O Brasil Durante o Segundo Reinado

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O Brasil Durante o Segundo Reinado Dom Pedro II e família: os últimos representantes da ordem imperial brasileira
Por Amanda Gonçalves Ribeiro
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No ano de 1840, o Império Brasileiro sofreu uma importante transformação em sua organização geral. Naquele momento, o poder legislativo decidiu aprovar o projeto que adiantava a chegada de Dom Pedro II à condição de imperador do nosso país. Apesar de ter apenas 15 anos de idade, muitos acreditavam que a boa educação e a notória inteligência do jovem herdeiro já se mostravam suficientes para que ele assumisse essa posição antes que atingisse a maioridade.

O seu governo foi o mais extenso de toda história política brasileira. Para muitos estudiosos, a estabilidade conseguida nessa época tem uma forte relação com o desenvolvimento da economia cafeeira no Brasil. As lavouras de café cresceram muito nessa época, principalmente pelo fato de que muitos países estrangeiros passavam a consumir tal produto em quantidades crescentes. Ao longo desse tempo, o café impulsionou a agricultura brasileira e teve sua riqueza também vinculada ao desenvolvimento do setor de transportes e da industrialização.

Devemos assinalar que a industrialização do país nessa época foi muito irregular, isso acontecia porque não havia uma política muito bem organizada para que esse setor da economia brasileira fosse mais desenvolvido. A grande maioria dos políticos brasileiros tinha vínculos com a economia agrícola e, desse modo, acabavam deixando a expansão da economia nacional como um assunto de menor importância.

No ano de 1850, destacamos uma importante lei sendo aprovada pelo governo imperial brasileiro. A partir daquela data, a Lei Euzébio de Queiroz determinava a proibição do tráfico negreiro no país. Por essa lei, os grandes proprietários não podiam importar escravos obtidos na África. Desse modo, vemos que a lei incentivou a chegada de imigrantes europeus para que trabalhassem de forma remunerada, principalmente nas crescentes fazendas de café do nosso país.

De fato, durante o Segundo Reinado, o movimento contra a escravidão proporcionou a aprovação de outras leis contra a exploração do trabalho escravo no país. No ano de 1889, pela ação da princesa Isabel, a escravidão foi finalmente abolida no país. Contudo, essa lei não teve a preocupação de dar segurança para que os milhares de ex-escravos tivessem condições de enfrentar as várias dificuldades ligadas ao preconceito e à costumeira exploração da força de trabalho dos negros.

No ano de 1864, o Brasil se envolveu no mais importante conflito militar de toda a nossa história. Naquele tempo, buscando garantir seus interesses na região da Bacia do Prata, o governo brasileiro declarou guerra contra o Paraguai. Na época, o governo paraguaio tinha interesses de expandir seu território e, inclusive, de tomar parte do território nacional. Foi aqui que, com o apoio da Argentina e do Uruguai, lutou com os paraguaios por seis anos.

Essa guerra foi vencida pelos brasileiros e foi importante para o fortalecimento do Exército Brasileiro. A partir desse momento, os militares quiseram interferir nas questões políticas, se aproximaram dos ideais republicanos e começam a criticar o governo imperial do país. Nesse tempo, abolicionistas e republicanos passavam a crescer em quantidade e as críticas ao império tornavam-se cada vez mais crescentes.

Nesse período, o Brasil era a única nação do continente americano que se organizava politicamente através de um império. Para muitos, essa condição colocava o Brasil como um país atrasado e que não poderia superar vários dos obstáculos que impediam o desenvolvimento nacional. De tal modo, ao longo da década de 1880, percebemos que o império perdia sua força política.

Não bastando tais posições contrárias ao império, temos nesse mesmo período um grave desentendimento entre Dom Pedro II e a Igreja Católica no país. Seguindo um decreto do papa, alguns bispos brasileiros passaram a ordenar a expulsão dos católicos que tivessem algum tipo de envolvimento com a maçonaria. O imperador, valendo-se de seus poderes, desacatou essa ordem e impediu que as expulsões acontecessem, já que ele também era membro integrante da ordem maçônica no Brasil.

Sendo assim, começaram a crescer os ataques contra Dom Pedro II. Além de autoritário, passou a ser acusado de mantenedor de uma ordem política problemática e ineficiente. Não bastando isso, quando a abolição aconteceu no ano de 1888, nem os grandes proprietários de terras escravagistas continuaram a apoiar ele. Foi então que, no ano seguinte, um grupo de militares republicanos organizou o golpe que encerrou o governo imperial brasileiro no dia 15 de novembro.


Por Rainer Gonçalves Sousa
Colaborador Escola Kids
Graduado em História pela Universidade Federal de Goiás - UFG
Mestre em História pela Universidade Federal de Goiás - UFG

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