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Guerra das Rosas

A Guerra das Rosas foi um conflito que se arrastou pela segunda metade do século XV, na Inglaterra, e colocou York e Lancaster na disputa pelo trono inglês.

A Guerra das Rosas foi uma guerra civil que dividiu a Inglaterra, em meados do século XV. Essa guerra aconteceu entre 1455 e 1485 e colocou York e Lancaster – duas famílias nobres – na disputa pelo trono inglês. Essa guerra garantiu a ascensão de Henrique Tudor que, coroado como Henrique VII, deu início à dinastia de Tudor.

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Por que essa guerra chama-se Guerra das Rosas?

A Guerra das Rosas leva esse nome por conta dos símbolos das duas famílias que estavam na disputa pelo trono inglês. Os Lancaster tinham como símbolo uma rosa vermelha e os York tinham como símbolo uma rosa branca. Quando Tudor assumiu o poder, em 1485, houve a fusão do símbolo das duas famílias como forma de demonstrar a união das famílias Lancaster e York e, assim, surgiu a Rosa de Tudor.

Antecedentes históricos

A Guerra das Rosas foi um conflito entre duas famílias nobres da Inglaterra, ambas acreditando que tinham direitos de assumir o trono do país. As raízes desse conflito remontam ao fim do século XIV e a aos problemas de sucessão que surgiram durante a dinastia Plantageneta. Esses problemas, particularmente, referem-se ao reinado de Ricardo II, rei da Inglaterra, entre 1377 e 1399.

Em 1377, morreu Eduardo III e a sucessão do trono foi para Ricardo II, que era seu neto, pois o filho mais velho de Eduardo III, chamado Eduardo, o Príncipe Negro, faleceu e Ricardo, sendo o filho mais velho de Eduardo, acabou coroado rei da Inglaterra, como Ricardo II. A coroação de Ricardo II gerou certa incerteza a respeito da sucessão do trono inglês.

Isso se deve ao fato de Ricardo II ter assumido o trono com apenas 10 anos de idade e, como não possuía descendentes, a sucessão do trono permanecia incerta. Além disso, o reinado de Ricardo II foi tornando-se impopular, o que agitava os seus parentes mais próximos, sobretudo os herdeiros de João de Gante e Edmundo de Langley, os fundadores das famílias de Lancaster e York, respectivamente.

  • Dinastia de Lancaster

A dinastia Plantageneta e a sucessão do trono inglês foram interrompidas quando Ricardo II foi deposto do poder por meio de um golpe organizado por membros dos Lancaster – liderado por Henrique IV. Esse golpe aconteceu em 1399 e deu margem para que novas disputas pelo poder acontecessem nas décadas posteriores, sobretudo durante o reinado de Henrique VI.

A ascensão dos Lancaster ao poder está diretamente relacionada com Henrique de Bolingbroke, filho de João de Gante e primo de Ricardo II. O rei inglês e Henrique entraram em rota de colisão e Ricardo II decretou o banimento de Henrique. Tempos depois, o rei tomou para si a herança de Henrique após a morte de João de Gante (pai de Henrique).

Henrique de Bolingbroke, então, juntou forças e retornou para a Inglaterra para iniciar uma campanha militar contra o rei sob a alegação de que ele queria recuperar os seus direitos como Duque de Lancaster. Essa campanha, no entanto, ganhou força e resultou na deposição do rei em 1399 e deu início à dinastia de Lancaster.

Reinado de Henrique VI

Henrique VI foi considerado um rei fraco e isso motivou Ricardo, duque de York, a ambicionar o trono inglês.*
Henrique VI foi considerado um rei fraco e isso motivou Ricardo, duque de York, a ambicionar o trono inglês.*

Depois que os Lancaster assumiram o poder por meio do golpe em 1399, os reis da Inglaterra foram Henrique IV (1399-1413), Henrique V (1413-1422) e Henrique VI (1422-1461). Os grandes problemas que deram início à Guerra das Rosas ocorreram durante o reinado de Henrique VI.

Esse último rei não possuía grande apoio na nobreza inglesa e era visto como um rei fraco e louco. Henrique VI era considerado fraco, pois foi durante o seu reinado que a Inglaterra perdeu definitivamente a Guerra dos Cem Anos, o que desagradou profundamente a nobreza inglesa. Além disso, Henrique VI possuía problemas psiquiátricos – especula-se esquizofrenia e/ou depressão – o que lhe dava a alcunha de louco.

A incapacidade de Henrique VI de governar fez com que Ricardo, duque de York, assumisse como Lorde Protetor da Inglaterra, entre 1454 e 1455, mas depois que o rei recuperou-se, Ricardo, duque de York, recusou-se a devolver o poder para Henrique VI. Isso deu início a um conflito entre o rei e o Lorde Protetor e esse fator foi o que causou o início da Guerra das Rosas.

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Guerra das Rosas

A Guerra das Rosas iniciou-se oficialmente com a Batalha de Saint Albans, em maio de 1455. Nessa batalha, as forças de Henrique VI enfrentaram as forças de Ricardo, duque de York e a luta aconteceu em Saint Albans. A ascensão de Ricardo como opositor do rei está diretamente relacionada com a sua ambição de ocupar o trono inglês no lugar de Henrique VI.

As tropas do rei inglês foram derrotadas, o rei Henrique VI foi feito prisioneiro e sua esposa, Margarida de Anjou, e seu filho, Eduardo de Westminster, fogiram. O rei inglês foi forçado a reconhecer Ricardo, duque de York, como Lorde Protetor da Inglaterra. As disputas entre os Lancaster e os York, porém, prosseguiram nos anos seguintes.

