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Bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki

As bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki foram lançadas pelos Estados Unidos contra as duas cidades japonesas no final da Segunda Guerra Mundial.

Explosão das bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki. Explosão da bomba atômica lançada sobre Nagasaki.

As bombas atômicas de Hiroshima e de Nagasaki foram lançadas nos dias 6 e 9 de agosto de 1945, respectivamente. Elas foram as únicas bombas atômicas utilizadas em guerra até hoje. Foi o Projeto Manhattan, liderado pelos Estados Unidos e que contou com apoio do Canadá e do Reino Unido, que desenvolveu as primeiras bombas nucleares.

O primeiro teste nuclear ocorreu em 16 de julho de 1945, no deserto próximo da cidade de Los Alamos, nos Estado Unidos, menos de um mês antes dos ataques nucleares ao Japão. O Japão lutava sozinho na Segunda Guerra Mundial em agosto de 1945 e causava pesadas baixas aos Aliados, principalmente nas tropas dos Estados Unidos.

Buscando acabar rapidamente com a guerra, o presidente Harry Truman autorizou que bombas nucleares fossem usadas contra o Japão. Alguns dias após o segundo ataque nuclear, o Japão se rendeu e a guerra terminou.

Leia também: Ataque a Pearl Harbor — ofensiva japonesa que fez os Estados Unidos entrarem na guerra

Resumos sobre as bombas atômicas de Hiroshima e de Nagasaki

  • As bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki foram responsáveis pelo fim da Segunda Guerra Mundial, a guerra mais mortal da história.
  • As duas bombas nucleares foram lançadas no Japão de aviões de bombardeio B-29.
  • Alguns historiadores defendem que os EUA as utilizaram para mostrar seu poder de destruição para a União Soviética.
  • Após explodir, as bombas lançaram três ondas mortais: a de luz/calor, a onda de choque e a de radioatividade.
  • No local da explosão de Hiroshima, foi construído um memorial para lembrar a humanidade dos horrores causados pelas armas nucleares.
  • Apenas quatro anos após os ataques ao Japão, a União Soviética criou sua própria bomba nuclear, iniciando a Guerra Fria.

Videoaula sobre bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki

Contexto histórico das bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki

A Segunda Guerra Mundial se iniciou em 1º de setembro de 1939, quando a Alemanha Nazista, chefiada por Adolf Hitler, invadiu a Polônia. O fato levou diversos países a entrarem na guerra. De um lado, tivemos as forças do Eixo, compostas pela Alemanha, Itália e Japão; e, do outro, os Aliados, com França, Inglaterra, Estados Unidos, União Soviética, entre diversos outros.

O Brasil entrou de fato no conflito em 1944, quando tropas brasileiras passaram a lutar na Itália ao lado dos Aliados. A guerra foi a mais sangrenta da história e deixou um saldo de cerca de 60 milhões de mortos,|1| além dos horrores do Holocausto, em que 6 milhões de judeus foram assassinados.

No início de agosto de 1945, dias antes dos ataques nucleares, a guerra caminhava para o seu fim. A Itália e a Alemanha já haviam se rendido, e seus líderes, Mussolini e Hitler, estavam mortos. Nesse momento o Japão lutava sozinho no conflito contra diversas potências.

Apesar de lutar sozinho, o Japão estava dando trabalho para os Estados Unidos, que perdiam muitos soldados em cada pequena ilha que conquistavam no arquipélago japonês. Além disso, os nipônicos estavam utilizando os kamikazes, jovens que jogavam seus aviões em alvos norte-americanos, principalmente em porta-aviões e outras embarcações de guerra. Foi nesse contexto que as bombas atômicas foram lançadas sobre o Japão.

Veja também: Quais foram as causas da Segunda Guerra Mundial?

Qual o motivo dos ataques contra Hiroshima e Nagasaki?

A versão oficial afirma que as bombas de Hiroshima e Nagasaki foram lançadas para abreviar o fim da Segunda Guerra Mundial. O Japão é formado por centenas de ilhas e os Estados Unidos estavam perdendo diversos soldados para conquistar cada uma delas.

Os japoneses se entrincheiravam, muitas vezes em cavernas naturais, e infligiam diversas baixas nas tropas invasoras. Muitos kamikazes estavam sendo utilizados na guerra, assim como homens suicidas, que explodiam cargas explosivas em seus corpos quando estavam próximos de tropas norte-americanas, ou que utilizam um pequeno submarino-torpedo para o ataque.

O governo norte-americano alegou que a guerra poderia durar muitos anos até a conquista ou rendição do Japão. Assim, para poder acabar rapidamente com a guerra, as bombas foram lançadas.

