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Coronelismo

O coronelismo foi uma prática política na qual um coronel, geralmente um fazendeiro, exercia poder político, econômico e militar sobre determinada região rural.

Jagunços armados em texto sobre coronelismo. Os jagunços constituíam a força militar que atuava de forma violenta sob a direção dos coronéis.[1]

Coronelismo foi uma prática política em que os coronéis, através de um sistema de alianças políticas, formavam a base da política nacional. O coronel era geralmente um grande fazendeiro, um comerciante ou até mesmo um sacerdote da Igreja Católica.

O coronelismo se tornou um importante mecanismo na política nacional a partir de 1889, após a Proclamação da República. Os coronéis passaram a dominar a burocracia municipal e os recursos públicos destinados à sua região. Além disso, os coronéis possuíam força militar, alguns deles chegando a ter mais de 1.000 jagunços, maneira pela qual seus capangas armados eram chamados.

Leia também: O que foi o cangaço?

Resumo sobre coronelismo

  • O coronelismo foi uma prática política base do sistema político brasileiro durante a Primeira República (1889-1930).

  • O coronel controlava seu curral eleitoral através da troca de favores ou do medo.

  • Durante a Primeira República o voto não era secreto, o que possibilitou o chamado voto de cabresto, sistema importante para o coronelismo.

  • Os coronéis estabeleciam alianças políticas e elegiam governadores, deputados estaduais e federais, senadores e até mesmo o presidente da República.

  • O coronel Horácio de Matos, da Bahia, teve uma força militar composta por 2.600 homens.

O que foi o coronelismo?

O coronelismo foi uma prática de poder por meio da qual o coronel, um latifundiário ou grande comerciante, detinha grande poder político na região onde residia, exercendo autoridade sobre a população da região e, muitas vezes, representando a justiça no local. O coronel possuía poder político, ocupando cargos públicos no município, nomeando diversos funcionários públicos e controlando o erário.

O poder dos coronéis

Os coronéis se mantinham no poder através de dois mecanismos, sendo o primeiro através da realização de favores para as pessoas. O coronel podia empregar uma pessoa em cargos públicos ou em sua fazenda, realizar doações de alimentos, de remédios ou dinheiro. Outro mecanismo era o medo: através de seus jagunços os coronéis ameaçavam, praticavam violência e até mesmo assassinavam aqueles que não respeitavam a autoridade do coronel e de seu grupo político.

Essas comunidades, submetidas à autoridade do coronel, são chamadas de “currais eleitorais”. O coronelismo foi muito forte durante a Primeira República, momento no qual o voto era aberto, ou seja, o eleitor escrevia em um livro o nome do candidato no qual votava. Isso favorecia os coronéis que obrigavam seus currais eleitorais a votar neles ou em quem indicavam. Essa prática foi chamada de “voto de cabresto”. O cabresto é um objeto utilizado na cabeça do cavalo ou burro para que o animal siga as ordens do cavaleiro, que conduz o animal puxando as rédeas que estão atreladas ao cabresto.

Além do poder econômico e político os coronéis tinham poder militar, utilizando as forças públicas em benefício próprio e possuindo diversos jagunços, capangas armados que prestam serviços para eles. Muitas vezes coronéis entraram em conflito por disputa de terras e poder, sendo o período de vigência do coronelismo marcado por grande violência nas áreas rurais do Brasil.

Muitos jagunços se tornaram cangaceiros, como Lampião. Ele foi jagunço de um coronel que foi assassinado por jagunços de outro coronel. Alguns historiadores afirmam que ele criou seu grupo de cangaceiros para vingar a morte do antigo patrão.

Veja também: Tenentismo — movimento que se opôs às oligarquias que controlavam a política brasileira

Origem do coronelismo

O poder local dos coronéis já era forte no Brasil desde a Independência. No período regencial, com a aprovação do Ato Adicional de 1834, que deu poderes para estados e municípios, os coronéis se fortaleceram em diversas regiões do Brasil. Foi ainda no período regencial que o termo “coronel” passou a ser utilizado.

Em 1831 foi criada a Guarda Nacional, uma espécie de milícia convocada pelo Estado quando houvesse necessidade e comandada regionalmente por um “coronel” que geralmente era um grande latifundiário.