Inúmeras novas batalhas aconteceram como Blore Heath, Ludford e Northampton. A Batalha de Wakefield, que aconteceu em dezembro de 1460, ficou marcada por ser uma evidente vitória dos Lancaster. Nessa batalha, Ricardo, duque de York, acabou sendo morto, mas a disputa entre os York e os Lancaster prosseguiu.

Deposição de Henrique VI

Após a morte de Ricardo, duque de York, seu filho Eduardo tornou-se duque de York e deu sequência a luta contra os Lancaster. Novas batalhas aconteceram em Mortimer’s Cross e Saint Albans. Com a ajuda do conde de Warwick, Eduardo conseguiu recuperar suas forças e lutou contra os Lancaster na Batalha de Towton.

Os York venceram a batalha e forçaram o rei, sua esposa e filho a fugir para a Escócia. Eduardo, vitorioso, foi coroado rei da Inglaterra e tornou-se Eduardo IV. A resistência dos Lancaster estendeu-se até 1464 e Henrique VI foi capturado em 1465, tornando-se novamente prisioneiro dos York.

Reinado de Eduardo IV

Eduardo IV, filho de Ricardo, duque de York, tornou-se rei da Inglaterra em 1461.*
Eduardo IV, filho de Ricardo, duque de York, tornou-se rei da Inglaterra em 1461.*

A ascensão ao trono da Inglaterra deveu-se, em grande parte, aos esforços dos Neville, sobretudo do Conde de Warwick, chamado Ricardo Neville. O Conde de Warwick iniciou negociações com a família real francesa para que Eduardo IV se casasse com a filha do rei Luís XI. O rei Eduardo IV, porém tinha outros planos para si e casou-se secretamente com Elizabeth Woodville, filha de uma família da pequena nobreza.

O casamento secreto do rei enfureceu o Conde de Warwick, pelo fato de que enquanto ele negociava com o rei francês, Eduardo IV casava-se e pelo fato de que o casamento do rei com os Woodville marcava a ascensão dessa família na nobreza inglesa. Assim, progressivamente, o Conde de Warwick passou a afastar-se do rei.

O afastamento de Warwick do rei fez com que ele se aliasse aos Lancaster, em 1469, e com isso conseguiu, inclusive, convencer o irmão do rei – Jorge Plantageneta – a se aliar com os Lancaster. No ano seguinte, em 1470, Warwick liderou uma força militar que invadiu a Inglaterra, derrotou Eduardo IV, forçando-o a fugir e, então, restaurou Henrique VI no trono inglês.

Eduardo IV refugiou-se na Borgonha e contou com o apoio de seu cunhado, Carlos, duque da Borgonha. Eduardo IV, então, retornou à Inglaterra e reconquistou o trono fazendo de Henrique VI, mais uma vez,o seu prisioneiro. Com a restauração de Eduardo IV novas batalhas seguiram-se. Em abril de 1471, na Batalha de Barnet, o Conde de Warwick foi morto e em maio de 1471, os York derrotaram os Lancaster definitivamente na Batalha de Tewkesbury.

Durante esses acontecimentos, o filho de Henrique VI, Eduardo de Westminster, morreu em batalha e Henrique VI acabou sendo executado por ordem de Eduardo IV.

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Como terminou a Guerra das Duas Rosas?

Ricardo III usurpou o trono do herdeiro de Eduardo IV e foi rei da Inglaterra entre 1483 e 1485.*
Ricardo III usurpou o trono do herdeiro de Eduardo IV e foi rei da Inglaterra entre 1483 e 1485.*

Depois da vitória em Tewkesbury, Eduardo IV reinou sobre a Inglaterra até 1483. Nesse ano, Eduardo IV morreu por razões desconhecidas e a sucessão foi transmitida para seu filho que ficou conhecido como Eduardo V. Acontece que Ricardo, duque de Gloucester, foi nomeado como Lorde Protetor, porque Eduardo era uma criança.

O duque de Gloucester, porém, voltou-se contra seu sobrinho, prendeu-o junto de seu irmão e conseguiu a declaração de que o casamento de Eduardo IV e seus filhos eram ilegítimos. Assim, o duque de Gloucester ascendeu ao trono como Ricardo III, em 1483. Tempos depois, os dois filhos de Eduardo IV desapareceram misteriosamente e suspeita-se que tenham sido assassinados a mando de Ricardo III.

Henrique Tudor, derrotou Ricardo III na Batalha de Bosworth Field e tornou-se Henrique VII.*
Henrique Tudor, derrotou Ricardo III na Batalha de Bosworth Field e tornou-se Henrique VII.*

Durante o reinado de Ricardo III, o nome de Henrique Tudor, descendente dos Lancaster, começou a ser veiculado como alternativa para assumir o trono inglês. Henrique Tudor angariou forças e conduziu uma invasão da Inglaterra, em 1485. Na Batalha de Bosworth Field, Ricardo III foi morto e Henrique Tudor ascendeu ao trono inglês, sendo coroado Henrique VII.

Com a vitória de Tudor, a dinastia York perdeu o poder e os Lancaster novamente assumiram o trono na Inglaterra. Para pôr fim aos conflitos entre as famílias, Henrique VII casou-se com Elizabeth de York, filha de Eduardo IV, e isso marcou o início da dinastia dos Tudor.

 

*Créditos da imagem: Sergey Goryachev e Shutterstock

A Guerra das Rosas colocou as famílias Lancaster e York em disputa pelo trono da Inglaterra. A Guerra das Rosas colocou as famílias Lancaster e York em disputa pelo trono da Inglaterra.
Por Daniel Neves Silva

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