A política do café com leite foi um acordo político estabelecido entre as oligarquias paulista e mineira para controlar as eleições presidenciais durante a Primeira República.
A política do café com leite foi um arranjo político que foi estabelecido pelas oligarquias de São Paulo e Minas Gerais para controlar as eleições presidenciais no Brasil. As duas oligarquias estabeleceram um acordo que determinava um revezamento na escolha de quem seria seu candidato à presidência do Brasil.
A partir da política do café com leite, as duas oligarquias controlavam as eleições presidenciais a partir do voto de cabresto, o voto obtido por meio da coerção que era prática comum dos coronéis desse período. A política do café com leite se encerrou com a Revolução de 1930, quando São Paulo desrespeitou o acordo que possuía com a oligarquia mineira.
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A política do café com leite foi um arranjo político estabelecido no período da Primeira República (ou República Velha).
Esse arranjo foi realizado pelas oligarquias de São Paulo e Minas Gerais, as mais poderosas do Brasil.
Nesse acordo as duas políticas controlavam as eleições presidenciais, revezando entre si a nomeação de candidatos à presidência.
Apesar de importante, não esteve em vigor durante toda a Primeira República nem conquistou todas as eleições.
Esse arranjo político se encerrou com a Revolução de 1930 e a subida de Getúlio Vargas ao poder.
A política do café com leite foi um acordo político estabelecido pelas oligarquias de São Paulo e Minas Gerais, duas das mais poderosas do Brasil no período. Ambas baseavam sua riqueza na agricultura, com São Paulo baseando-se na produção do café e Minas Gerais baseando-se na produção de leite.
Na política do café com leite, a oligarquia paulista e a oligarquia mineira estabeleceram um acordo para controlar as eleições presidenciais do Brasil. Nesse sentido, ambas se mobilizavam para forçar a população a votar em seu candidato a presidente, manipulando atas e impondo o que é conhecido como voto de cabresto.
O controle das eleições presidenciais permitia que as oligarquias de São Paulo e Minas Gerais pudessem eleger seus candidatos a presidente e a revezar o poder.
A política do café com leite foi um acordo político que se consolidou em nosso país durante a Primeira República (ou República Velha). Foi um arranjo político que estabeleceu nesse período para acomodar o sistema político brasileiro, sendo que foi apenas um de vários acordos que foram realizados durante esse período da história brasileira.
A Primeira República foi a primeira fase da república brasileira, iniciando-se em 1889, quando foi realizado o golpe que consolidou a Proclamação da República. Essa república foi inicialmente governada pelo marechal Deodoro da Fonseca, tendo suas fundações lançadas a partir da promulgação da Constituição de 1891.
O sistema político que foi sustentado durante o período da Primeira República começou a se consolidar com o governo de Campos Sales. A Primeira República foi o período das oligarquias, grupos formados pelas elites econômicas de todos os estados brasileiros que baseavam sua riqueza e poder nas suas terras.
Essas oligarquias travavam conflitos entre si para garantir o poder político, e o caminho encontrado para organizar o sistema político brasileiro foi estabelecer alianças e acordos para mediar as relações entre as oligarquias. Dois acordos muitos importantes nesse contexto foram a política do café com leite e a política dos governadores.
A política dos governadores estabeleceu um acordo do governo federal com as oligarquias estaduais, colocando em funcionamento um esquema que garantiria a eleição dos candidatos defendidos pelo governo. Além disso, havia a política do café com leite, que estabeleceu um esquema para determinar a escolha dos presidentes do Brasil.
Entre os objetivos que envolviam o acordo que caracterizou a política do café com leite estavam:
Controlar o governo federal: o principal objetivo das oligarquias paulista e mineira com esse acordo era o de garantir o controle do governo federal, mantendo-o em suas mãos a partir de um revezamento de poder entre as duas oligarquias.
Defender os seus interesses econômicos: estar no controle do governo federal era fundamental para que essas oligarquias pudessem usar o poder para defender os seus interesses econômicos. Para o estado de São Paulo, por exemplo, estar no poder significava usá-lo para defender os seus interesses no negócio do café.
Estabilidade política e perpetuação no poder: controlar a política brasileira por meio da política do café com leite foi a forma encontrada por São Paulo e Minas Gerais para se perpetuarem no poder, afastando outras oligarquias, mas também para garantir alguma estabilidade ao sistema político brasileiro.
