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Antítese

A antítese é uma figura de linguagem que ocorre quando há uma oposição entre palavras e frases em um texto para reforçar uma ideia.

Máscaras de tragédia e de comédia como representação da antítese, uma figura de linguagem que lida com a oposição. A antítese é uma figura de linguagem que lida com a oposição.

A antítese é uma figura de linguagem que ocorre quando há a contraposição de palavras ou frases que expressem ideias opostas, mas não se excluem, e sim reforçam-se. Ela costuma usar dualidades clássicas, como dia e noite, amor e ódio, bem e mal etc.

Leia também: Eufemismo — a figura de linguagem usada para suavizar e amenizar uma expressão

Resumo sobre antítese

  • A antítese é uma figura de linguagem que usa palavras ou frases opostas.
  • Especificamente, ela é uma figura de pensamento.
  • Costuma usar dualidades, como amor e ódio.
  • É muito confundida com o paradoxo, mas, no paradoxo, as ideias não são apenas opostas como também contraditórias.

O que é antítese?

A antítese é uma figura de linguagem que ocorre quando há a contraposição de palavras ou frases que expressem ideias opostas, mas não se excluem, e, sim, reforçam-se. Ela costuma usar dualidades clássicas na literatura, como nascimento e morte, dia e noite, luz e escuro, amor e ódio, bem e mal etc. A antítese faz parte do grupo das figuras de pensamento, pois seu uso manipula as ideias expressas em um texto.

Exemplos de antítese em frases

  • Exemplo 1:

“Amigos e inimigos estão, amiúde, em posições trocadas. Uns nos querem mal, e fazem-nos bem. Outros nos almejam o bem, e nos trazem o mal.” (Rui Barbosa)|1|

No trecho, explora-se a antítese entre amigos e inimigos para reforçar a ideia de que, no fim, só sabemos quem quer bem ou mal pelas atitudes.

  • Exemplo 2:

“Maior amor nem mais estranho existe
que o meu — que não sossega a coisa amada
e, quando a sente alegre, fica triste,
e, se a vê contente, dá risada…”
(Vinicius de Moraes)|2|

No poema “Soneto do amor maior”, o eu lírico usa a antítese entre o amor e sua estranheza para explicar as sensações de tristeza e alegria definidas pelo estado emocional de sua amada.

  • Exemplo 3:

“Gastei  trinta  dias  para  ir do  Rocio Grande  ao coração  de Marcela, não já cavalgando  o  corcel  do  cego  desejo,  mas  o  asno  da  paciência,  a  um  tempo manhoso  e teimoso.” (Machado de Assis)|3|

Nesse trecho do romance Memórias póstumas de Brás Cubas, o narrador mostra a mudança de sua motivação. Antes, era guiado pelo “cego desejo” e, agora, de forma antitética, é guiado pelo “asno da paciência”.

Diferenças entre antítese e paradoxo

A antítese e o paradoxo lidam com oposições, mas de formas diferentes. Tanto a antítese quanto o paradoxo são figuras de linguagem do grupo das figuras do pensamento, pois manipulam as ideias que são expressas. A antítese ocorre quando palavras ou frases expressam ideias opostas, mas que não se excluem, de modo que, mesmo que se liguem a elementos opostos, fazem sentido juntas. Por outro lado, o paradoxo ocorre quando as ideias são mais que opostas, são totalmente contraditórias. Abaixo, temos exemplos dessas duas figuras.

  • Exemplo 1:

“Amor é um fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói e não se sente;
é um contentamento descontente,
é dor que desatina sem doer.

É um não querer mais que bem querer;
é um andar solitário entre a gente;
é um nunca contentar-se de contente;
é um cuidar que ganha em se perder.

É um querer estar preso por vontade;
é servir a quem vence, o vencedor;
é ter com quem nos mata, lealdade.

Mas como causar pode seu favor
nos corações humanos amizade,
se tão contrário a si é o mesmo Amor?”

No soneto “Amor é fogo que arde sem se ver”|4|, de Luís Vaz de Camões, temos um exemplo clássico de paradoxo. O amor é definido por meio de paradoxos, como as contradições “um fogo que arde sem se ver” ou uma “ferida que dói e não se sente”.

