A luta pelos direitos civis dos negros nos Estados Unidos

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A luta pelos direitos civis dos negros nos Estados Unidos Acima, exemplo de estabelecimento público (um teatro) destinado a negros no Mississippi *
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  • O que são direitos civis?

Os direitos civis compreendem todas as garantias fundamentais que um Estado Democrático oferece aos seus cidadãos. Entre esses direitos, estão o acesso à saúde, à educação e ao transporte público de qualidade, a liberdade de ir e vir, a liberdade de expressão, entre outros. Para compreendermos a razão de algo como a “luta por direitos civis dos negros nos Estados Unidos”, é necessário que saibamos que esses direitos não eram plenamente garantidos à maior parte da população negra desse país.

  • Por que a luta por direitos civis dos negros nos Estados Unidos?

É sabido que o Sul dos Estados Unidos foi marcado por um modelo econômico agrário pautado na grande propriedade de terra, conhecida como plantation, que geralmente produzia uma só cultura, em especial o algodão. Nas lavouras de algodão era empregada a mão de obra escrava negra africana. Esse modelo perdurou até 1865, quando teve fim a Guerra Civil Americana, que opôs o modelo sulista ao modelo industrial, da pequena propriedade e do trabalho livre e assalariado que vigorava no Norte. Como o Norte ganhou a guerra, a escravidão teve fim.

Porém, o fim da escravidão não significou o fim da mentalidade dos brancos sulistas avessa aos negros, isto é, que os considerava inferiores como raça e indignos dos mesmos direitos que os brancos. Como os estados dos Estados Unidos sempre tiveram uma autonomia legislativa significativa, os estados sulistas ex-escravistas, a partir da década de 1870, passaram a institucionalizar leis de segregação racial (para saber mais sobre isso, clique aqui).

Durante décadas, em estados como Mississippi, Alabama, Tennessee e Georgia, essas leis segregacionistas existiram, separando negros de brancos em locais públicos, proibindo o casamento entre membros de grupos de “cor” (como era a expressão racista para designar os negros) e brancos, limitando o acesso dos negros a benefícios básicos etc. Além disso, ainda havia a atuação de grupos violentos, como a Ku Klux Klan, que promoviam atentados contra a população negra e, não raro, eram absolvidos pelos tribunais estaduais do Sul.

Diante dessa situação, algumas lideranças da comunidade negra dos estados do Sul começaram a formar organizações destinadas à luta contra o racismo e o segregacionismo. O auge dessas lutas ocorreu dos anos 1950 aos anos 1970.

  • Principais movimentos

Entre as organizações dedicadas à luta pelos direitos civis dos negros nos EUA estava a Conferência da Liberdade Cristã do Sul (SCLC – Southern Christian Leadership Conference), formada em 1957, em Montgomery, capital do estado do Alabama, por Martin Luther King Jr., um pastor protestante da Igreja Batista que se tornou o grande símbolo do protesto pacífico contra o racismo e o segregacionismo. King ficou famoso por seu discurso “Eu tenho um sonho...”, proferido em Washington, em agosto de 1963, para um público de cerca de 250.000 pessoas.

Além da organização de King, outras se tornaram bastante conhecidas nos anos 1960 e 1970, como a de Malcom-X, que era ligado à comunidade islâmica nos EUA, mas que defendia também a criação de um Estado Negro separado dos Estados Unidos. Outro exemplo é o movimento Black Power, termo que deriva de um livro do escritor negro Richard Wright, mas cujas raízes remontam ao início do século XX. O Partido dos Panteras Negras também se tornou notório. Ele nasceu como organização de resistência contra a violência policial da Califórnia, mas acabou se radicalizando e adotando elementos de guerrilha urbana e ideologia comunista.

NOTAS

[1] KARNAL, Leandro [et al.]. História dos Estados Unidos: das origens ao século XXI. São Paulo: Contexto, 2007. p. 245.

* Créditos da imagem: Shutterstock e Everett Historical


Por Me. Cláudio Fernandes

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