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Simón Bolívar

Simón Bolívar foi um dos nomes mais importantes da história sul-americana, tendo participação direta nas independências de países, como Venezuela e Colômbia.

por Daniel Neves Silva
Simón Bolívar teve papel crucial na independência da Colômbia e Venezuela e foi presidente da Grã-Colômbia de 1819 a 1830. Simón Bolívar teve papel crucial na independência da Colômbia e Venezuela e foi presidente da Grã-Colômbia de 1819 a 1830.

Simón Bolívar foi uma das figuras mais importantes da história da América do Sul em virtude do seu envolvimento na independência de uma série de países, com destaque para Colômbia e Venezuela. Engajou-se na luta contra os espanhóis e formulou o ideal de unificação dos povos sul-americanos em uma grande nação, mas esse ideal acabou fracassando. Ele ficou conhecido como “Libertador” e hoje é considerado um grande herói na Venezuela.

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Nascimento e vida privada

Simón José Antonio de la Santíssima Trinidad Bolívar Palacios Ponte y Blanco, mas comumente conhecido apenas como Simón Bolívar, nasceu no dia 24 de julho de 1783, na cidade de Caracas, atual capital da Venezuela. Bolívar era membro de uma família que fazia parte da aristocracia criolla (de descendentes de espanhóis nascidos na América) da Capitania-Geral da Venezuela.

A família de Bolívar era oriunda da região do País Basco, na Espanha, e tinha se estabelecido na América por volta do século XVI. Além de ocupar importantes cargos públicos na Venezuela, a família de Bolívar “era proprietária de minas de prata e cobre, de fazendas e de propriedades voltadas para a produção de açúcar e cacau”|1|. Os historiadores Leandro Gavião e Hugo Suppo também afirmam que somente em San Mateo (cidade venezuelana), a família de Bolívar tinha mais de 1200 escravos|2|.

Seus pais chamavam-se María de la Concepción Palacios y Blanco e Juan Vicente Bolívar y Ponte. Quando Bolívar tinha três anos seu pai faleceu e quando tinha nove sua mãe faleceu. Depois disso, passou para a tutoria de seu tio irmão de sua mãe e esteve sob os cuidados de uma escrava chamada Hipólita.

Por ser filho de uma família muito rica, Bolívar teve uma educação excelente e foi tutorado intelectuais de renome da época, dos quais se destacam Simón Rodríguez, um intelectual fortemente influenciado por Rousseau e pelas ideias do iluminismo, e por Andrés Bello, um destacado poeta venezuelano.

Ilustração de Simón Bolívar durante seus anos de juventude.[1]
Ilustração de Simón Bolívar durante seus anos de juventude.[1]

Com 16 anos, foi enviado para a Europa para complementar a sua educação e lá teve mais contato com ideais do iluminismo, que moldaram seu pensamento político. Na Espanha, conheceu María Teresa Rodríguez del Toro y Alaysa, filha de uma família nobre. Casou-se com ela, em 1802, e então retornou à Venezuela acompanhado dela. Em janeiro de 1803, porém, sua esposa faleceu vitimada pela febre amarela.

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Independência da Venezuela

Bolívar engajou-se na luta pela independência da Venezuela, por volta de 1807, mas antes de focarmos no seu papel nesse processo histórico, é necessário entendermos o início da luta pela independência na América espanhola.

A Venezuela, assim como outras regiões da América do Sul, era colonizada pela Espanha. Em 1808, durante expedição para punir Portugal, as tropas francesas entraram no território espanhol, destituíram o rei Fernando VII e colocaram José Bonaparte, irmão de Napoleão, no trono espanhol. Esses acontecimentos demonstraram o enfraquecimento espanhol e impulsionaram movimentos de independência por todo o continente americano.

Os movimentos de independência na América espanhola também foram inspirados em ideais iluministas e foram resultado não só da invasão da Espanha, mas também do crescimento do senso de identidade dos colonos com a América e com o sensível enfraquecimento do poderio espanhol. Quando o trono espanhol caiu nas mãos da França, os movimentos independentistas começaram a aparecer pelo continente.

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Bolívar como libertador

O alinhamento de Simón Bolívar com a causa da independência tem como ponto de partida o Juramento do Monte Sacro, em 1805. Nessa ocasião, Bolívar estava com Simón Rodríguez, seu tutor, em Roma, quando fez o juramento de dedicar a sua vida a lutar pelo fim do domínio espanhol. Retornou para a Venezuela, em 1807, após um tempo viajando pela Europa e pelos EUA.

