que há uma pergunta. São eles: que, quem, qual, quais, quanto, quantos, quanta, quantas. Assim:

  • Quanto custa aquela calça?

  • Que medida você vai tomar para resolver o problema?

  • Quais são as estações do ano?

Exercícios resolvidos

Questão 01 (Enem)

O humor da tira decorre da reação de uma das cobras com relação ao uso de pronome pessoal reto, em vez de pronome oblíquo. De acordo com a norma padrão da língua, esse uso é inadequado, pois
a) contraria o uso previsto para o registro oral da língua.

b) contraria a marcação das funções sintáticas de sujeito e objeto.

c) gera inadequação na concordância com o verbo.

d) gera ambiguidade na leitura do texto.

e) apresenta dupla marcação de sujeito.

Resolução

Alternativa b. No segundo quadrinho, podemos ler: “Vamos arrasar eles”. Segundo a norma padrão, o pronome pessoal do caso reto “eles” só pode exercer a função de sujeito, nunca de complemento (como está na oração).

Questão 02 (Enem)

Quando Rubem Braga não tinha assunto, ele abria a janela e encontrava um. Quando não encontrava, dava no mesmo, ele abria a janela, olhava o mundo e comunicava que não havia assunto. Fazia isso com tanto engenho e arte que também dava no mesmo: a crônica estava feita. Não tenho nem o engenho nem a arte de Rubem, mas tenho a varanda aberta sobre a Lagoa ― posso não ver melhor, mas vejo mais. […] Nelson Rodrigues não tinha problemas. Quando não havia assunto, ele inventava. Uma tarde, estacionei ilegalmente o Sinca-Chambord na calçada do jornal. Ele estava com o papel na máquina e provisoriamente sem assunto. Inventou que eu descia de um reluzente Rolls Royce com uma loura suspeita, mas equivalente à suntuosidade do carro. Um guarda nos deteve, eu tentei subornar a autoridade com dinheiro, o guarda não aceitou o dinheiro, preferiu a loura. Eu fiquei sem a multa e sem a mulher. Nelson não ficou sem assunto.

CONY, C. H. Folha de S. Paulo. 2 jan. 1998 (adaptado).

O autor lançou mão de recursos linguísticos que o auxiliaram na retomada de informações dadas sem repetir textualmente uma referência. Esses recursos pertencem ao uso da língua e ganham sentido nas práticas de linguagem. É o que acontece com os usos do pronome “ele” destacados no texto. Com essa estratégia, o autor conseguiu

a) confundir o leitor, que fica sem saber quando o texto refere-se a um ou a outro cronista.

b) comparar Rubem Braga com Nelson Rodrigues, dando preferência ao primeiro.

c) referir-se a Rubem Braga e a Nelson Rodrigues usando igual recurso de articulação textual.

d) sugerir que os dois autores escrevem crônicas sobre assuntos semelhantes.

e) produzir um texto obscuro, cujas ambiguidades impedem a compreensão do leitor.

Resolução

Alternativa c. O pronome pessoal do caso reto “ele”, no texto, substitui, nas duas primeiras ocorrências, o substantivo próprio “Rubem Braga”. Já nas duas últimas, o pronome refere-se a “Nelson Rodrigues”.

Questão 03

Assinale a alternativa em que se pode verificar a ocorrência de um pronome relativo.

a) Ela comprou a casa de sua irmã.

b) Encontrou os óculos que havia perdido.

c) Em quais dias você está em casa?

d) Nada irrita mais do que a falta de pontualidade.

e) Preciso daquela roupa ali.

Resolução:

Alternativa b. Na frase “Encontrou os óculos que havia perdido”, o pronome relativo “que” retoma o substantivo “óculos”. 

Por Warley Souza

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