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Mula sem cabeça

Mula sem cabeça é personagem de uma lenda do folclore brasileiro que conta de mulheres amaldiçoadas e com o poder de transformar-se em mulas que possuem chamas de fogo no lugar de suas cabeças. Essa lenda tem uma relação direta com valores morais cultivados séculos atrás aqui no Brasil e deu-se por uma influência cultural da Península Ibérica (atual Portugal e Espanha).

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Quem é a mula sem cabeça?

Na lenda, somente mulheres que tiveram relações íntimas com um padre é que se tornavam a mula sem cabeça.

A mula sem cabeça é conhecida no Brasil com outros nomes, que são: burrinha de padre e burrinha. Essa lenda fala de uma mulher que recebe como maldição a capacidade de transformar-se em uma mula, que parte à procura de pessoas para machucá-las e assustá-las. A mula sem cabeça emite sons amedrontadores e dá coices nas pessoas, podendo feri-las e matá-las.

Tornar-se a mula sem cabeça, dentro do folclore, é uma punição às mulheres que mantêm relações íntimas com sacerdotes da Igreja Católica. As que são castigadas por esse sacrilégio, tornam-se mulas na virada de quinta-feira para sexta-feira, e, a partir daí, elas partem em disparada à procura de pessoas para assustá-las ou machucá-las.

O relincho da mula sem cabeça é alto o suficiente para ser ouvido de longas distâncias, e o folclore até cultiva a crença de que ela também emite sons humanos. O coice da mula, de acordo com a tradição, é violentíssimo e pode ferir gravemente um ser humano. Além de tudo isso, a mula tem uma aparência assustadora, pois, no lugar da cabeça, ela tem uma chama ardente (outras versões falam que só seus olhos eram de fogo).

Para evitar que uma mulher em pecado torne-se a mula, o sacerdote tem que amaldiçoá-la sete vezes antes de uma missa. Se não o fizer, era certo que ela se tornará a mula. Para acabar com essa maldição, é necessário conseguir retirar o freio de sua boca enquanto a mulher está transformada no animal. Outras versões da lenda, porém, falam que é necessário ferí-la com um objeto pontiagudo.

Pela lenda, a mula vaga pelo Brasil até o soar do terceiro galo na manhã de sexta-feira, e depois disso retorna à sua forma humana, geralmente nua, ferida e em lágrimas pela maldição. Essa lenda era uma forma encontrada na época para reforçar os padrões de morais que procuravam evitar que mulheres tivessem relações íntimas antes do casamento e, principalmente, com sacerdotes da Igreja.

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De onde veio essa lenda?

No folclore brasileiro, a mula sem cabeça é conhecida por ter labaredas de fogo no lugar da cabeça.

A lenda da mula sem cabeça teve origem na Península Ibérica (onde fica Portugal e Espanha) e foi trazida para o Brasil durante o período da colonização. Essa lenda espalhou-se por todo o interior do Brasil e ficou conhecida de norte a sul, e, além disso, é conhecida em outros países da América Latina.

Na Argentina, por exemplo, a mula é conhecida como mula anima, alma mula, mula sin cabeza, entre outros nomes. Nese país, assim como no Brasil, a história da mula também trata da maldição imposta a mulheres que têm relações íntimas por um longo período com sacerdotes religiosos da Igreja Católica.

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Origem do nome

Não existe nenhuma certeza acerca do porquê de a mula sem cabeça possuir esse nome, mas um folclorista renomado, chamado Luís da Câmara Cascudo, argumenta que a sua origem pode remontar a uma lei portuguesa do século XIII que determinava que as mulas seriam usadas como meio de transporte pelos membros da Igreja Católica.|1|

A partir dessa lei, essas leis foram tornando-se um animal diretamente associado com membros da Igreja, assim, elas também passaram a ser associadas como um símbolo de punição para mulheres com má conduta (em relação a um sacerdote) para os padrões da época.

Notas

|1| CÂMARA CASCUDO, Luís da. Geografia dos mitos brasileiros. São Paulo: Global, 2012, p. 167.

Por Daniel Neves Silva

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