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Império Carolíngio

O Império Carolíngio foi iniciado com a subida da Dinastia Carolíngia ao poder, em 751, quando Pepino, o Breve foi coroado rei dos francos, povo germânico que se estabeleceu na Gália. A Dinastia Carolíngia existiu até o final do século X, mas o Império Carolíngio dividiu-se em três reinos depois da morte do rei Luís, o Piedoso, em 843.

O principal rei carolíngio foi Carlos Magno, filho de Pepino, o Breve, governando de 768 a 814. Carlos Magno promoveu reformas administrativas, ampliou o poder do rei, estabeleceu os pactos de vassalagem e suserania, e gerou um desenvolvimento cultural em seu reino. Ele também expandiu as fronteiras de seu domínio por meio da guerra.

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O que foi o Império Carolíngio?

Imagem de um ?denier?, a moeda cunhada durante o reinado de Carlos Magno.
Imagem de um “denier”, a moeda cunhada durante o reinado de Carlos Magno.

O Império Carolíngio foi a continuação do Reino dos Francos, mas sob o poder da Dinastia Carolíngia, portanto, foi uma continuidade do reino germânico formada na Gália, no estágio final do Império Romano do Ocidente. Os francos foram o único povo germânico que conseguiu estabelecer um reino de longa duração.

O Império Carolíngio é também uma tentativa de recriação do Império Romano do Ocidente, segundo o entendimento dos historiadores. Isso porque um dos imperadores carolíngios — Carlos Magno — procurou o apoio da Igreja de Roma para reconhecer seu poder, além da expansão das fronteiras de seu império por meio das guerras.

O Império Carolíngio iniciou-se com a coroação de Pepino, o Breve como rei dos francos, em 751, e estendeu-se até o reinado de Luís V, o Indolente, no final do século X. Entretanto, territorialmente, o império fragmentou-se depois do reinado de Luís, o Piedoso, que faleceu em 843. Assim, o domínio dividiu-se em três partes que, futuramente, deram origem ao Reino da França e ao Sacro Império Romano-Germânico.

Surgimento da Dinastia Carolíngia

Com o passar do tempo, o poder dos francos, que se concentrava na figura do rei, migrou para figuras de grande importância na administração do reino: os mordomos do rei, que acumulavam funções importantes, como o controle da arrecadação de impostos.

Como eles tinham muito contato com os nobres, seu poder e influência começou a superar o dos próprios reis. Esse enfraquecimento foi perceptível nos últimos anos da Dinastia Merovíngia, fazendo com que seus reis ficassem conhecidos como indolentes. Essa transição de poder consolidou-se com as guerras travadas entre os francos e os muçulmanos no século VIII.

Um dos mordomos mais influentes da história do Reino dos Francos foi Carlos Martel, principalmente porque ele liderou as tropas francas que lutaram contra a expansão muçulmana na Batalha de Poitiers, em 732. A derrota muçulmana colocou fim na expansão dos muçulmanos pela Europa, e Carlos Martel, mordomo do palácio, ganhou mais influência ainda.

O filho de Carlos Martel, Pepino, o Breve, conseguiu apoio do papa e dos nobres francos para que se tornasse rei. Assim, os merovíngios foram destituídos do poder, e Pepino, o Breve tornou-se rei dos francos em 751. Sua coroação deu início à Dinastia Carolíngia, responsável por expandir as fronteiras dos francos e por tentar recriar o Império Romano do Ocidente.

Alguns historiadores entendem que a Dinastia Carolíngia já se iniciou com Carlos Martel na função de mordomo, mas a maioria considera somente a coroação de Pepino, o Breve como o marco que a inaugurou. Isso porque Carlos Martel, apesar de ser o governante de fato dos francos, nunca foi coroado rei, permanecendo como mordomo por toda vida.

O último rei merovíngio foi Quilderico III, e sua deposição, em 751, foi fruto da aliança de Pepino, o Breve com o papa Zacarias.

Saiba mais: Dinastias do Império Romano – imperadores e características

Reinado de Carlos Magno

Carlos Magno foi o principal rei da Dinastia Carolíngia, reinando de 768 até o ano de sua morte, 814.

Ao todo, o Império Carolíngio possuiu quatro imperadores antes da fragmentação territorial: Pepino, o Breve; Carlomano I; Carlos Magno; e Luís, o Piedoso. Entre eles, o mais conhecido foi Carlos Magno, que governou de 768 a 814, sendo que, de 800 a 814, por ordem da Igreja Católica, ele o fez com o título de Imperador do Ocidente.

O reinado de Carlos Magno foi considerado extremamente bem-sucedido, primeiramente, porque ele realizou a expansão territorial do Reino dos Francos. Além disso, ampliou seu poder sobre os nobres, estabelecendo as relações de vassalagem e suserania; procurou realizar reformas jurídica e monetária; ampliou a burocracia do reino; e fortaleceu a aliança dos francos com a Igreja Católica.

Carlos Magno foi coroado rei dos francos em 768, junto de seu irmão Carlomano I, depois que seu pai, Pepino, o Breve, faleceu. Cada um deles administrava uma porção do reino, mas a morte de Carlomano I, em 771, fez com que seu irmão se tornasse o único rei. Nessa posição, Carlos Magno fez da guerra um caminho para consolidar o seu poder e expandir o seu território.