Com a Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, os coronéis se tornaram o principal grupo político do país. A República exigia prefeitos, vereadores, cartórios e diversas repartições públicas nos municípios de todo o Brasil. Os coronéis passaram a controlar as burocracias municipais, fazendo alianças estaduais que elegiam o presidente da República.

Na Primeira República, os dois principais partidos políticos do Brasil eram o Partido Republicano Paulista e o Partido Republicano Mineiro. Esses dois partidos eram compostos por grandes latifundiários dos dois estados. Um acordo político entre os dois partidos, conhecido como Política do Café com Leite, fez com que presidentes dos dois partidos se revezassem no poder durante toda a Primeira República.

Principais características do coronelismo

A primeira característica do coronelismo é a de ser um fenômeno rural. A ausência de agentes do Estado facilitou o favorecimento dos coronéis. O coronel era um grande fazendeiro, pecuarista ou comerciante, pertencente a uma família “tradicional”, ou seja, que possuía poder político na região há muito tempo.

Outra característica do coronelismo é o uso dos recursos públicos em benefício político e econômico do coronel e de sua família. Em troca de voto, por exemplo, o coronel podia nomear uma pessoa em um cargo público ou realizar “doações” de alimentos e remédios que eram, na verdade, comprados com recursos públicos.

Na imagem, o poder dos coronéis Horácio de Matos e Castelo Branco na Bahia, que possuíam mais tropas do que o Estado.[2]

Outra característica do coronelismo foi o uso da violência. Onde as leis não eram respeitadas e as autoridades federais não estavam presentes, a lei do mais forte imperou. Para impor sua autoridade sobre os outros coronéis houve o aumento do número de jagunços contratados, assim como aumentou o do poder de fogo deles. Diversos conflitos entre coronéis ocorreram.

O coronelismo também foi marcado pela violência dos coronéis contra camponeses, populações tradicionais, contra os trabalhadores de suas propriedades e a perseguição a todos aqueles que não se encaixavam no sistema coronelista e não aceitavam a autoridade do coronel.

Coronelismo e o voto de cabresto

Na Primeira República o voto não era secreto como é atualmente. O eleitor ia até a zona eleitoral, local onde escrevia em um livro o nome do candidato no qual votava, assinando seu nome na sequência. A ideia da criação de tal sistema era o de tornar transparente o processo eleitoral, com os próprios cidadãos fiscalizando o processo eleitoral. Mas, na prática, o sistema fortaleceu o poder dos coronéis que exerciam pressão sobre os eleitores.

Saiba mais: Guerra de Canudos — conflito motivado pela insatisfação dos coronéis com a figura de Antônio Conselheiro

Coronelismo atualmente

Muitos autores defendem que ainda existem no Brasil diversas práticas que eram comuns no coronelismo. O mundialmente conhecido “jeitinho brasileiro”, prática comum no Brasil atual, também era uma das práticas fundamentais do coronelismo. Na atualidade, uma pessoa que conhece um político e passa na frente da fila de agendamento de consulta médica do município é um exemplo do “jeitinho brasileiro”.

Atualmente, no interior do país existem diversos fazendeiros e pecuaristas que possuem pequenos exércitos de homens armados prestando serviço para eles. Ainda hoje, em muitos municípios do país famílias se perpetuam no poder local há décadas, na maioria das vezes utilizando o bem público em benefício próprio. Essas práticas favorecem a corrupção e a piora dos serviços públicos.

Créditos das imagens

[1] Wikimedia Commons

[2] FGV CPDOC

Fontes

FERREIRA, Jorge. O Brasil republicano: o tempo do liberalismo oligárquico – Da Proclamação da República à Revolução de 1930. Editora Civilização Brasileira, São Paulo, 2018.

LEAL, Victor Nunes. Coronelismo, enxada e voto. Companhia das Letras, São Paulo, 2012.

SANTOS, Samuel Martins. Paradoxo da República do Brasil – Entre ordem jurídica e identidade nacional. Juruá Editora, Curitiba, 2008.

Por Jair Messias Ferreira Junior

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