Na política do café com leite, as oligarquias paulista e mineira estabeleceram um revezamento para que ambas assumissem a presidência. Essa aliança uniu aquela com o maior poderio econômico do Brasil (São Paulo) com aquela que detinha o maior colégio eleitoral do país (Minas Gerais).
Assim, a partir desse acordo, as duas oligarquias procuraram controlar a presidência, mantendo o poder em suas mãos. Dessa maneira, grande parte dos presidentes eleitos nesse período faziam parte de uma das duas oligarquias. Isso, no entanto, não significa que paulistas e mineiros controlaram as eleições presidenciais durante todo o período da Primeira República.
A historiografia já questionou profundamente o nível de influência da política do café com leite sobre o sistema político brasileiro durante a Primeira República. Os historiadores atualmente entendem que, apesar da existência desse acordo político entre São Paulo e Minas Gerais, as outras oligarquias mais influentes também buscavam conquistar o poder, e havia todo um sistema de barganhas que envolvia as relações das oligarquias de São Paulo e Minas Gerais com as oligarquias do Rio Grande do Sul, Pernambuco, Bahia e do Rio de Janeiro.
O voto do cabresto era o voto controlado que foi prática comum durante a Primeira República e que permitiu que as oligarquias mandassem na política brasileira. A maneira pela qual as oligarquias de São Paulo e Minas Gerais controlavam o sistema político brasileiro a partir da política do café com leite só foi possível por causa do voto de cabresto.
Esse é o tipo de voto que era obtido pela intimidação do eleitor. No voto de cabresto, as oligarquias mobilizavam seus coronéis para intimidar a população, obrigando-os por meio da coerção ou oferecendo vantagens indevidas para que as pessoas votassem no candidato apoiado pela oligarquia.
Como o voto não era secreto durante a Primeira República, era muito fácil controlar e coagir os eleitores a votarem nos candidatos indicados pela oligarquia. Isso foi fundamental para manipular as eleições para presidente no período.
A política do café com leite se encerrou oficialmente com a Revolução de 1930, o levante armado que foi organizado por oligarquias dissidentes e grupos que se opunham ao controle oligárquico da nossa política. A Revolução de 1930 mobilizou as oligarquias de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul, principalmente, acontecendo depois da eleição de 1930.
A eleição de 1930 colocou frente a frente Getúlio Vargas, representando as oligarquias gaúcha e mineira, contra Júlio Prestes, candidato da oligarquia paulista. Esse confronto entre mineiros e paulistas aconteceu porque Washington Luís, da oligarquia paulista e presidente do Brasil, desrespeitou o acordo na política do café com leite e não indicou um candidato mineiro à presidência.
Minas Gerais, então, rompeu com São Paulo, aliou-se ao Rio Grande do Sul, e juntos lançaram Getúlio Vargas para concorrer com Júlio Prestes, o candidato indicado por Washington Luís. Getúlio Vargas foi derrotado na eleição de 1930, mas o grupo formado por ele, conhecido como Aliança Liberal, deu início a um levante armado para destituir Washington Luís e impedir a posse de Júlio Prestes.
O sucesso da Revolução de 1930 levou Getúlio Vargas ao poder e colocou fim à política do café com leite.
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Entre as consequências da política do café com leite podem ser destacados:
Reforço ao poder das oligarquias: esses arranjos políticos contribuíram para reforçar o poder das oligarquias, mantendo-as no poder.
Política baseada na troca de favores: arranjos como a política do café com leite contribuíram para que a política brasileira se estruturasse com base na troca de favores.
Exclusão da população: a política do café com leite foi criada para atender aos interesses das elites econômicas de São Paulo e Minas Gerais, e por isso excluía a participação popular da política e não se preocupava com os interesses e necessidades da população.
Fragilidade das instituições: a política do café com leite reforçava a fragilidade institucional do Brasil, uma vez que as instituições não atuavam de maneira funcional, sendo apenas ferramentas para a execução dos interesses das oligarquias. Por fim, vale destacar que a fragilidade institucional do Brasil reforça a ausência de um sistema democrático nesse período em nosso país.
Fontes
FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Edusp, 2013.
LESSA, Renato. A invenção republicana: Campos Sales, as bases e a decadência da Primeira República brasileira. Rio de Janeiro: Topbooks, 2015.
VISCARDI, Cláudia. O teatro das oligarquias: uma revisão da “política do café com leite”. Belo Horizonte: Fino Traço, 2012.