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Vacinação

A vacinação é um procedimento de extrema importância, pois, por meio dela, o organismo é estimulado a proteger-se de determinadas doenças. Devido à maior vulnerabilidade de crianças e bebês, a vacinação destes deve seguir rigorosamente o calendário de vacinação existente no país. Entretanto, é importante destacar que adultos também devem ficar atentos ao calendário, pois algumas vacinas também devem ser administradas nessa fase da vida. O Brasil apresenta um dos maiores programas de vacinação do mundo, disponibilizando na rede pública vacinas contra diversas enfermidades.

→ Constituição e mecanismo de ação da vacina

A vacina estimula nosso sistema imunológico a produzir a defesa contra um agente infeccioso.
A vacina estimula nosso sistema imunológico a produzir a defesa contra um agente infeccioso.

Na vacinação ocorre a administração da vacina, que age no nosso organismo estimulando o sistema imunológico a preparar a defesa contra o agente infeccioso em questão. Assim, quando o organismo entrar em contato com esse agente, responderá de forma mais rápida e intensa para combatê-lo. A vacina é uma substância constituída por:

  • Agentes imunizantes: podem ser bactérias mortas ou atenuadas, vírus atenuados ou inativados, assim como frações desses agentes. Dependendo da vacina, esta pode conter um ou mais desses agentes.
  • Líquido de suspensão: geralmente é constituído por água destilada ou solução salina fisiológica.
  • Conservantes, estabilizadores e antibióticos: conservantes são utilizados para evitar a contaminação da vacina. Estabilizadores são utilizados em vacinas em que os agentes infecciosos são atenuados. E, por fim, alguns antibióticos podem ser encontrados em pequenas quantidades, pois são utilizados para evitar o crescimento de agentes contaminantes.
  • Adjuvantes: são utilizados para aumentar o poder de ação de algumas vacinas e constituídos de compostos contendo alumínio.

Leia também: Anticorpos, agentes de defesa do organismo

História da vacinação

As vacinas surgiram, principalmente, diante da necessidade de diminuir-se o número de mortes causadas por doenças transmissíveis. A história da imunização é marcada, inicialmente, pela busca do controle da varíola, uma doença conhecida desde os primórdios da humanidade, cerca de 10 mil anos a.C., e que dizimou diversas populações.

O início da história da imunização contra a varíola remete à China, onde os profissionais da saúde inoculavam crostas ou pus de indivíduos doentes em pessoas saudáveis para que estas desenvolvessem uma forma branda da doença, pois acreditavam que as pessoas que sobreviviam à varíola não adoeciam novamente.

No entanto, a técnica era arriscada, pois muitos desenvolviam a forma grave da doença e iam a óbito. Ainda assim, essa técnica foi de extrema importância para as pesquisas futuras sobre imunização. Dentre elas podemos destacar a pesquisa do médico britânico Edward Jenner (1749-1823), considerada a primeira realizada com métodos científicos e a quem se credita a descoberta da vacina.

A pesquisa de Jenner foi feita seguindo o que muitos acreditavam: os camponeses que trabalhavam com o gado não desenvolviam a doença, apenas algumas feridas semelhantes às encontradas no gado que apresentava uma doença semelhante. Assim, o médico inoculou pus das lesões de uma ordenhadeira em um garoto de oito anos, o qual desenvolveu uma pequena infecção, curando-se rapidamente. Em seguida foi inoculado, no mesmo garoto, pus da varíola humana, e ele não desenvolveu a doença.

Diante disso, ele fez diversos testes durante um período de dois anos (1796-1798) e, diante de resultados satisfatórios, iniciou a imunização em crianças. No início os resultados não foram bem aceitos, o que mudou com o passar do tempo.

Durante muito tempo, a inoculação era feita em algumas pessoas e, em seguida, era realizada com base no material extraído das feridas de pessoas inoculadas anteriormente, passando, braço a braço, as inoculações.

Anos depois, em 1870, diante dos resultados de estudos de Pasteur e Koch sobre a relação entre a presença de micro-organismos patogênicos e as doenças, novas técnicas foram desenvolvidas para atenuar o agente causador da doença e, assim, fazer a inoculação. Essa técnica desenvolvida por Pasteur e seus colaboradores fez surgir o conceito de vacina e sua produção em larga escala.

Vacinação no Brasil

O Brasil tem um dos maiores programas de vacinação do mundo, disponibilizando para a população, via rede pública, vacinas eficazes contra diversas doenças.
O Brasil tem um dos maiores programas de vacinação do mundo, disponibilizando para a população, via rede pública, vacinas eficazes contra diversas doenças.

No Brasil, acredita-se que a história da vacinação inicia-se no ano de 1804 com a chegada da vacina contra a varíola. O mapa de vacinação mais antigo do Brasil data de 1820, indicando a vacinação de 2.688 pessoas, a primeira em massa do país.

