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Baixa Idade Média

A Baixa Idade Média é o período final da Idade Média que se estendeu do século XI ao século XV. A Baixa Idade Média foi um momento de muitas mudanças na Europa por conta de avanços na agricultura e do crescimento urbano e populacional. Foi o período auge do feudalismo, mas também quando esse sistema entrou em decadência.

Entendendo a divisão da Idade Média

A Idade Média é um período que se estendeu de 476 a 1453, de acordo com a divisão temporal feita pelos historiadores. Essa divisão foi realizada utilizando critérios modernos e tem fins didáticos.

No que se refere à Idade Média, os historiadores estabeleceram que o período fosse dividido em duas fases, que são:

  • Alta Idade Média: do século V ao século X;

  • Baixa Idade Média: do século XI ao século XV.

Acesse também: Economia na Idade Média: renascimento comercial e funcionamento

Características

A Europa da Baixa Idade Média é um continente em contínua transformação, embora as mudanças acontecessem lentamente. Ainda assim, é importante estabelecer algumas características a respeito do período, e o conceito mais importante, nesse sentido, sem dúvidas, é o feudalismo.

Os historiadores estabeleceram que o período clássico do feudalismo estendeu-se do século XI ao século XIII. Depois disso, esse sistema que estruturava a sociedade medieval começou a enfraquecer-se, e a Europa passou a assumir novas características.

É importante estabelecermos que o feudalismo não é exclusivamente um sistema econômico, mas um conceito-chave que engloba questões que envolvem a divisão social, a organização política, a ideologia vigente, a cultura popular etc.

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Nesse conceito, o feudo é um dos locais de importância, mas não há somente ele. É preciso lembrar-se também das aldeias e das igrejas, por exemplo. Focando no aspecto econômico, o feudalismo estabeleceu o modo como aquela sociedade produzia riquezas e como funcionavam as relações de trabalho.

Os feudos eram as terras de nobres, obtidas por riqueza familiar ou por doação do rei. Era dessa terra que um nobre retirava sua riqueza, e isso acontecia por meio da exploração do trabalho dos camponeses. Os nobres permitiam os camponeses estabelecerem-se em seu feudo, oferecendo-lhes terra para trabalharem e proteção. Em troca, os camponeses pagavam diversos impostos ao senhor feudal.

A divisão tripartite (nobres, clero e servos) da sociedade esteve vigente até meados da Baixa Idade Média.

Essa relação de trabalho entre camponês e nobre era conhecida como servidão, e uma das marcas mais importantes dessa relação é que o camponês estava preso à terra. Ele tinha uma série de obrigações a serem cumpridas, o que incluía o pagamento de impostos cedendo parte de sua produção e trabalhando de graça para seu senhor feudal.

Essa relação de exploração que existia entre o senhor feudal e o nobre era justificada dentro do feudalismo pela ideologia produzida pela Igreja Católica. Entre as formas como a Igreja delimitava a sociedade e justificava suas desigualdades, a mais conhecida foi realizada por Adalberon de Laon, quando ele afirmou que os servos não obtinham nada sem sofrimento e que isso fazia parte da casa de Deus.|1|

Até certo ponto da Baixa Idade Média, a sociedade europeia era enxergada dentro de um esquema tripartite. Existiam três classes: os nobres, o clero e os servos (camponeses). Uma das grandes marcas dessa divisão social era a dificuldade de ascender socialmente, uma vez que filho de camponês também seria camponês.

Na medida em que a Europa passava por transformações, essa forma de identificação social foi sendo substituída por uma muito mais complexa que via a sociedade dividida em várias classes sociais.

Inovações técnicas

A Baixa Idade Média ficou marcada com um período de avanços técnicos, sendo os que aconteceram na agricultura os mais destacados. Na Baixa Idade Média popularizou-se uma série de práticas que, provavelmente, já eram utilizadas na Alta Idade Média, mas em baixa escala. As principais foram o uso da charrua e da aiveca de ferro, melhorando o arado e a preparação do solo para o plantio, e de um sistema de rotação trienal do solo muito mais eficiente que o bienal.

