As bombas atômicas lançadas sobre o Japão

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As bombas atômicas lançadas sobre o Japão Acima, nuvem de fumaça provocada pela detonação da bomba atômica em Nagasaki, Japão
Por Cláudio Fernandes
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Ao longo da existência humana, muitos foram os momentos em que a violência das guerras chegou a dizimar populações inteiras. Entretanto, o século XX demonstrou à história que a capacidade humana de aniquilação pode ser extremamente (por mais cruel que pareça) versátil e acelerada. As duas guerras mundiais, ocorridas entre os anos de 1914 e 1918 e 1939 e 1945, respectivamente, demostraram isso. No mês de agosto de 1945, o uso das bombas atômicas pelos Estados unidos contra as cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki consistiu na prova viva de que o homem poderia (em condições científicas e tecnológicas reais) exterminar a si próprio.

Sabe-se que o anseio pelo domínio de armas nucleares estava presente na mente de vários líderes que se envolveram na Segunda Guerra Mundial, entre eles, Hitler, que contava com grande parte dos melhores cientistas da época. O projeto inicial da bomba atômica nasceu na Alemanha nazista, mas foi nos EUA que teve os recursos financeiros e técnicos reais para efetivar-se. Os envolvidos no projeto que deu origem à bomba foram Szilard e Robert Oppenheimer. O nome do projeto ficou conhecido como Projeto Manhattan e foi liderado pelo general Leslie Groves.

Com a derrota alemã em 1945, a ameaça da bomba nuclear de origem nazista já estava fora de cogitação. Entretanto, a guerra prosseguia no Pacífico contra o Império Japonês. Além disso, os americanos tinham como intuição estratégica o fato de que a URSS, que havia entrado na Alemanha pelo flanco oriental e ocupado boa parte de seu território, poderia apropriar-se no futuro da tecnologia nuclear lá desenvolvida.

Esses e outros fatores contribuíram para a decisão de pôr término na guerra lançando duas ogivas contra o Japão, uma de Urânio e outra de Plutônio, operadas por fissão e fusão nuclear, respectivamente. Um dos fatores de maior discussão, posto o caráter ético que implica, é o fato de as bombas terem sido usadas como demonstração de força militar e imposição geopolítica por parte dos EUA. O fato é que, para além disso, a catástrofe nuclear constituiu uma das piores cicatrizes da história humana. Os dias em que ocorreram os ataques foram 06 e 09 de agosto de 1945, como narra o pesquisador Ronaldo Mourão:

Em 6 de agosto de 1945, às 2h30min, hora local, e com condições meteorológicas favoráveis sobre Hiroshima, o bombardeiro B29 batizado de Enola Gay (em homenagem à mãe do piloto que comandava a missão) decolou do aeroporto militar norte-americano Tinian, nas Ilhas Marianas, sob o comando de Paul Tibbets, sendo a tripulação composta de Robert Lewis, Thomas Ferebee, William Parsons, Morris Jeppson e outros.” [1]

O lançamento da primeira bomba, em Hiroshima, foi devastador, como podemos ver na descrição de Ronaldo Mourão:

O comandante Tibbets era o único que conhecia os efeitos da bomba que transportava, medindo 4,50 metros de comprimento e 76 cm de diâmetro. Às 8h9min, Hiroshima aparece entre as nuvens. Às 8h16min45s a bomba é lançada. A explosão de 60 kg de U235, equivalente a 12.500 toneladas de TNT, ocorreu 40 segundos mais tarde, a 580 metros acima da cidade, provocando a morte de 140.000 civis. O número de sobreviventes foi superior a 300.000, que apresentaram efeitos de curto e longo termo decorrentes de doenças provenientes da exposição à radiação.” [2]

A segunda bomba continha uma ogiva do elemento Plutônio e foi lançada em Nagasaki no dia 09 de agosto, vitimando cerca de 40 mil pessoas.

NOTAS

[1] MOURAO, Ronaldo Rogério de Freitas. Hiroshima e Nagazaki: razões para experimentar a nova arma. Sci. stud., São Paulo, v. 3, n. 4, p. 697-698.

[2] Idem. p. 697-698.

Aproveite para conferir a nossa videoaula relacionada ao assunto:

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