Alguns historiadores, entre eles Eric Hobsbawm, defendem que a guerra já estava ganha, que a rendição do Japão era uma questão de tempo e que as bombas foram lançadas, na verdade, para mostrar o poderio militar norte-americano para o vizinho do Japão, a União Soviética, ainda aliada dos Estados Unidos na guerra.

Diversas reuniões estavam sendo realizadas entre Estados Unidos, Reino Unido e União Soviética para definirem o mapa pós-guerra e a área de influência de cada país nessas novas áreas. As bombas nucleares dos Estados Unidos aumentaram seu poder de barganha nessas negociações.

Quais bombas foram usadas em Hiroshima e Nagasaki?

No Projeto Manhattan, foram desenvolvidos dois tipos de bombas, uma que utilizava urânio e outra que utilizava plutônio, para iniciar a reação em cadeia. Os pesquisadores resolveram desenvolver dois tipos de bombas para aumentar as chances de sucesso do projeto.

→ Bomba de urânio (a Little Boy)

A primeira bomba lançada em 6 de agosto, em Hiroshima, foi chamada de Little Boy. Ela pesava mais de 4 toneladas e continha no seu núcleo urânio enriquecido. Cargas explosivas convencionais explodiram, disparando um projétil de urânio contra outra carga do mesmo material, dando início a um processo em cadeia que liberou aproximadamente 15 quilotons de energia.

A bomba explodiu a cerca de 600 metros do solo para aumentar seu poder de destruição. Assim que a bomba explodiu, uma grande luz se propagou, queimando tudo o que estava na proximidade. A segunda onda foi a de choque, que viajou quase na velocidade do som, destruindo prédios e o que mais encontra pela frente. A última onda de destruição da bomba foi a radioatividade, que se propagou com o vento.

→ Bomba de plutônio (a Fat Man)

A bomba que destruiu Nagasaki foi chamada de Fat Man e atingiu a cidade japonesa em 9 de agosto. Embora também fosse uma bomba atômica, a Fat Man possuía em seu núcleo plutônio e tinha poder de destruição maior que a Little Boy, com cerca de 21 quilotons de potência.

A Fat Man tinha no seu interior uma esfera, na qual explosivos convencionais ficavam no lado externo, explodindo e liberando energia para o centro da esfera, que continha o plutônio, este atingiu a densidade crítica e iniciou a reação em cadeia.

Maquete da bomba Fat Man.

Como foram os ataques a Hiroshima e Nagasaki?

Foi escolhido o bombardeio Enola Gay e sua tripulação de 12 homens para participarem da missão de bombardeamento de Hiroshima. A tripulação fez diversos treinamentos para o ataque, inclusive lançando as bombas laranjas em cidade japonesas. Essas bombas tinham o formato das bombas atômicas, mas continham explosivos convencionais, elas serviram somente para testes e treinamentos.

Às 2 horas da manhã do dia 6 de agosto de 1945, o Enola Gay partiu das Ilhas Marianas em direção a Hiroshima, o que demorava em média 6 horas. Às 8h15 do horário em Hiroshima, o Enola Gay lançou a bomba, que caiu com um paraquedas para retardar sua explosão e dar tempo para os tripulantes do avião escaparem. A bomba explodiu bem próximo do local planejado, uma ponte em forma de T no centro da cidade.

Os números variam, mas a maior parte dos historiadores aponta que cerca de 70 mil pessoas morreram instantaneamente e um número aproximado de pessoas ficaram feridas.|2| Após o ataque, o presidente Truman afirmou que, caso o Japão não se rendesse, mais bombas atômicas seriam lançadas sobre suas cidades. Mesmo com as ameaças, o Japão não se rendeu.

No dia 9 de agosto, o B-29, conhecido como Bockscar, partiu em direção ao Japão com a missão de lançar outra bomba atômica no país. O alvo principal era a cidade de Kokura, e a secundária, a cidade de Nagasaki. Ao sobrevoar Kokura, os tripulantes do Bockstar observaram que parte da cidade estava encoberta com nuvens e por fumaça de bombardeios anteriores. Dessa forma, eles rumaram para a cidade de Nagasaki.

Ao avistarem Nagasaki, a cidade também estava encoberta pelas nuvens, mas, após uma abertura nelas, a tripulação decidiu atirar a bomba, era 11h01, no horário do Japão. O Bockscar errou o alvo em aproximadamente 3 quilômetros, e a bomba explodiu atrás de um morro, que reduziu drasticamente seu poder de destruição. Morreram na explosão cerca de 39 mil pessoas e outras 25 mil ficaram feridas.|3|

Consequências das bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki

A primeira consequência foi a grande perda humana, mais de cem mil de mortos em segundos, assim como dezenas de milhares de feridos, entre eles mulheres, crianças, grávidas e idosos.