Essas melhorias podem parecer simples atualmente, mas, na época, foram cruciais e possibilitaram um aumento significativo da produtividade agrícola. Estima-se que a produtividade média tenha passado de 1 ou 2 grãos por semente plantada para 3 ou 4 grãos.

Isso garantiu um excedente de alimento importante e permitiu que a população europeia tivesse um salto considerável durante a Baixa Idade Média. O aumento populacional também tem relação com a melhora no clima europeu durante boa parte desse período e a pouca difusão de epidemias.

Acesse também: Catarismo: uma das maiores heresias existentes na Europa medieval

Crescimento do comércio e das cidades

O crescimento do comércio na Baixa Idade Média fez com que inúmeras feiras surgissem pela Europa.

O crescimento populacional refletiu diretamente no crescimento das cidades, a partir do século XI, em toda a Europa Ocidental. A partir desse século, o número de pessoas que se arriscaram a mudar-se para as cidades a fim de prosperarem financeiramente aumentou consideravelmente. Servos fugindo da servidão e alguns nobres interessados em investir em comércio são grupos importantes que impulsionaram esse crescimento. Caso tenha curiosidade sobre esse tema, leia nosso texto: Evolução da cidade medieval.

O crescimento das cidades esteve diretamente relacionado com uma atividade econômica que esteve em baixa durante toda a Alta Idade Média: o comércio. O renascimento comercial é resultado, em parte, da abertura do Oriente pelas Cruzadas, que possibilitaram a entrada de mercadorias de luxo na Europa. Com a melhora na produção agrícola, foi possível também comercializar o que sobrava dela.

O crescimento do comércio fez surgir duas grandes rotas comerciais, uma conduzida pelos italianos no Mediterrâneo e outra pelos alemães e conhecida como Liga Hanseática. O desenvolvimento do comércio espalhou feiras pela Europa, das quais muitas se instalaram fixamente nos arredores das cidades. Quer saber mais sobre esse tópico? Leia nosso texto: Renascimento comercial e urbano.

Acontecimentos marcantes

A Baixa Idade Média ficou marcada por diversos acontecimentos importantes. Um deles foi a consolidação do Estado nacional e das monarquias europeias. O sistema feudal entrou em decadência, uma vez que os reis passaram a investir na centralização do poder e estabeleceram uma burocracia para auxiliar-lhes em seu reinado.

Antes do processo de centralização do poder e de surgimento dos Estados nacionais, aconteceram as Cruzadas — campanhas militares realizadas pelas nações cristãs da Europa contra os muçulmanos que dominavam a Palestina. Existiu uma série de interesses por trás delas:

  1. Unificação o catolicismo sobre o comando da Igreja de Roma;

  2. Abertura econômica do Oriente para a Europa;

  3. Concentração da crescente violência da nobreza europeia para um inimigo em comum.

No que se refere à Igreja, ainda podem ser destacados: o Grande Cisma de 1054, que marcou a ruptura definitiva entre a Igreja de Roma e Constantinopla, e o estabelecimento do Tribunal da Santa Inquisição, que visava combater as heresias na Europa Ocidental. A Inquisição foi instituída, em 1232, pelo papa Gregório IX.

Acesse também: Guerra das Rosas: o importante conflito que dividiu a Inglaterra no século XV

Crise do século XIV

O fim da Idade Média (e, consequentemente, da Baixa Idade Média) teve como evento precursor a grande crise que afetou a Europa no século XIV. Esse século ficou marcado por colheitas ruins, que causaram fome em massa, e também por guerras — a Guerra dos Cem Anos é a mais simbólica — e revoltas de camponeses e de trabalhadores urbanos.

O grande evento catastrófico do período foi a Peste Negra, um surto de peste bubônica que atingiu a Europa em 1348 e espalhou-se rapidamente pelo continente. Houve ciclos de peste bubônica em diversos anos no século XIV, como em 1360-62, 1366-69 e 1374-75. O resultado da Peste Negra foi a morte de 1/3 da Europa.

Notas

|1| JUNIOR, Hilário Franco. A Idade Média: nascimento do Ocidente. São Paulo: Brasiliense, 2006, p. 89.

Créditos da imagem

piotrbb e Shutterstock

Por Daniel Neves Silva

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