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Hebreus

Os hebreus eram um povo da Antiguidade que, segundo a narrativa bíblica, teria suas origens na Mesopotâmia. Os hebreus migraram para Canaã, supostamente por um chamado de Deus, e depois de um tempo no Egito teriam penetrado lentamente na região. A história hebraica é dividida em três fases: dos patriarcas, dos juízes e dos reis. Por volta do século I d.C., começaram a fugir de sua terra por causa da perseguição dos romanos.

Leia mais: Fenícios – povos que provavelmente mantiveram contatos comerciais com os hebreus

Os hebreus e a Bíblia

Os hebreus eram um povo seminômade que se estabeleceu e se fixou na região da Palestina (chamada de Canaã, na Antiguidade). A reconstrução da história desse povo é um grande desafio para os historiadores, sobretudo pela falta de fontes históricas e de evidências que comprovem determinados acontecimentos.

Uma das grandes fontes que trazem detalhes sobre a história hebraica é a Bíblia, o livro sagrado do cristianismo. Entretanto, essa fonte histórica, assim como muitas outras, é utilizada com certo cuidado pelos historiadores, uma vez que muitas das narrativas são consideradas míticas, sendo interpretadas como mitos e não como relatos de eventos históricos.

Assim, os relatos da Bíblia não são enxergados como verdades absolutas e passam por uma análise crítica por parte dos historiadores antes de serem utilizados. De toda forma, neste texto, veremos algumas informações que mesclam o relato bíblico com outras informações obtidas por meio do estudo histórico.

Origem dos hebreus

Segundo a narrativa bíblica, as origens dos hebreus remontam ao patriarca Abraão.

O relato bíblico conta que os hebreus surgiram do patriarca Abraão. Por volta do século XX a.C., Abraão vivia na cidade de Ur, na Mesopotâmia. Ele, que era um pastor seminômade, teria supostamente recebido uma profecia de Deus (Javé, para os hebreus), prometendo-lhe uma terra e uma grande descendência se ele largasse a Mesopotâmia e adorasse a esse único Deus.

Abraão teria seguido esse chamado e partido na migração que o levou à região de Canaã, atualmente chamada de Palestina. Nessa localidade, os hebreus fixaram-se na região do Vale do Rio Jordão, marcado por possuir terras mais férteis. Mesmo na nova terra, o estilo de vida dos hebreus era baseado no seminomadismo. Essa fase da história hebraica é conhecida como a fase dos patriarcas.

Acredita-se que a sobrevivência dos hebreus vinha da criação de animais e também do cultivo agrícola. O cultivo de animais era muito comum entre as tribos hebraicas que habitavam regiões mais desérticas, enquanto que, na agricultura, o arado e métodos de irrigação já eram utilizados para melhorar a produtividade do solo.

  • Escravidão no Egito

Após esse período em Canaã, a narrativa conta que os hebreus decidiram migrar-se para o Egito. Isso pode ter acontecido por volta de 1700 a.C. e foi motivado pela escassez de alimentos em toda Canaã. O Egito, por sua vez, era uma terra fértil, por conta do rio Nilo, e por isso não enfrentava escassez de alimentos.

Existe divergência sobre se a migração dos hebreus ao Egito teria sido aderida por todas as tribos ou se apenas uma parte das tribos mudou-se para lá. De toda forma, a chegada dos hebreus ao Egito coincidiu com o período em que os hicsos, povo de origem semita (assim como os hebreus), dominavam a região.

Os hebreus teriam se aproveitado do domínio hicso, estabelecendo-se lá pacificamente e ocupando posições importantes na região. A colaboração hebraica com os hicsos acabou custando caro, e os hebreus passaram a ser escravizados depois que os egípcios expulsaram os hicsos. A libertação dos hebreus teria ocorrido, por volta de 1300 a.C., por Moisés.

Conquista de Canaã

A migração dos hebreus do Egito de volta para Canaã ficou conhecida como Êxodo, e alguns historiadores alegam que não existem evidências que sustentam que um grande número de pessoas tenham feito essa migração simultaneamente. Assim, muito provavelmente, a história do Êxodo tem um fundo histórico real, mas mitificado na posteridade.

Quando os hebreus chegaram a Canaã, encontraram a terra povoada pelos cananeus (povos originários da região) e filisteus. A narrativa bíblica conta que a região teria sido conquistada em uma campanha militar feita sob a liderança de Josué. Nessa campanha, a região seria integralmente conquistada, e cada tribo de Israel ocuparia uma parte distinta.

