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Revolta da Armada

Revolta da Armada foi um levante armado organizado por membros da Marinha, em 1893. Esse movimento se deu pela forte oposição da Marinha a Floriano Peixoto.

A Revolta da Armada foi uma revolta da Marinha brasileira contra o governo de Floriano Peixoto.[1] A Revolta da Armada foi uma revolta da Marinha brasileira contra o governo de Floriano Peixoto.[1]

A Revolta da Armada, também conhecida como Segunda Revolta da Armada, foi um levante organizado por membros da Marinha brasileira em setembro de 1893. Esse levante se deu pela insatisfação desses membros com o governo de Floriano Peixoto. Foram derrotados em março de 1894.

Leia mais: Proclamação da república – golpe militar que marcou o fim do império no Brasil e o início da república

Resumo sobre Revolta da Armada

  • A década de 1890 foi marcada como um período de consolidação da república e muita briga política.

  • Havia uma forte insatisfação na Marinha brasileira com o governo de Floriano Peixoto.

  • A Marinha já tinha se rebelado uma primeira vez, em 1891, durante o governo de Deodoro da Fonseca.

  • A Marinha também não concordava com a forma como foi lidada a Revolução Federalista.

  • O levante aconteceu em setembro de 1893, houve bombardeios contra o Rio de Janeiro, mas o apoio à Marinha foi baixo e o movimento fracassou, em 1894.

Contexto sobre Revolta da Armada

A Revolta da Armada foi uma das revoltas que aconteceram durante o período de consolidação da república no Brasil. Essa revolta tem relação com as disputas políticas travadas no Brasil nesse período, mas também com uma insatisfação da Armada (a Marinha) com o governo do marechal Floriano Peixoto.

Importante considerarmos que a Armada era um grupo que já havia demonstrado a sua insatisfação com os governos estabelecidos em nosso país após a mudança para o sistema republicano. Durante o governo do marechal Deodoro da Fonseca, ela havia se rebelado quando o presidente decretou o fechamento do Congresso Nacional.

Esse acontecimento é conhecido por muitos como Primeira Revolta da Armada e levou à renúncia de Deodoro da Fonseca. O presidente decidiu renunciar para evitar que uma guerra civil se instalasse no país. Isso deu início à transição do vice para o cargo de presidente.

Pela Constituição brasileira promulgada em 1891, uma nova eleição deveria ser convocada em até dois anos. O vice-presidente Floriano Peixoto assumiu a presidência em uma espécie de acordo político para garantir a estabilidade da república. No entanto, o seu governo contribuiu para aumentar a instabilidade do país.

Floriano Peixoto ficou marcado como um presidente autoritário e que interveio fortemente na política brasileira para garantir sua sustentação no poder. Peixoto nomeou novos presidentes de estados, negociou a suspensão dos trabalhos parlamentares, declarou estado de sítio em 1892, entre outros.

Todos esses acontecimentos reforçaram as disputas políticas e a oposição de membros da Armada contra o presidente. O decreto do estado de sítio, inclusive, foi uma ação do presidente para conter um movimento de oficiais-generais que divulgaram um manifesto contra ele. Esse manifesto reivindicava que o presidente cumprisse o que mandava a Constituição e organizasse uma nova eleição presidencial para o Brasil.

  • Videoaula sobre revoltas na Primeira República

Revolta da Armada

Imagem em preto e branco de Floriano Peixoto.
Alguns membros da Marinha estavam insatisfeitos com o presidente do Brasil Floriano Peixoto.[1]

Uma nova revolta da marinha brasileira tomou força em 1893 e tem muita relação com a Revolução Federalista, guerra civil que acontecia no Sul do país. Nesse conflito, o governo brasileiro apoiava o presidente do estado do Rio Grande do Sul Júlio de Castilhos. Ele lutava contra forças opositoras lideradas por Gumercindo Saraiva, cujo objetivo era derrubar Castilhos.

