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Fim da União Soviética

Saiba como aconteceu o Fim da União Soviética durante o governo de Mikhail Gorbachev, na passagem da década de 1980 para a de 1990.

Nos anos que se seguiram à Revolução Russa, ocorrida em 1917, houve a progressiva formação do “Império Soviético”, isto é, a formação da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) – uma associação entre países comunistas do Leste Europeu, que se articularam em torno de um poder central, cuja sede era na Rússia. A URSS durou cerca de 70 anos e viveu o período da chamada Guerra Fria (começada após a Segunda Guerra Mundial, no fim da década de 1940), que consistia na disputa geopolítica e tecnológica entre dois sistemas socioeconômicos: o comunismo, que tinha a URSS como principal representante, e a economia de mercado (ou capitalismo), representado pelas democracias ocidentais, sobretudo pelos Estados Unidos da América. A ruína da URSS ocorreu na passagem da década de 1980 para a década de 1990.

Podemos dizer que a história do fim da União Soviética, em outras palavras, é a história da falência do sistema comunista. A revolução levada a cabo por Lenin e Trotsky em 1917 e a consolidação do Império Soviético com Stalin necessitaram do erguimento de um Estado centralizador e autoritário, que oprimia os indivíduos e lhes privava da liberdade de expressão e de livre pensamento, na tentativa de torná-los “ajustados” à visão de mundo comunista. O Estado autoritário forjado na URSS tinha como modelo as ideias comunistas desenvolvidas pelos intelectuais alemães Karl Marx e Friedrich Engels, que diziam ser possível uma sociedade sem classes sociais, sem propriedade privada e sem controle hierárquico dos meios de produção (indústria). Esse modelo, aplicado na Rússia e, depois, em outros países vizinhos, tornou-se, com o tempo, insustentável.

Os sinais mais evidentes dessa falência do comunismo começaram a aparecer nos anos 1970. Todavia, foi somente na década de 1980 que os soviéticos admitiram para o mundo inteiro que o sistema da URSS precisava de reformas. Em 1985, Mikhail Gorbachev foi eleito presidente da URSS e secretário-geral do Partido Comunista Soviético. A missão de Gorbachev era renovar o comunismo soviético sem alterar a sua essência. Entretanto, as suas reformas, conhecidas como “Perestroika” e “Glasnost”, não tiveram o efeito esperado. Ao contrário, aceleraram o fim do sistema vigente.

Gorbachev teve de enfrentar problemas de grandes proporções, como a explosão do reator atômico da usina nuclear da cidade ucraniana de Chernobyl em 1986 (a Ucrânia era um dos países que compunham a URSS) e a guerra do Afeganistão (que era uma república comunista à época auxiliada pela URSS), da qual ele teve que retirar as tropas soviéticas em razão dos altos gastos que o conflito demandava. Associada a isso, ainda havia, de um lado, a pressão política dos setores mais tradicionais dentro do Partido Comunista, comandados por Valentin Pavlov, e, de outro, a pressão dos setores mais progressistas – esses últimos eram liderados por Boris Yeltsin, que também contribuiu para o fim da URSS.

O ano de 1991 foi decisivo para a queda do regime soviético. Em agosto, Gorbachev sofreu um golpe de Estado e acabou sendo preso pelos representantes dos setores do Partido Comunista interessados em manter o caráter autoritário da URSS. Esse golpe gerou uma onda de revoltas populares que resultou na liberação do líder. Gorbachev, entretanto, renunciou ao posto de secretário-geral do partido, permanecendo apenas como presidente até outubro do mesmo ano, quando, enfim, renunciou também a esse posto, dando fim também à antiga estrutura da URSS.

Veja o que diz o historiador Silvio Pons: […] No final de 1991, no momento da dissolução da URSS, Gorbachev saiu de cena, como um político derrotado. Em sua derrota, apesar de tudo, havia um dado inegável: o que também saía de cena eram as opções mais atrasadas e mais repletas de consequências catastróficas, que sua política colocara fora de jogo. A iniciativa política de Gorbachev não mudou o sistema nem renovou o comunismo. Mesmo assim, destituiu de sentido sua defesa extremada. [1]

O comunismo não podia mais ser legitimado ou reelaborado após o fim da URSS. Uma “defesa extremada” desse sistema só continuou a ser feita em países em que o autoritarismo comunista já estava mais arraigado que na própria URSS – como era o caso da China e da Coreia do Norte.

NOTAS

[1] PONS, Silvio. A Revolução Global – história do comunismo internacional. (1917-1991). trad. Luís Sérgio Henriques. Rio de Janeiro: Contraponto; Fundação Astrogildo Pereira, 2014. p. 551


Por Me. Cláudio Fernandes

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