No entanto, a partir de 1830, esse número começa a declinar em meio a diversas controvérsias, o que gerou na população uma fobia à vacinação. Desse modo, em 1846, por meio de um decreto imperial, esse ato tornou-se obrigatório em todo o país.

No entanto, a resistência contra a vacinação continuava. Em 1904, a publicação de um decreto extremamente rígido sobre a obrigatoriedade da vacinação, com ameaças de multas e demissões sumárias, desencadeou a conhecida  Revolta da Vacina.

Assim o dia 11 de novembro de 1904 ficou marcado, pois a realização de um ato em oposição a tais medidas acabou gerando confrontos com a polícia que duraram dias, terminando com muitas pessoas processadas, presas, feridas e até mesmo mortas.

Anos mais tarde, com a mudança na forma de ação e o advento do Sistema Único de Saúde (SUS), criação do Ministério da Saúde e do Programa Nacional de Imunização, essa realidade começou a mudar. Com a conscientização da população sobre a importância da vacinação, muitas doenças (como sarampo, tuberculose e tétano) foram controladas e outras (varíola e poliomielite) erradicadas.

No entanto, informações errôneas divulgadas em diversos meios têm feito ressurgir movimentos antivacina em todo mundo, o que tem levado ao aparecimento de muitos casos de doenças que já estavam controladas.

Importância da vacinação

A vacinação é umas das principais formas de proteção contra doenças causadas por vírus e bactérias, as quais podem ser graves e até levar a óbito. Dessa forma, as vacinas estimulam o nosso sistema imunológico a preparar a defesa contra um agente infeccioso causador de determinada doença.

Muitas pessoas, atualmente, ainda têm receio de vacinas, devido às reações que podem causar ou à quantidade delas administrada em curto período, especialmente em crianças. Se há esse receio, o ideal é conversar com esse profissional para que ele esclareça as dúvidas existentes, pois a falta de vacinação pode causar problemas sérios e, como já dito, até a morte.

A falta da vacinação não é um problema apenas para quem não vacina, mas para toda a população, pois quanto maior o número de pessoas imunizadas, menor o risco do surgimento de doenças. Além disso, é importante destacar que a falta de vacinação pode aumentar casos de doenças que já estavam controladas.

Isso pode ser observado, por exemplo, pelo aumento de casos de sarampo no mundo. No primeiro trimestre de 2019, esse número aumentou 300%. No Brasil, o número de casos também tem aumentado. a falta da vacinação por parte da população brasileira (mesmo estando disponível na rede pública de saúde) tem feito aumentar os casos dessa doença, que já estava controlada no país.

Acesse também: Superbactérias

Vacinação infantil

No primeiro ano de vida, a criança encontra-se em um estado de grande vulnerabilidade. Assim, a vacinação nessa fase deve ser rigorosamente cumprida.
No primeiro ano de vida, a criança encontra-se em um estado de grande vulnerabilidade. Assim, a vacinação nessa fase deve ser rigorosamente cumprida.

A vacinação infantil é de extrema importância, devido à maior vulnerabilidade de crianças e bebês a doenças. É importante destacar que essa vulnerabilidade é ainda maior no primeiro ano de vida. Assim, a vacinação deve ser cumprida seguindo rigorosamente o calendário de vacinação, como veremos mais adiante, para evitar-se doenças que podem ser graves.

Muitas vacinas podem causar algumas reações, como febre e dor local, devido a alguns componentes que elas possuem. Assim, é importante informar-se com o agente de saúde sobre as possíveis reações que podem surgir e os cuidados pós-vacina. Também é fundamental informar ao agente de saúde se a criança apresenta alguma restrição a algum possível componente da vacina.

Saiba mais: Rubéola — doença infectocontagiosa que pode atingir grávidas e seus bebês

Calendário de vacinação

O Brasil é um dos países que têm um dos maiores programas de vacinação no mundo, com muitas vacinas eficazes contra diversas doenças disponíveis para a população na rede pública.

Assim que a criança nasce, ela recebe a caderneta de saúde da criança, na qual se indica as vacinas que deverão ser tomadas em determinadas fases de seu desenvolvimento, além de outras informações importantes.

Além das vacinas determinadas nessa caderneta, outras campanhas de vacinação poderão surgir, sendo indicadas para diferentes faixas etárias, como é o caso das vacinas anuais contra a gripe H1N1 e a poliomielite.

Ainda, não apenas se deve ficar atento à vacinação de crianças. Mulheres em idade fértil (rubéola e tétano), idosos (gripe, pneumonia e tétano) e profissionais de saúde devem ficar alertas sobre vacinas importantes que deverão ser administradas. Assim, converse sempre com um médico e busque orientação sobre as vacinas que deverão ser tomadas em diferentes fases da vida ou situações de risco (como em viagens).

Veja também: Doenças causadas por bactérias

Por Helivania Sardinha dos Santos

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