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O que é totalitarismo?

O totalitarismo é um regime de governo extremamente autoritário em que o governante e seu partido exercem controle na vida pública e privada das pessoas.

Membros da SS, organização paramilitar ligada ao partido nazista, marchando em formação. O nazismo foi um regime totalitário.[1] Membros da SS, organização paramilitar ligada ao partido nazista, marchando em formação. O nazismo foi um regime totalitário.[1]

O totalitarismo foi um regime de governo adotado, após o fim da Primeira Guerra Mundial, na Alemanha, União Soviética e Itália. Após o conflito mundial, muitas pessoas na Europa passaram a duvidar da democracia e a apoiar líderes e partidos que tinham propostas totalitárias.

Nos regimes totalitários, o ditador, apoiado por um partido político e pelas forças armadas, controla toda a vida social do país, impondo censura, violenta perseguição aos opositores e controlando a vida pública e privadas das pessoas.

Leia também: Adolf Hitler — o líder do regime totalitário que surgiu na Alemanha

Resumo sobre totalitarismo

  • O totalitarismo é um regime político caracterizado pelo total controle do governo sobre a vida dos indivíduos.
  • Nazismo, stalinismo e o fascismo foram regimes totalitários.
  • Nos regimes totalitários, apenas um partido era permitido, não podendo haver oposição.
  • Hanna Arendt, judia alemã perseguida pelo nazismo, foi uma das principais estudiosas do totalitarismo.
  • O Brasil já teve governos autoritários, mas nunca um governo totalitário.
  • No totalitarismo alemão, todas as crianças deveriam estudar em escolas nazistas, todas as pessoas deveriam participar de instituições do partido.
  • Regimes totalitários contam com grande efetivo militar e serviços secretos que espionam a própria população.

Qual a origem do totalitarismo?

Os regimes totalitários surgiram após o fim da Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Após a guerra, parte da população europeia passou a desacreditar na democracia e a defender que ela não era capaz de manter a paz e a qualidade de vida.

Nesse contexto, movimentos de extrema-direita e de extrema-esquerda passaram a ganhar força em diversos países. Nesse período ocorreram tentativas de golpe de Estado, com objetivo de derrubar os governos democráticos pós-guerra, praticados por movimentos de esquerda e de direita, como no caso da Alemanha.

Na União Soviética, o totalitarismo começou a ser implementando na década de 1920, quando o Secretário-Geral do Partido Comunista, Josef Stalin, criou diversos órgãos para controlar o governo e a sociedade soviética.

Na Itália, o fascismo chegou ao poder em 1922, depois que Benito Mussolini entrou em Roma acompanhado dos membros do seu partido, na Marcha sobre Roma.

Na Alemanha, o Partido Nazista chegou ao poder em 1933, quando Adolf Hitler foi eleito chanceler do país por meio do voto direto.

Principais características do totalitarismo

  • Descrença na democracia. Os regimes totalitários se originaram nas ruínas da democracia pós-Primeira Guerra Mundial. Os líderes totalitários defendiam que as democracias não funcionavam e que o povo era facilmente manipulado e controlado por elites econômicas e políticas.
  • Unipartidarismo. Todos os regimes totalitários foram unipartidários, ou seja, permitiaram apenas um partido. Em uma democracia, o governo lida com membros da oposição, que fazem críticas ao governo, o que é democrático. Em um regime totalitário, não é possível fazer críticas ao governo e ao partido.
  • Propaganda e censura. No regime totalitário, a censura é imposta a todos os meios de comunicação, produções artísticas, jornais etc. A informação é controlada pelo Estado e seus veículos de comunicação oficial. A propaganda do grande líder e do partido também é amplamente divulgada pelo regime. Nessas propagandas, são anunciados os grandes feitos do governo, as grandes vitórias dele contra os inimigos e as grande obras do ditador que governa o país.
  • Militarização da sociedade. O controle da população e dos grupos opositores só pode ser realizado pela força. Por esse motivo, os regimes totalitários possuem grandes exércitos, forças policiais e paramilitares. Essas forças seguem rígida hierarquia, e, no topo, está o partido e seu líder máximo. Nas escolas, as crianças são tratadas como pequenos soldados, utilizando uniformes, marchando e aprendendo a ideologia do partido. O serviço militar é obrigatório nos países totalitários, e boa parte da população pertence às forças armadas.
  • Culto ao líder. Nos regimes totalitários, o líder se torna um semideus, um super-humano que sabe com exatidão como deve guiar o povo e o país. Stalin, na União Soviética, Hitler, na Alemanha, e Mussolini, na Itália, foram líderes totalitários. Nas escolas, as crianças aprendem sobre a vida do grande líder e sobre seu passado idealizado.
  • Violenta repressão aos opositores. A oposição não pode existir nos regimes totalitários, e todos os membros de grupos contrários são perseguidos, presos, mortos em campos de concentração ou executados sumariamente. Todos os regimes totalitários tiveram polícias secretas, que se infiltravam em igrejas, associações de trabalhadores, de estudantes e em outras entidades. Esses agentes secretos têm o objetivo identificar e delatar os opositores do governo, considerados traidores da pátria.
  • Controle da vida privada. Em regimes totalitários, as pessoas são obrigadas a matricular seus filhos em escolas mantidas pelo partido, a servir às forças armadas e a participar de suas instituições. Também são obrigadas a participar de cerimônias, reuniões, assembleias, cursos de formação ideológica, entre outros.
  • Inimigos externos e internos. Os inimigos externos são largamente divulgados na mídia oficial dos regimes totalitários, fossem os judeus e comunistas, na Alemanha Nazista ou na Itália Fascista, fosse a burguesia internacional, na União Soviética. Além do inimigo externo, há o inimigo interno, que, na propaganda totalitária, pratica espionagem, sabotagem e outros atos contra o governo, sendo geralmente um colaborador do inimigo externo. Essa tática mantém a população com medo e, dessa forma, sob controle.

