Era Napoleônica (1799-1815), a vitória burguesa

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Era Napoleônica (1799-1815), a vitória burguesa Tela Napoleão guiando suas tropas pela passagem de São Bernardo, de Jacques-Louis David (1748-1825), uma das mais famosas representações de Bonaparte
Por Tales dos Santos Pinto
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A Era Napoleônica foi um dos principais períodos da História Contemporânea, inserindo-se entre os anos de 1799 e 1815. Mas o jovem leitor sabe os motivos da importância dessa era e o porquê desse nome?

O nome dessa era está ligado ao general – e depois imperador – francês Napoleão Bonaparte, que esteve no poder entre 1799 e 1815. Sua importância está no fato de que Napoleão pretendeu expandir para toda a Europa as instituições burguesas criadas durante a Revolução Francesa, principalmente através da ação militar, o que gerou inúmeras batalhas.

Napoleão foi um dos maiores estrategistas militares da História. Ele conseguiu chegar rapidamente aos mais altos cargos do exército revolucionário francês. Aos 24 anos, já havia se tornado general, após liderar tropas francesas na libertação da cidade de Toulon, em 1793. Seu prestígio aumentou com a conquista de outras importantes vitórias, das quais cabe destacar as campanhas realizadas no norte da Península Itálica.

Em 1799, voltando de uma campanha no Egito, Napoleão tornou-se o primeiro-cônsul da França, após liderar um golpe de Estado que depôs o Diretório, que ficou conhecido como o golpe de 18 Brumário, segundo o calendário revolucionário. Sua função na frente do governo era reprimir tanto as forças monarquistas quantos os grupos republicanos mais radicais, como os jacobinos, já que ambos pretendiam voltar ao poder.

Bonaparte tornar-se-ia ainda cônsul vitalício em 1802 após um plebiscito. Porém, o poder máximo seria alcançado em 1804, quando, após novo plebiscito, Napoleão Bonaparte recebeu o título de imperador da França. A burguesia que lutou contra o absolutismo e instaurou uma república tinha agora como principal representante um imperador.

A própria coroação de Napoleão marcava o reatar de mais um laço do Absolutismo, entre Estado e Igreja Católica, representado pela participação do papa Pio VII. Ao colocar a coroa em sua própria cabeça, Napoleão demonstrava sua intenção de ter um poder acima do religioso.

No poder, Bonaparte realizou inúmeras reformas que representaram o fortalecimento das instituições burguesas e que foram utilizadas na posterioridade. No campo jurídico, foi criado o primeiro Código Civil que estabelecia a igualdade de todos os cidadãos perante a lei. Assegurava o direito à propriedade privada e a manutenção das terras da nobreza e da Igreja nas mãos dos camponeses. Porém, proibia a união de trabalhadores em sindicatos, enquanto era livre a associação de patrões; a mulher estava subordinada ao marido, e os filhos somente seriam responsáveis por si após os 21 anos.

Na área econômica, criou o Banco da França e o franco, uma moeda oficial que foi muito importante para o comércio interno e externo francês, além de auxiliar na estabilização econômica do país.

Ilustração da participação de Napoleão em batalha, feita para o livro Guerra e Paz, de Leon Tolstói

Ilustração da participação de Napoleão em batalha, feita para o livro Guerra e Paz, de Leon Tolstói

Dividiu a França em departamentos administrativos que facilitaram seu controle centralizado. Construiu estradas, aquedutos e pontes, organizou os correios, embelezou cidades, facilitando a comunicação dentro do território francês.

Napoleão tornou ainda o ensino primário obrigatório, sob a responsabilidade do Estado. Criou escolas em diversos níveis, o que fortaleceu culturalmente a burguesia e garantiu uma base educacional comum aos franceses de diversas regiões do país. A educação geral a todo o país somada à existência de um exército nacional constituiu a base do nacionalismo que iria se desenvolver durante o século XIX.

Mas Napoleão não se restringiu a atuar dentro das fronteiras da França. Seu império foi marcado também por uma forte ação de expansão militar. Seu objetivo era derrotar as antigas monarquias absolutistas que existiam na Europa. Seus principais inimigos foram a Áustria, a Rússia e a Inglaterra.

Contra a última, em 1806, Napoleão impôs o Bloqueio Continental, que pretendia impedir o comércio dos países do continente europeu com a Inglaterra, em uma tentativa de estrangular economicamente os britânicos. Essa ação resultou na intensificação do conflito entre ingleses e franceses, bem como ainda na fuga da corte portuguesa para o Brasil, em 1808.

O império Napoleônico conseguiu anexar ou criar alianças com países e reinos que iam desde a Espanha até o Grão Ducado de Varsóvia, onde hoje se localiza a Polônia. Toda a Península Itálica estava subordinada aos franceses.

O declínio do Império Napoleônico iniciou-se quando Bonaparte decidiu invadir a Rússia após o país se opor publicamente ao Bloqueio Continental. A campanha do exército francês foi um fracasso, em virtude tanto do rigoroso frio da Rússia quanto pela estratégia de terra arrasada adotada pelos russos. O resultado foi a crise de abastecimento do exército francês e a volta para casa com 60 mil dos 600 mil soldados enviados.

Enfraquecido, Napoleão foi obrigado a abdicar do trono após a derrota para a coligação formada por Suécia, Áustria, Rússia e Prússia, financiada pela Inglaterra. Ficou exilado na ilha de Elba, próxima ao litoral italiano. Em seu lugar, subiu ao trono Luís XVIII, representando a antiga família real francesa, que perdeu o poder com a revolução.

Arco do Triunfo, em Paris. A construção arquitetônica foi feita em vários locais da Europa, representando as conquistas de Napoleão

Arco do Triunfo, em Paris. A construção arquitetônica foi feita em vários locais da Europa, representando as conquistas de Napoleão

Mas a volta dos antigos nobres gerou uma tensão na França, pois parte da população não queria a restauração do Absolutismo. Aproveitando-se da situação, Napoleão fugiu do exílio e retornou a Paris com o apoio da população. Mas seu novo governo iria durar apenas cem dias. A união da Inglaterra e da Prússia contra a França foi vitoriosa após a vitória sobre o exército francês em Waterloo, em 1815. Napoleão foi preso e enviado para a ilha de Santa Helena, no oceano Atlântico, onde faleceu em 1821.

Com o Congresso de Viena, realizado entre 1814 e 1815, os Estados Absolutistas garantiram a manutenção do poder que detinham antes da Revolução Francesa e do Império Napoleônico, redesenhando ainda as fronteiras dos países europeus. Mas as instituições criadas por Napoleão não foram extintas, permanecendo na França e espalhando-se pela Europa e pela América, influenciando os movimentos de independência. Apesar da derrota de Napoleão Bonaparte, a burguesia europeia saiu vitoriosa.

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