Período Joanino

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Período Joanino Dom João VI ordenou a transferência da corte portuguesa para o Brasil em 1807*
Por Daniel Neves Silva
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É chamado de Período Joanino a época da história brasileira que se estendeu de 1808 até 1821. Esse período iniciou-se quando a família real portuguesa mudou-se para o Brasil, em 1808, fugindo das tropas francesas. A presença de D. João VI e da família real no Brasil resultou em uma série de transformações, que, segundo os historiadores, contribuiu para antecipar o processo de independência do Brasil.

Antecedentes

A presença da família real portuguesa no Brasil teve relação direta com eventos que estavam acontecendo na Europa do século XIX. Em 1806, por ordem do imperador francês, Napoleão Bonaparte, todos os países da Europa foram proibidos de comercializar com a Inglaterra. Essa medida, conhecida como Bloqueio Continental, fazia parte da luta travada entre França e Inglaterra e buscava enfraquecer economicamente os ingleses.

Como os portugueses recusaram-se a aderir ao Bloqueio Continental, foi ordenado por Napoleão Bonaparte que o país fosse militarmente invadido pelas tropas francesas. Assim, a partir de 1807, as tropas francesas invadiram Portugal. D. João VI, rei de Portugal, sabia que seu país não possuía condições de resistir às tropas francesas e, assim, ordenou a transferência da corte local para o Brasil.

De 25 a 27 de novembro de 1807, foram embarcadas às pressas de 10 a 15 mil pessoas|1|. Além disso, com a corte portuguesa, foram trazidos ao Brasil todo o tesouro real, objetos que formaram a Biblioteca Nacional e outros objetos de valor. Os relatos contam da desorganização do embarque e das dificuldades enfrentadas durante a viagem.

Chegada da família real ao Brasil

A família real e toda a corte portuguesa chegaram ao Brasil em janeiro de 1808, na cidade de Salvador. A primeira grande mudança ordenada por D. João VI foi a abertura dos portos brasileiros a todas as nações amigas. Essa era uma medida óbvia de acontecer, mas, de qualquer maneira, representou um grande salto para a economia do país, que agora poderia comercializar livremente com a grande potência econômica da época – a Inglaterra.

No campo econômico, D. João VI também revogou a proibição que existia sobre a instalação de manufaturas no país. Por ordem do rei português, permitiu-se a construção de manufaturas no Brasil e criaram-se mecanismos para incentivar e baratear a compra das matérias-primas necessárias. Essas medidas, no entanto, não tiveram o resultado esperado.

As mudanças que aconteceram no aspecto econômico favoreceram principalmente os comerciantes ingleses, que se estabeleceram em bom número no porto da cidade do Rio de Janeiro. Além disso, foi estipulado em negociação pelos dois países que as taxas alfandegárias sobre as mercadorias inglesas seriam de apenas 15%. Esse acordo ficou conhecido como Tratado de Navegação e Comércio e foi assinado em 1810.

A presença da corte portuguesa no Brasil também contribuiu para o desenvolvimento da vida cultural, principalmente na cidade do Rio de Janeiro. Foram construídos no Rio de Janeiro museus, bibliotecas, teatros etc. Além disso, a presença de tipografias contribuiu para o desenvolvimento da imprensa e aumentou a circulação de ideias no país. O crescimento da vida cultural no Rio de Janeiro atraiu uma série de artistas e intelectuais estrangeiros.

Nas questões que envolviam a política externa, D. João VI envolveu-se em dois conflitos: o primeiro aconteceu em 1809, quando foi ordenada a invasão da Guiana Francesa. Esse conflito foi uma represália à invasão de Portugal pelas tropas francesas. O outro conflito ocorreu a partir de 1811 pela posse da Cisplatina – região que corresponde atualmente ao Uruguai.

Após a derrota de Napoleão Bonaparte e a realização do Congresso de Viena, o rei português passou a sofrer pressão das nações europeias para que retornasse, pois consideravam absurdo um rei europeu estar instalado em uma colônia. D. João VI, que estava muito bem adaptado ao Rio de Janeiro, decretou em resposta a elevação do Brasil para a condição de reino. Na prática, o Brasil deixava de ser uma colônia e tornava-se um território equiparado ao restante do território português, formando o Reino de Portugal, Brasil e Algarves.

D. João VI permaneceu no Brasil durante mais alguns anos, porém, em virtude da Revolução Liberal do Porto, o rei português, para manter-se no trono, viu-se obrigado a retornar. A burguesia portuguesa rebelou-se em 1820 e passou a exigir mudanças, sendo uma delas o retorno imediato do rei para Lisboa. O retorno de D. João VI aconteceu em 1821.

As demandas da burguesia portuguesa e a intenção de rebaixar o Brasil novamente à condição de colônia contribuíram para que D. Pedro I, filho de D. João VI e regente do Brasil, conduzisse o processo de independência do Brasil, concretizado oficialmente em 1822.

|1| FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Edusp, 2013, p. 105.
*Créditos da imagem: StockPhotosArt e Shutterstock

Aproveite para conferir a nossa videoaula sobre o assunto:

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