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Revolta da Vacina

Conheça os motivos que desencadearam o levante popular conhecido como “Revolta da Vacina”.

Com o advento da República, em 1889, o Brasil passou a ter não apenas uma nova forma de organização política, como também uma nova concepção de Estado e sociedade. Aos poucos, a presença do Estado na vida social foi ficando cada vez mais intensa; processo esse que teve seu ápice com a Revolução de 1930 e a ascensão de Getúlio Vargas ao poder. Contudo, essa inserção do domínio estatal gerou bastante resistência, que pode ser claramente vista nas denominadas Revoltas da República Velha. Uma delas foi a Revolta da Vacina, que ocorreu na cidade do Rio de Janeiro entre os dias 10 e 16 de novembro de 1904. Para compreendermos efetivamente essa revolta, é necessário que saibamos alguns detalhes do contexto em que ela ocorreu.

O Rio de Janeiro, como sabemos, era capital do Brasil naquela época. Como a população da cidade havia crescido muito, sua organização urbana acabou por ficar precarizada. As regiões centrais da cidade estavam abarrotadas de cortiços com péssimas condições de habitação. A proliferação de doenças infectocontagiosas era frequente. O então prefeito da cidade, que também era engenheiro, Pereira Passos, com o apoio do presidente da República, Rodrigues Alves, promoveu, no ano de 1903, uma radical reforma urbana no Rio de Janeiro.

A reforma de Pereira Passos teve uma orientação sanitarista, isto é, guiava-se pelas medidas de controle de proliferação de doenças transmitidas por agentes como mosquitos, pulgas, carrapatos, ratos etc. O sanitarismo pautava-se nas teses do médico francês Louis Pasteur, fundador da higienismo. A principal autoridade nesse campo de estudos no Brasil era o também médico Oswaldo Cruz, que era quem aprovava as medidas reformistas implementadas por Pereira Passos. A remoção dos cortiços, por exemplo, tinha, além de um objetivo arquitetônico-urbanístico, um viés de viabilidade sanitária.

Apesar de tais medidas, nem todas as doenças infectocontagiosas foram eliminadas pela reforma urbana. Uma das mais mortíferas ainda persistia, a varíola. A única forma de erradicar os casos de varíola era a vacinação. O problema é que o método da vacinação ainda não era um consenso nessa época. Nem todos os médicos eram partidários do higienismo de Pasteur como Oswaldo Cruz e muitos acusavam a vacinação de produzir o óbito de muitos dos vacinados. Essas divergências de opinião ocuparam as páginas dos jornais da época e, por consequência, atingiram as camadas populares da cidade. A rejeição à ideia da vacinação por livre iniciativa acabou por gerar a campanha pela vacinação obrigatória, levada a cabo em 1904.

Essa campanha culminou em uma intensa revolta da população contra o Estado na cidade do Rio de Janeiro. Além de uma grande massa de pessoas não concordar com o método da vacinação, também não concordava com o poder que o Estado queria exercer sobre as pessoas, poder esse que havia chegado ao nível da “administração do corpo”, da “gestão da saúde” dos indivíduos. Mas apesar dos levantes populares de 1904, a campanha prosseguiu nos anos seguintes e obteve sucesso. Com o tempo, o discurso da medicina sanitarista prevaleceria em praticamente todo o globo.


Por Me. Cláudio Fernandes


Aproveite para conferir nossa videoaula relacionada ao assunto:

Acima, charge satirizando a campanha sanitarista pela vacinação obrigatória em 1904 Acima, charge satirizando a campanha sanitarista pela vacinação obrigatória em 1904
Por Cláudio Fernandes

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