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Toyotismo

O toyotismo foi desenvolvido e implementado no Japão na segunda metade do século XX. É caracterizado pela ausência de estoques e pela produção realizada conforme a demanda.

Máquinas montando automóvel em fábrica, uma característica do toyotismo. O toyotismo é um modelo de produção caracterizado pelo sistema just in time e pelo emprego de novas tecnologias no processo produtivo.

Toyotismo é um modelo de produção industrial desenvolvido no Japão na segunda metade do século XX. Desenvolvido pelo engenheiro Taiichi Ohno e Eiji Toyoda, o toyotismo se adaptava ao contexto espacial e socioeconômico japonês do período, e foi implementado inicialmente em uma fábrica da Toyota nos anos 1970.

Caracteriza-se pela ausência de estoques, pela flexibilização produtiva e pelo ritmo de produção que segue a demanda pelo produto, sistema que ficou conhecido como just in time. A obtenção de resultados positivos fez com que o toyotismo fosse adotado amplamente pelo mundo, sendo, ainda hoje, um modelo bastante utilizado nas empresas.

Leia também: Terceira Revolução Industrial — o aprimoramento de técnicas no campo da indústria

Resumo sobre toyotismo

  • Toyotismo é um modelo de produção industrial desenvolvido no Japão na segunda metade do século XX. É chamado também de modelo de produção flexível.

  • Foi implementado pela primeira vez em uma das fábricas da Toyota na década de 1970.

  • A ausência de estoques de matérias-primas e mercadorias, a flexibilização do trabalho, a presença de trabalhadores multitarefas e a produção conforme a demanda (just in time) são as principais características do toyotismo.

  • Tem como vantagem a maior eficácia na produção e a redução dos custos com a manutenção dos estoques, além da adoção de inovações tecnológicas no processo produtivo.

  • A redução dos postos de trabalho no interior das fábricas e o desemprego estrutural são as desvantagens do toyotismo.

Videoaula sobre o toyotismo

O que é o toyotismo?

O toyotismo é um modelo de produção industrial desenvolvido e implementado no Japão na segunda metade do século XX e que tem ganhado cada vez mais espaço nas indústrias ao redor do mundo. Recebeu esse nome por ter sido adotado pela primeira vez em uma das fábricas da montadora de veículos Toyota, famosa empresa transnacional japonesa.

O toyotismo foi implementado em uma fábrica da Toyota no Japão, na segunda metade do século XX. [1]

A criação do toyotismo é atribuída ao engenheiro Taiichi Ohno (1912–1990), que trabalhou na Toyota durante parte da sua vida. Devido às suas principais características, que conheceremos logo a seguir, o toyotismo pode ser chamado também de modelo de produção flexível.

Principais características do toyotismo

O toyotismo é conhecido pela grande flexibilização do processo de produção e da organização do trabalho. A lógica produtiva japonesa surgiu em um momento de grande avanço tecnológico no mundo, que caracteriza a recente fase da globalização, o que proporcionou a adoção de maquinários modernos e técnicas produtivas avançadas no interior das fábricas e montadoras de veículos.

Maior conexão global entre os diferentes territórios e o rápido crescimento da presença das empresas transnacionais em todas as regiões do planeta marcaram ainda o que chamamos de desintegração vertical da produção, característica do toyotismo. Isso significa, por exemplo, que um veículo não era necessariamente produzido em uma só fábrica. Enquanto uma unidade desenvolvia as suas peças, outra indústria, que poderia estar situada em uma localidade diferente, era responsável pelo desenvolvimento do motor, a outra fabricava os pneus, e uma quarta empresa ficava a cargo da montagem final.

Outra característica marcante do toyotismo é a ausência de estoques. Diferentemente do taylorismo e do fordismo, no modelo toyotista a produção é realizada de acordo com a demanda por determinado produto. Nesse sistema, a produção é feita em diferentes lotes.

Nem mesmo as matérias-primas são estocadas, mas sim adquiridas na quantidade certa que a produção do momento exige. Para que isso acontecesse, havia uma grande articulação entre os fornecedores dos insumos, as fábricas e os consumidores.|1| O sistema de ausência de estoques e pronto atendimento da demanda ficou conhecido como just in time, que significa “na hora certa”.

No toyotismo, os trabalhadores exercem diversas funções, o que se dá conforme o andamento da produção. Com isso, um mesmo funcionário pode desempenhar diferentes tarefas no interior das fábricas, o que demanda maior qualificação do profissional e, ao mesmo tempo, reduz a força de trabalho necessária.

Leia também: Características do espaço industrial brasileiro

Origem do toyotismo

O modelo toyotista surgiu a partir do esgotamento do fordismo no contexto socioeconômico do Japão na década de 1950, que corresponde ao pós-Segunda Guerra Mundial. Foi nesse período que o engenheiro mecânico Taiichi Ohno (1912–1990) passou a ocupar o cargo de especialista de produção na Toyota, fábrica em que trabalhava havia quase duas décadas.

Taiichi Ohno, um dos criadores do modelo toyotista.
Taiichi Ohno, um dos criadores do modelo toyotista.