No entanto, o escritor André Chouraqui sugere que essa conquista de Canaã provavelmente foi muito mais lenta e que teria sido feita por uma lenta penetração das tribos israelitas na região. Ele sugere também que a domesticação do camelo e o domínio da metalurgia foram fundamentais para os hebreus, pois permitiram-lhes morar em regiões com menor presença de cananeus e, com base nesses locais, expandir-se por Canaã|1|.

A historiadora Karen Armstrong também aponta que não existem indícios que sustentam uma grande invasão estrangeira a Canaã no período e que, mesmo fixando-se nessa região, as “conquistas” dos hebreus não teriam sido plenas: as grandes cidades de Canaã não tinham sido conquistadas e os filisteus não tinham sido expulsos|2|.

Nesse período, a grande autoridade entre os hebreus era o juiz, um chefe militar que era escolhido em cada uma das tribos hebraicas. O último juiz hebreu, Samuel, foi o responsável por inaugurar a monarquia hebraica com a coroação de Saul.

Reino de Israel

A coroação de Saul teria acontecido no final do século XI a.C. Ele foi responsável por centralizar o poder do Reino de Israel e liderar a guerra contra os filisteus pelo controle de Canaã. Saul foi responsável por importantes conquistas territoriais, e, depois de sua morte, Davi tornou-se rei. A transformação de Davi em rei de Israel passou ainda por alguns anos de conflito com Isboset, filho de Saul.

A cidade de Jerusalém foi conquistada pelos hebreus durante o reinado de Davi.[1]

Davi foi o responsável por liderar a conquista da cidade de Jebus, encravada no território de seu reino e habitada pelos jebuseus. A conquista de Jebus, renomeada de Ir Davi, aconteceu por volta de 1000 a.C. e foi um dos grandes marcos de seu reinado. A cidade foi transformada em capital das terras hebraicas, sendo conhecida atualmente como Jerusalém.

Um dos grandes feitos da história hebraica foi a construção do Templo de Jerusalém, conhecido também como Templo de Salomão por ter sido construído durante o reinado de Salomão. O reinado de Salomão foi entendido como um momento de prosperidade, e o Reino de Israel teve um exército fortalecido e um comércio pujante. O período desses três reis é conhecido como período monárquico da história hebraica.

Acesse também: Cretenses - civilização que teve grande influência no mar Egeu

Diáspora dos hebreus

O fim do reinado de Salomão enfraqueceu o Reino de Israel. As terras foram divididas em dois reinos, tendo Judá surgido no sul, e Israel, no norte de Canaã. Essa divisão facilitou a conquista da região por outros povos. O Reino de Israel, por exemplo, foi conquistado pelos assírios no século VIII a.C.

Séculos depois, o Reino de Judá, no sul de Canaã, foi conquistado pelos caldeus liderados pelo rei Nabucodonosor. Nessa conquista, o Templo de Salomão foi destruído pela primeira vez e parte dos hebreus foi levada como escrava para a Babilônia — esse foi o Cativeiro da Babilônia. Os hebreus ainda foram dominados por outros povos, e persas, macedônios e romanos conquistaram a região nos séculos seguintes

Os romanos mantiveram um domínio rígido contra os hebreus que resistiram por meio de rebeliões. Existem historiadores que sustentam que a traição de Jesus, por exemplo, teria sido um acontecimento relacionado a isso, uma vez que existiam judeus que queriam que Jesus se aliasse à causa da independência hebraica, mas como a mensagem de Jesus era outra, ele teria sido traído.

Em uma dessas rebeliões, no ano 70 d.C., o Templo de Salomão foi destruído pela segunda vez e os dois primeiros séculos da Era Comum (d.C.) ficaram marcados por três Guerras Romano-Judaicas. A perseguição romana contra os hebreus na Palestina teria se tornado muito intensa, o que motivou milhares deles a abandonarem a região a partir do século I d.C.. Esse abandono da Palestina pelos hebreus ficou conhecido como diáspora.

Notas

|1| CHOURAQUI, André. Os homens da Bíbia. São Paulo: Companhia das Letras, 1990. p. 38-39.

|2| ARMSTRONG, Karen. Jerusalém: uma cidade, três religiões. São Paulo: Companhia das Letras, 2000. p. 44-45.

Créditos da imagem

[1] JekLi e Shutterstock

Por Daniel Neves Silva

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