Acontece que, no curso desse conflito, o presidente autorizou a demissão do almirante Custódio José de Melo do cargo de ministro da Marinha sob a alegação de que havia necessidade em reduzir os custos na luta que era travada no Sul. A demissão causou insatisfação no almirante, que pretendia candidatar-se à presidência. Além disso, ele não concordava com a aliança do governo com Júlio de Castilhos. Daí em diante, a oposição ao governo de Floriano Peixoto cresceu consideravelmente na Marinha, e uma série de questões podem explicá-la:

  • Insatisfação com uma possível desvalorização da Marinha em relação ao Exército;

  • Grande presença de monarquias na Marinha.

A insatisfação da Marinha com o governo de Floriano Peixoto levou ao início da Revolta da Armada, também conhecida como Segunda Revolta da Armada, em 6 de setembro de 1893. As lideranças envolvidas nesse novo levante da Marinha eram o almirante Custódio de Melo, além do almirante Eduardo Wandenkolk e o almirante Luís Filipe Saldanha da Gama.

Os revoltosos da Armada denunciavam a política praticada por Floriano Peixoto, acusando-a de fortalecer as disputas políticas regionais que aconteciam entre as oligarquias brasileiras, sendo que o caso da Revolução Federalista era o mais evidente. Além disso, Floriano Peixoto foi acusado de ter um governo corrupto, e, por fim, havia a mencionada insatisfação com a não convocação de uma eleição presidencial por parte dele e conforme o combinado quando havia assumido a presidência.

Com o início da revolta, embarcações da Marinha foram posicionadas com seus canhões apontados para o Rio de Janeiro, capital do Brasil, e Niterói, capital do estado do Rio de Janeiro. Os rebeldes contavam com uma força de 16 embarcações da Marinha e 14 embarcações civis. No dia 13 de setembro, o bombardeio foi iniciado em Niterói e no Rio de Janeiro.

Com o início dos bombardeios, a capital do Rio de Janeiro precisou ser transferida para Petrópolis. A Revolta da Armada acabou não contando com a adesão popular, uma vez que a população brasileira, em grande parte, apoiava o governo de Floriano Peixoto, e o Exército também não a apoiou.

Houve também combates da Marinha contra tropas do Exército em Niterói, mas os revoltosos da Armada demonstraram não ter capacidade de conquistar o Rio de Janeiro, e o bloqueio que faziam na cidade por mar foi retirado. Assim, eles navegaram para o Sul do Brasil, com o objetivo de se unir aos federalistas que lutavam contra Floriano Peixoto e Júlio de Castilhos, no Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

  • Videoaula sobre Revolução Federalista

Desfecho da Revolta da Armada

Os revoltosos então rumaram para Desterro (atual Florianópolis) e lá procuraram unir-se aos federalistas na luta contra o governo, mas as negociações não deram certo. Por fim, o apoio que o governo de Floriano Peixoto recebeu dos Estados Unidos contribuiu para que a Revolta da Armada fosse derrotada.

O apoio norte-americano a Floriano Peixoto se deu porque embarcações norte-americanas foram naufragadas após serem atacadas pelos revoltosos. Assim, Floriano Peixoto recebeu algumas embarcações projetadas nos Estados Unidos. O fim da Revolta da Armada aconteceu oficialmente em março de 1894.

Com o fim da revolta, Custódio de Melo exilou-se em Buenos Aires e só retornou ao Brasil depois de receber anistia, no governo de Prudente de Morais; Eduardo Wandenkolk foi preso durante a revolta e foi levado para a Fortaleza de Santa Cruz, em Niterói, sendo libertado por anistia, também durante o governo de Prudente de Morais.

Por fim, Saldanha da Gama recebeu asilo do governo português, o que gerou uma crise diplomática entre Brasil e Portugal. Seu asilo acabou não ocorrendo, e ele se juntou aos federalistas na luta contra Floriano Peixoto, morrendo em batalha.

Créditos das imagens

[1] Commons

Por Daniel Neves Silva

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