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Intertextualidade

Chamamos de intertextualidade o “diálogo” que ocorre entre dois textos diferentes, quando um faz referência a outro que já existia, inspirando-se em sua forma ou mensagem para criar um novo discurso. Ela pode ocorrer de modo explícito (mais facilmente percebida) ou implícito (menos facilmente percebida). Além disso, há tipos diferentes de intertextualidade. Vamos conhecer alguns?

Leia também: Comparação – figura de linguagem que estabelece ligação entre diferentes elementos

Tipos de intertextualidade

Veja alguns tipos muito comuns de intertextualidade.

  • Epígrafe: trecho de outro texto colocado no início de uma obra ou capítulo para servir de inspiração ou tema para o que será abordado no novo texto.

  • Citação: trecho de outro texto, citado com a fonte original, que traz ideias que também serão abordadas no próprio texto. O trecho em questão é usado exatamente como veio escrito na fonte original.

  • Paráfrase: assim como a citação, é uma referência direta a ideias discutidas em outro texto. Porém, enquanto a citação usa o trecho exatamente como veio escrito na fonte original, a paráfrase é a reescrita desse trecho nas próprias palavras do autor do novo texto. Também se faz a referência à fonte original.

  • Tradução: passagem de um texto de uma língua para outra língua.

  • Alusão: referência indireta a outros textos pelo uso de elementos simbólicos, como certos vocabulários ou formas específicas da obra original.

  • Paródia: reescrita de outra obra de maneira cômica e irônica com o intuito de divertir ou criticar.

Além desses, há outros tipos de intertextualidade dentre os diversos gêneros discursivos, como bricolagem, pastiche, entre outros.

Intertextualidade explícita e implícita

A intertextualidade pode se dar de maneira implícita ou explícita.

  • Intertextualidade explícita: é o tipo de referência feito de maneira direta. É mais facilmente percebida, pois comumente aponta ou marca a fonte original com a qual se dialoga no texto.

  • Intertextualidade implícita: a referência não é feita de maneira direta. Portanto, fica mais difícil saber a fonte original e entender que há uma referência sendo feita. Para isso, é preciso conhecer a fonte original e reconhecer por conta própria a relação existente.

Exemplos de intertextualidade

A intertextualidade pode ocorrer entre gêneros discursivos iguais ou até diferentes. Por exemplo, quando um poema faz alusão a outro poema, a intertextualidade ocorreu entre dois gêneros discursivos iguais. No entanto, se uma canção faz alusão a um romance ou então se um desenho animado faz alusão a uma pintura, dizemos que houve intertextualidade entre dois gêneros discursivos diferentes. É o que vamos ver nos exemplos a seguir.

  • Exemplos de intertextualidade em linguagem não verbal

Linguagem não verbal é aquela que não utiliza a fala e nem a escrita. Ao invés disso, usa imagens e símbolos para comunicar algo. É o caso de pinturas, esculturas, desenhos, entre outras formas de expressão.

Veja um exemplo de intertextualidade na linguagem não verbal:

Legenda: “Mona Lisa”, por Leonardo da Vinci (1503), e uma paródia do mesmo quadro.

O quadro à esquerda chama-se Mona Lisa e foi pintado por Leonardo da Vinci em 1503. O quadro à direita é uma releitura da Mona Lisa, uma paródia que mostra uma versão atual da Mona Lisa tirando um autorretrato com o celular.

Veja outro exemplo:

À esquerda, capa do livro “As aventuras do avião vermelho”, Editora Companhia das Letras. À direita, pôster da animação dirigida por Frederico Pinto e José Maia. [1]

Érico Veríssimo escreveu o livro “As aventuras do avião vermelho” em 1936. A edição que aparece à esquerda foi ilustrada por Eva Furnari e publicada em 2003. À direita, vemos um pôster da animação “As aventuras do avião vermelho”, de 2014. Esse filme foi dirigido por Frederico Pinto e José Maia, mas foi baseado no livro de Érico Veríssimo. Aqui, houve intertextualidade entre uma prosa (o livro) e uma animação (o filme).

Veja também: Sentido literal e sentido figurado – o uso da conotação e da denotação na construção dos sentidos

  • Exemplos de intertextualidade na música

Há muitos exemplos de intertextualidade em músicas também. José de Alencar foi um escritor brasileiro que criou, entre outras histórias, o romance “Iracema”. Chico Buarque, famoso cantor brasileiro, compôs a canção “Iracema voou”, na qual também há uma personagem chamada Iracema, referência àquela do livro de José de Alencar. Aqui, há intertextualidade entre um romance publicado em 1865 e uma música composta em 1998.

Do mesmo modo, as músicas “Admirável gado novo”, de Zé Ramalho, e “Admirável chip novo”, de Pitty, foram inspiradas pelo livro “Admirável mundo novo”, de Aldous Huxley, o que fica bastante óbvio pelo título dessas obras, mas também pelo conteúdo delas, que tem a ver com a história do livro.

  • Exemplos de intertextualidade na literatura

Como já vimos, também é muito comum haver intertextualidade na literatura, entre textos diferentes. Leia os trechos dos poemas abaixo e observe a intertextualidade entre eles:

Canção do exílio

de Gonçalves Dias

Minha terra tem palmeiras
Onde canta o sabiá,
As aves que aqui gorjeiam
Não gorjeiam como lá.

Canto de regresso à pátria

de Oswald de Andrade

Minha terra tem palmares
onde gorjeia o mar
os passarinhos daqui
não cantam como os de lá.

Europa, França e Bahia

de Carlos Drummond de Andrade

Meus olhos brasileiros se fecham saudosos
Minha boca procura a ‘Canção do Exílio’.
Como era mesmo a ‘Canção do Exílio’?
Eu tão esquecido de minha terra...
Ai terra que tem palmeiras
Onde canta o sabiá!

No poema de Oswald de Andrade, há intertextualidade implícita, já que recria o poema de Gonçalves Dias por meio de uma paródia. No poema de Drummond, há intertextualidade explícita ao usar uma paráfrase para se referir ao mesmo poema de Gonçalves Dias.

Créditos das imagens:

[1] Editora Companhia das Letras (reprodução)

Por Guilherme Viana

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