  • Exemplo 2:

“Eu quero a estrela da manhã
Onde está a estrela da manhã?
Meus amigos meus inimigos
Procurem a estrela da manhã
(...)

Três dias e três noites
Fui assassino e suicida
Ladrão, pulha, falsário
(...)”

Nesse trecho do poema “A estrela da manhã”|5|, de Manuel Bandeira, podemos ver as duas figuras em ação. Quando o eu lírico pede ajuda para encontrar sua amada “estrela da manhã”, chama tanto amigos como inimigos. Isso representa uma antítese, uma vez que os termos são opostos, mas sua junção reforça a mesma ideia de que se deve chamar todos. Contudo, quando a voz do poema se descreve como “assassino e suicida”, ocorre um paradoxo, pois as ideias são contraditórias.

Outras figuras de linguagem

As figuras de linguagem são formas de expressão em um texto que podem gerar diversos efeitos. Elas são divididas em figuras de palavras/semânticas, de sintaxe, de pensamento e de som. E vão além do sentido original e denotativo do discurso.

Alguns exemplos de figuras de linguagem são:

Veja também: Anáfora — a figura de linguagem usada para retomar algo já dito

Exercícios resolvidos sobre antítese

Questão 1

A alternativa que contém uma antítese é:

A) Matei minha mãe de susto.

B) Embarquei às 7 horas.

C) Em São Paulo, mesmo o inverno é quente.

D) Ele tem um ego do tamanho do mundo.

E) Como cantora, ela é uma ótima médica.

Resolução:

Alternativa C

Há antítese na oposição entre o inverno e a temperatura quente.

Questão 2

(Vunesp) No trecho: “…dão um jeito de mudar o mínimo para continuar mandando o máximo”, a figura de linguagem presente é chamada:

A) metáfora

B) hipérbole

C) hipérbato

D) anáfora

E) antítese

Resolução:

Alternativa E

A antítese ocorre na oposição entre os termos “mínimo” e “máximo”.

Questão 3

(Mackenzie) Nos versos abaixo, uma figura se ergue graças ao conflito de duas visões antagônicas:

Saio do hotel com quatro olhos,
Dois do presente,
Dois do passado.

Esta figura de linguagem recebe o nome de:

A) metonímia

B) catacrese

C) hipérbole

D) antítese

E) hipérbato

Resolução:

Alternativa D

A antítese pode ser observada na oposição entre “Dois do presente” e “Dois do passado”.

Notas

|1| In: ROCHA LIMA. Gramática normativa da língua portuguesa. Rio De Janeiro: José Olympio Editora, 2017.

|2| In: GOMES, M. M. Análise do discurso literário: o dialogismo, a polifonia e a antítese na formação de figuras femininas em “Grande sertão: veredas” de Guimarães Rosa. 2008. 65 f. Dissertação (Mestrado em Letras) - Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2008.

|3| In: FIORIN, J. L. As figuras de pensamento: estratégia do enunciador para persuadir o enunciatário. ALFA: Revista de Linguística, São Paulo, v. 32, 2001. Disponível em: https://periodicos.fclar.unesp.br/alfa/article/view/3798.

|4| In: FIORIN, J. L. As figuras de pensamento: estratégia do enunciador para persuadir o enunciatário. ALFA: Revista de Linguística, São Paulo, v. 32, 2001. Disponível em: https://periodicos.fclar.unesp.br/alfa/article/view/3798.

|5| BANDEIRA, M. Estrela da Manhã. São Paulo: Global Editora, 2019.

Fontes

BANDEIRA, M. Estrela da Manhã. São Paulo: Global Editora, 2019.

FIORIN, J. L. As figuras de pensamento: estratégia do enunciador para persuadir o enunciatário. ALFA: Revista de Linguística, São Paulo, v. 32, 2001. Disponível em: https://periodicos.fclar.unesp.br/alfa/article/view/3798.

GOMES, M. M. Análise do discurso literário: o dialogismo, a polifonia e a antítese na formação de figuras femininas em “Grande sertão: veredas” de Guimarães Rosa. 2008. 65 f. Dissertação (Mestrado em Letras) - Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2008.

ROCHA LIMA. Gramática normativa da língua portuguesa. Rio De Janeiro: José Olympio Editora, 2017.

Por Luiza Pezzotti Pugles

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