  • Expansão territorial

O imperador franco realizou diversas campanhas militares ao longo de seu reinado, que só contou com dois anos de paz (790 e 807). As campanhas militares realizadas por Carlos Magno tiveram sempre o apoio da Igreja, sendo isso um resultado da aliança de seu pai com as autoridades eclesiásticas de Roma. Além disso, durante essas campanhas, Carlos Magno ordenou a conversão forçada para o cristianismo daqueles que ele conquistava.

Durante o seu reinado, Carlos Magno conseguiu derrotar o rei dos lombardos e anexar suas terras. Essa guerra foi fruto dos ataques lombardos, um dos povos germânicos que se instalaram nas terras do Império Romano, às terras da Igreja Católica, e, como a Igreja e os francos tinham uma aliança, Carlos Magno foi ao socorro do papa. Além disso, ele lutou contra os saxões, os bretões e contra os ávaros, conquistando regiões como a Saxônia, a Bretanha, a Morávia e a Caríntia.

Ele também lutou contra muçulmanos na Península Ibérica e conquistou algumas cidades lá, como Barcelona, Huesca e Gerona, mas não ousou avançar mais. A campanha na Península Ibérica ainda rendeu uma grande derrota para as tropas francas, que foram atacadas e derrotadas por forças dos bascos.

O território conquistado por Carlos Magno fez de seu reino o maior da Europa em posses territoriais. A sua atuação na defesa da Igreja fortaleceu sua aliança com Roma, o que fez com que, em 800, o papa Leão III nomeasse-o Imperador do Ocidente. Essa foi uma tentativa de transformar Carlos Magno em uma figura de poder semelhante a dos imperadores romanos; foi também uma tentativa de enfraquecer a autoridade religiosa da Igreja de Constantinopla na Europa ocidental.

  • Administração do reino

O Palácio de Aachen (atual Alemanha) foi construído, por ordem de Carlos Magno, no final do século VIII. Foi sua residência por muitos anos.[1]

Naquele momento, o poder dos reis ainda era muito frágil perante seus nobres, e, por isso, Carlos Magno promoveu uma série de ações que garantiram a fidelidade dos nobres e a estabilidade e unidade do reino. Ele realizou a publicação de leis que tinham validade para todo o reino e fazia questão que suas ordens fossem enviadas por escrito. Essas medidas emitidas por ele ficaram conhecidas como Capitulares.

Carlos Magno também dividiu seu reino em diversos condados, administrados localmente pelos condes, nobres nomeados por ele. Era função desses condes impor as leis emitidas pelo imperador, coletar impostos, realizar obras públicas, convocar exércitos, quando necessário, etc.

Entretanto, o imperador não confiava em seus condes, e, por isso, ele nomeava pessoas para a função de missi dominici, que significa “enviados do senhor”. As pessoas nessa função monitoravam o trabalho dos condes e o estado das coisas nos condados do reino. Carlos Magno também ordenava que seus enviados monitorassem o trabalho dos marqueses, responsáveis pela proteção das fronteiras carolíngias.

Os condes também eram fruto de uma criação de Carlos Magno que permaneceu, durante séculos, na Europa ocidental: as relações de suserania e vassalagem. A terra concedida ao conde era o retorno de um acordo no qual ele fornecia a sua fidelidade ao imperador e, quando fosse necessário, atenderia aos chamados reais.

Carlos Magno passou considerável parte de sua vida instalado em um palácio construído, por ordem dele, em Aachen, atual Alemanha. Ele também incentivou o desenvolvimento da cultura e do conhecimento em sua Corte, enchendo-a de homens eruditos e poetas, por exemplo. Por fim, Carlos Magno incentivou que seus filhos e a nobreza carolíngia fossem alfabetizados.

Carlos Magno tentou promover uma unificação monetária, estabelecendo uma moeda chamada denier, mas essa reforma monetária fracassou, e determinou normas sobre o trabalho do cultivo da terra. Suas medidas em seu reinado contribuíram para a consolidação da vassalagem e da servidão dos camponeses e deu força à formação do feudalismo.

Acesse também: O estabelecimento da Igreja Católica na Idade Média

Declínio

A administração do reino ficou abalada quando Carlos Magno faleceu, em 814, e foi transmitida a seu filho, Luís, o Piedoso, que reinou de 814 a 843. Luís não tinha a mesma capacidade de administração que seu pai, o que contribuiu para o enfraquecimento do poder real.

Além disso, o reino começou a ser atacado por diferentes povos. Ao leste, os húngaros; ao norte, os normandos; e ao sul, os sarracenos atacavam o litoral franco. Depois que Luís faleceu, em 843, seus três filhos assinaram o Tratado de Verdun, que dividiu o Império Carolíngio em três diferentes reinos, dos quais surgiram a França e o Sacro-Império Romano Germânico nos séculos seguintes. A Dinastia Carolíngia só deixou de existir quando os Capetos ou Capetíngios alcançaram o poder na França, no século X.

Créditos da imagem

[1] matthi e Shutterstock

Por Daniel Neves Silva

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