Também nos anos 1950, Eiji Toyoda (1913–2013), engenheiro que se tornou presidente da Toyota pouco tempo depois, visitou as fábricas da Ford em Detroit, nos Estados Unidos, e se deu conta da necessidade de alteração no modelo de produção para a realidade japonesa.

O Japão é um país insular com pequena extensão territorial, bastante dependente da importação de produtos finalizados e insumos para a produção. Além disso, a sua população é menor do que a estadunidense, o que significa um mercado consumidor reduzido. Os grandes estoques característicos do fordismo não eram próprios para esse contexto. Assim, Ohno e Toyoda colaboraram na elaboração da lógica toyotista de produção, conhecida também como just in time.

A implementação desse novo modelo de produção industrial aconteceu na década de 1970, e seus efeitos foram muito positivos no que diz respeito à produtividade e aos lucros da empresa. Em função disso, o toyotismo passou a ser adotado em outras empresas ao redor do mundo.

Mudanças causadas pelo toyotismo

O toyotismo introduziu inovações importantes na produção industrial e no trabalho, muitas das quais são utilizadas até hoje nas empresas e fábricas ao redor do mundo. Veja as principais mudanças causadas pelo modelo toyotista:

  • fim dos grandes estoques;

  • atendimento imediato da demanda mediante a produção por lotes;

  • trabalhadores multifuncionais;

  • incorporação de tecnologia em todo o processo produtivo;

  • controle de qualidade em todas as etapas da produção.

Vantagens e desvantagens do toyotismo

As vantagens do modelo toyotista estão atreladas ao processo de produção e à comercialização dos produtos finais. São elas:

  • redução dos custos produtivos com o fim dos estoques e maior integração entre as cadeias produtivas, a produção propriamente dita e a demanda;

  • adequação dos produtos às necessidades dos consumidores, com grande capacidade de personalização e oferta diversificada de mercadorias;

  • produtos de alta qualidade em função do rígido controle realizado durante todo o processo;

  • maior produtividade e eficácia da produção, reduzindo o desperdício de insumos;

  • maior número de trabalhadores qualificados e aptos a atuarem em diversas funções.

As desvantagens do toyotismo recaem, em sua maioria, sobre a mão de obra:

  • aumento do desemprego causado pela redução dos postos de trabalho no interior das fábricas, o que leva a um crescimento do trabalho informal;

  • desemprego estrutural gerado pelo uso de novas tecnologias na produção;

  • maior terceirização do trabalho e da produção;

  • necessidade de aquisição constante de matérias-primas e insumos.

Quais são as diferenças entre toyotismo, fordismo e taylorismo?

O quadro comparativo a seguir indica as principais diferenças entre o toyotismo e os dois modelos de produção anteriores a ele: o taylorismo, datado do século XIX, e o fordismo, desenvolvido na primeira metade do século XX.

Toyotismo

Fordismo

Taylorismo

Ausência de estoques.

Formação de estoques.

Formação de estoques.

Trabalho segue o ritmo da demanda.

Trabalho segue o ritmo da esteira de produção presente na linha de montagem.

Trabalho imposto verticalmente e conforme o rendimento do funcionário.

Produção em lotes.

Produção em massa.

Produção em massa.

Trabalhadores multitarefas, podendo atuar em diversas funções.

Trabalhadores especializados e atuantes em uma única função.

Trabalhadores atuantes em uma única função ou tarefa.

Controle de qualidade realizado durante todas as etapas da produção.

Controle de qualidade realizado ao final da produção.

Controle de qualidade realizado ao final da produção.

Exercícios resolvidos sobre toyotismo

Questão 1

(Enem 2020) “O toyotismo, a partir dos anos 1970, teve grande impacto no mundo ocidental, quando se mostrou para os países avançados como uma opção possível para a superação de uma crise de acumulação.”

(ANTUNES, R. Os sentidos do trabalho: ensaio sobre a afirmação e a negação do trabalho. São Paulo: Boitempo. 2009. Adaptado.)

A característica organizacional do modelo em questão, requerida no contexto de crise, foi o(a)

a) expansão dos grandes estoques.

b) incremento da fabricação em massa.

c) adequação da produção à demanda.

d) aumento da mecanização do trabalho.

e) centralização das etapas de planejamento.

Resolução: Alternativa C.

A adequação da produção à demanda é a principal característica do toyotismo e o aspecto que diferencia esse modelo dos seus antecessores.

Questão 2

(Uerj 2015) Na década de 1970, o modelo produtivo predominante no capitalismo brasileiro era o fordista. Contudo, na publicidade veiculada em 1977, é possível identificar a transição para o modelo produtivo subsequente.

A partir do anúncio publicitário, nota-se que esse novo modelo é caracterizado pela introdução de:

a) consumo de massa

b) linha de montagem

c) fabricação por demanda

d) produção com flexibilidade

Resolução: Alternativa D.

A propaganda mostra a maior flexibilidade na produção, uma característica que é própria do modelo toyotista, sucessor do fordismo.

Notas

|1| LUCCI, Elian Alabi. Território e sociedade no mundo globalizado, 2: ensino médio. São Paulo: Saraiva, 2016, 3 ed., 289p.

Créditos da imagem

[1] ChameleonsEye / Shutterstock

Por Paloma Guitarrara

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