Também temos como consequência imediata a destruição de duas cidades e de toda a sua infraestrutura, como pontes, vias, hospitais, escolas, entre outros. Após as explosões, grandes incêndios atingiram as cidades, durando dias. Vale lembrar que parte das casas japonesas do período eram feitas de bambu, madeira e de diversas fibras vegetais, o que facilitou a propagação do fogo.

O edifício conhecido hoje como a Cúpula da Bomba Atômica, em Hiroshima, é um dos poucos que ficaram de pé após o ataque.[1]

Outra consequência dos ataques foi a rendição do Japão, em 14 de agosto de 1945. Nesse dia o governo japonês anunciou sua rendição, cessando os ataques dos Estados Unidos ao país. No dia 2 de setembro, autoridades japonesas participaram de uma cerimônia em um porta-aviões norte-americano, no qual formalizaram a rendição por meio da assinatura da Ata de Rendição do Japão.

Apenas 4 anos depois dos lançamentos das bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki, a União Soviética testou com sucesso sua primeira arma nuclear, para muitos historiadores esse foi o marco inicial da Guerra Fria. Durante a Guerra Fria, o mundo viveu o medo do armagedon nuclear, uma vez que as duas superpotências rivais possuíam arsenais nucleares para destruírem o planeta.

Saiba mais: Holodomor — outra grande tragédia que marcou o século XX

Curiosidades sobre as bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki

  • Sombras atômicas: as bombas de Hiroshima e Nagasaki queimaram paredes e estruturas, branqueando-as. Em alguns lugares, corpos de pessoas barraram a luz e o calor, deixando uma impressão na parede ou no piso. Essas marcas da tragédia são conhecidas como sombras de Hiroshima.
A sombra na calçada marca o local exato onde uma pessoa estava sentada na hora da explosão em Hiroshima.
  • Não foi o ataque com maior mortalidade: os ataques de Hiroshima e Nagasaki não foram os ataques mais mortais da Segunda Guerra. A Operação Meetinghouse, ocorrida entre 9 e 10 de março de 1945, é considerada o ataque mais mortal da história. Aproximadamente cem mil pessoas perderam a vida em Tóquio nesses dois dias.|4|
  • Hibakujumoku: é o nome que recebem as poucas árvores sobreviventes do ataque nuclear em Hiroshima. Entre as hibakujumoku, a maior parte é composta por Ginkgo biloba, espécie de árvore considerada uma das mais antigas e resistentes.
  • Memorial da Paz: no local do epicentro da bomba de Hiroshima, o Japão construiu o Memorial da Paz. A principal edificação do memorial é a Cúpula da Bomba Atômica, um dos poucos edifícios que ficaram em pé após o ataque. O memorial busca lembrar os horrores das bombas nucleares e suas vítimas, além de ser um símbolo na luta pelo fim das armas nucleares.
  • Zumbis andando pelas ruas: muitos sobreviventes relatam que, após o ataque a Hiroshima e Nagasaki, muitas pessoas andavam pelas ruas totalmente queimadas, cegas pelas queimaduras e com os braços esticados para que eles não encostassem no corpo queimado e não se sentisse dor. Yoshimura Kishisuke, artista japonês, realizou diversas pinturas retratando cenas do tipo, ele foi um dos sobreviventes do ataque nuclear.

Notas

|1|NAÇÕES UNIDAS NO BRASIL. Nações Unidas lembram os mortos da Segunda Guerra Mundial. Notícias. Nações Unidas no Brasil, 10 maio 2021. Disponível em: https://brasil.un.org/pt-br/126610-na%C3%A7%C3%B5es-unidas-lembram-os-mortos-da-segunda-guerra-mundial.

|2| e |3|UNIVERSIDADE DE YALE. Os bombardeios atômicos de Hiroshima e Nagasaki: Capítulo 10 - Total de vítimas. Biblioteca Jurídica Lillian Goldman. The Avalon Project: Universidade de Yale. Disponível em: https://avalon.law.yale.edu/20th_century/mp10.asp.

|4|MUSEU NACIONAL DA SEGUNDA GUERRA. Fogo do Inferno na Terra: Operação Meetinghouse. Museu Nacional da Segunda Guerra, 08 mar. 2020. Disponível em: https://www.nationalww2museum.org/war/articles/hellfire-earth-operation-meetinghouse

Créditos da imagem

[1]Everett Collection/ Shutterstock

Fontes

HOBSBAWM, Erick. Era dos extremos. Companhia das Letras, São Paulo, 2015.

WALLACE. Chris. Contagem regressiva: a extraordinária história da bomba atômica e dos 116 dias que mudaram o mundo. Editora Alta Book, Rio de Janeiro, 2021.

Por Jair Messias Ferreira Junior

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