Origem da Bomba de Hidrogênio

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Origem da Bomba de Hidrogênio Nuvem provocada pela explosão de uma bomba de Hidrogênio
Por Cláudio Fernandes
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A bomba de Hidrogênio (Bomba H), ou bomba termonuclear, é o tipo de arma mais poderosa já inventada na História. Para se ter uma ideia do poder de uma bomba de Hidrogênio, a primeira delas, testada pelos Estados Unidos em 1952, era 700 vezes mais potente que a bomba lançada sobre a cidade de Hiroshima, em 6 de agosto de 1945.

  • Guerra Fria e Armas nucleares

Após o lançamento das bombas atômicas sobre o Japão – fato que, em grande parte, foi determinante para pôr fim à Segunda Guerra –, a União Soviética, comandada por Josef Stalin, começou o processo de investimento no mesmo tipo de tecnologia atômica que havia sido conquistado pelos EUA. Em 1949, os soviéticos fizeram o seu primeiro teste nuclear, conseguindo explodir um artefato semelhante àqueles detonados nas cidades japonesas. A partir de então, a rivalidade entre as duas superpotências (EUA e URSS) na busca pela arma mais poderosa gerou o fenômeno conhecido como “corrida armamentista”.

O ponto alto dessa “corrida” foi a sequência de testes feitos com bombas de Hidrogênio. O primeiro teste, como já dissemos, foi feito pelos EUA, em 1952, e recebeu o nome de Mike. Essa bomba explodiu nas ilhas Marshall, no atol de Enewetalk, e atingiu a força de 10 megatons de potência (isto é, 10 megatoneladas [milhões de toneladas] de dinamite). Ao Mike sucedeu outro teste, no atol Bikini, também realizado pelos EUA, em 1º de março de 1954. Esse teste ficou conhecido como Castle Bravo, cuja explosão chegou ao nível de 15 megatons.

Em 1955, foi a vez da URSS fazer o seu primeiro teste com bomba H. O teste foi realizado 22 de novembro e recebeu o nome de RDS-37. O objetivo do líder soviético, Nikita Krushev – que sucedeu Stalin – era chegar ao nível de 100 megatons.

  • A bomba mais poderosa: Tsar Bomb

O líder do projeto atômico soviético, o físico Andrei Sakharov, convenceu as autoridades soviéticas de que uma bomba H de 100 megatons era bastante perigosa, com efeitos destrutivos incalculáveis. O projeto então reduziu a potência do artefato pela metade, tendo em vista, portanto, 50 megatons.

O projeto foi levado adiante e o resultado ganhou o nome de Tsar Bomb a “Bomba Czar” – em referência a um dos mais famosos czares russos, Ivan, o Terrível. A Tsar Bomb foi testada em 30 de outubro de 1961, no arquipélago de Nova Zembla, no Oceano Ártico. Sua explosão ultrapassou a potência prevista, chegando a 57 megatons, gerando um diâmetro de 70 quilômetros de destruição, com 4 quilômetros de “bola de fogo” (isto é, de energia incandescente). Até hoje, a Tsar Bomb foi a bomba mais poderosa já testada.

  • Os efeitos das bombas de Hidrogênio

Para termos uma ideia do potencial devastador da bomba H, segue alguns comentários de um dos altos funcionários do centro administrativo britânico (Whitehall), William Strath, sobre quais seriam os efeitos do lançamento de algumas delas sobre o território do Reino Unido. A citação é extraída do livro Os homens do fim do mundo: o verdadeiro dr. Fantástico e o sonho da arma total, do historiador P.D. Smith:

Strath estimou que um “ataque noturno bem-sucedido” contra as cidades principais da Grã-Bretanha com dez bombas de hidrogênio mataria pelo menos 12 milhões de pessoas e causaria ferimentos graves em outros 4 milhões – um terço da população britânica. Strath admitiu que “baixas nessa escala são intoleráveis”. Uma só bomba de 10 megatons seria suficiente para “aniquilar” qualquer cidade que não fosse Londres. [1]

Continua Smith:

Strath expôs para os seus chefes políticos, em linguagem clara, seca e factual, o supremo horror que todas as pessoas do país teriam de enfrentar.” Um ataque contra o Reino Unido com dez bombas de hidrogênio, cada qual com 10 megatons, equivaleria ao lançamento de 100 milhões de toneladas de explosivos potentes, ou seja, “45 vezes mais do que a tonelagem total das bombas lançadas sobre Alemanha, Itália e França ocupada durante toda a guerra”. [2]

Percebemos, assim, que o “sonho da arma total” de alguns, convertia-se em verdadeiro pesadelo, para outros tantos.

NOTAS

[1] SMITH, P.D. Os homens do fim do mundo: o verdadeiro dr. Fantástico e o sonho da arma total. (trad. José Viegas Filho). São Paulo: Companhia das Letras, 2008. p. 405.

[2] Ibid. p. 405.


Por Me. Cláudio Fernandes

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