Leia também: Josef Stalin — o líder do regime totalitário que se instalou na União Soviética

Exemplos de regimes totalitários

Três exemplos de regimes totalitários foram:

  • stalinismo, na União Soviética;
  • nazismo, na Alemanha;
  • fascismo, na Itália.
  • Stalinismo

Em 1917, em meio à Primeira Guerra Mundial, ocorreu uma revolução na Rússia que levou ao poder os membros do Partido Comunista. Eles tornaram a Rússia o primeiro país socialista do mundo, que logo se transformou em uma ditadura.

Após a morte do líder da revolução, Vladimir Lenin, Josef Stalin se tornou o líder máximo da Rússia, que havia se unido a outros países e se tornado a União Soviética. Durante o stalinismo, milhões de pessoas foram perseguidas, muitas delas mortas por serem consideradas opositoras do governo. Na Ucrânia, por exemplo, Stalin provocou o Holodomor, o genocídio de milhões de ucranianos pela fome. Para saber mais sobre o stalinismo, clique aqui.

Benito Mussolini e Adolf Hitler em desfile durante a Segunda Guerra Mundial.
Benito Mussolini e Adolf Hitler em desfile durante a Segunda Guerra Mundial.
  • Fascismo

Na Itália, após o fim da Primeira Guerra Mundial, Benito Mussolini, um editor de um jornal, passou a ganhar destaque na política. Ele criou o Partido Fascista e passou a eliminar os opositores, tornando a Itália um país totalitário. Durante a Segunda Guerra Mundial, a Itália se uniu à Alemanha Nazista, fazendo parte do Eixo. Para saber mais sobre o fascismo italiano, clique aqui.

  • Nazismo

A Alemanha foi a grande derrotada na Primeira Guerra Mundial e foi humilhada por um tratado imposto a ela pelos vencedores, o Tratado de Versalhes. Após uma grave crise econômica que se iniciou em 1929, o Partido Nazista foi o grande vencedor das eleições e Hitler se tornou o governante do país.

No poder, Hitler passou a perseguir os considerados opositores do governo, entre eles judeus e membros de partidos de esquerda. Durante o governo de Hitler, a Alemanha iniciou uma política imperialista, levando o mundo a uma nova guerra. Durante o conflito, cerca de seis milhões de judeus foram assassinados pelos nazistas nas câmaras de gás dos campos de extermínio. Para saber mais sobre o nazismo, clique aqui.

Totalitarismo e autoritarismo

Muitas pessoas possuem dificuldades para compreender as diferenças entre um regime autoritário e um regime totalitário. Resumidamente, o regime autoritário limita a vida pública, as liberdades individuais e os direitos políticos dos cidadãos.

No regime totalitário, além de controlar esses aspectos da vida, o Estado controla a vida privada das pessoas, controlando o social, o profissional, o religioso, entre diversos aspectos da vida cotidiana.

Totalitarismo no Brasil

O Brasil nunca teve um regime totalitário, mas enfrentou alguns governos autoritários, como o Estado Novo, no qual Getúlio Vargas foi o ditador, e a Ditadura Civil-Militar, na qual membros das Forças Armadas governaram o Brasil por duas décadas. Durante esses períodos autoritários, houve censura no Brasil assim como forte propaganda de massas do governo e perseguições aos opositores.

Nesses períodos autoritários, as eleições diretas para presidente foram suspensas, o Congresso Nacional foi temporariamente fechado, e o Poder Executivo teve supremacia sobre os demais poderes.

Totalitarismo e filosofia

Hanna Arendt, estudiosa do totalitarismo, em fotografia de 1958.[2]
Hanna Arendt, estudiosa do totalitarismo, em fotografia de 1958.[2]

A primeira filósofa a estudar o totalitarismo foi Hannah Arendt. Ela foi vítima do nazismo por ser judia e foi aprisionada durante a ocupação da França. Ela conseguiu fugir da prisão e chegar aos Estados Unidos, onde se afastou do perigo nazista.

No seu livro Origens do totalitarismo, Arendt defendeu que o totalitarismo e o antissemitismo eram frutos do medo e do ódio, dois sentimentos que levam a maior parte da sociedade a apoiar regimes totalitários.

Créditos das imagens

[1]Everett Collection / Shutterstock

[2]Wikimedia Commons

Fontes

ARENDT, Hannah. Origens do totalitarismo. Companhia das Letras, São Paulo, 2013.

PAOLIELLO, Guilherme. Raízes do totalitarismo. Editora Danúbio, São Vicente, 2021.

Por Jair Messias Ferreira Junior

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