O movimento pela independência na Venezuela foi iniciado pouco tempo depois, quando o rei espanhol foi destituído por Napoleão. Envolvido com os movimentos de independência nos anos seguintes, Bolívar participou na formação da Junta Governativa, instituição que estabelecida em Caracas, no ano de 1810, e que passou a lutar pela independência da Venezuela.

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Por decisão da Junta, Bolívar foi enviado a Londres em uma missão diplomática. O objetivo dessa missão era conquistar apoio da Inglaterra para a causa da independência da Venezuela. Durante essa viagem, Bolívar conseguiu convencer Francisco Miranda, líder de um movimento de independência que tinha fracassado em 1806, a retornar para a Venezuela.

Em 5 de julho de 1811, a Junta de Caracas decidiu declarar a independência. O movimento de independência gerou uma reação, e tropas leais à Espanha lutaram contra o movimento de independência. Em julho de 1812, essas tropas conseguiram derrubar a Primeira República venezuelana e retomaram o controle da Espanha sob a Venezuela.

Bolívar fugiu para o exílio e estabeleceu-se na cidade de Cartagena, em Nova Granada (atual Colômbia) para formar um movimento de independência lá. Naquele lugar, Bolívar restabeleceu suas forças e marchou novamente para a Venezuela, conseguindo conquistar Mérida em maio de 1813 e Caracas em agosto de 1813. Proclamou a Segunda República venezuelana e seu papel nesse episódio lhe rendeu o apelido de Libertador.

Em 1814, foi derrotado na Batalha de La Puerta por forças leais à Espanha e foi obrigado a fugir, estabelecendo-se primeiro na Jamaica e depois no Haiti. Durante seu exílio na Jamaica, redigiu a Carta da Jamaica, documento em que expressou o seu desejo de unificar os territórios da América colonizados pelos espanhóis em uma só nação.

No Haiti, Bolívar contou com a proteção do governo de Alexandre Pétion, que inclusive o ajudou a recompor suas forças para retornar à Venezuela. Bolívar voltou à Venezuela, declarando a libertação dos escravos, em 1816, e, em 1817, conquistou a cidade venezuelana de Angostura. Bolívar liderou a independência de Nova Granada com cerca de 2500 homens.

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Formação da Grã-Colômbia

A independência de Nova Granada foi formalizada com a vitória na Batalha de Boyacá, em 1819. Em 1821, Bolívar conseguiu novamente livrar a Venezuela do domínio espanhol após a Batalha de Carabobo. Com isso, foi formada a Grã-Colômbia, unindo os territórios que correspondem à Colômbia e Venezuela. O território que corresponde ao Equador foi anexado à Grã-Colômbia no ano seguinte, 1822.

Bolívar participou também dos esforços para garantir a independência do Peru, o local que concentrou a maior resistência daqueles que eram leais ao domínio espanhol. Os peruanos, porém, recusaram-se a aderir à Grã-Colômbia. Bolívar, por fim, também se envolveu no processo de independência da Bolívia (nomeada assim em sua homenagem).

Bolívar foi presidente da Grã-Colômbia, de 1819 a 1830. Nesse período, tentou ampliar seu projeto de unificação territorial das nações da América por meio do Congresso do Panamá, em 1826. Algumas das nações sul-americanas compareceram e firmaram alguns acordos entre si, mas, de uma forma geral, os historiadores consideram esse congresso um insucesso.

A Grã-Colômbia, o grande sonho de Bolívar, foi um fracasso total. Os diferentes interesses defendidos pelas elites estabelecidas nos territórios que compunham a Grã-Colômbia tornaram a sua existência insustentável. Bolívar tentou realizar um governo mais centralizador, mas movimentos de oposição à Grã-Colômbia começaram a se consolidar.

Em maio de 1830, Bolívar renunciou a presidência da Grã-Colômbia, que rapidamente se esfacelou, dando origens a novos países: Nova Granada (seria renomeada posteriormente como Colômbia), Venezuela e Equador.

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Morte

Busto em homenagem a Bolívar em Paramaribo, Venezuela.
Busto em homenagem a Bolívar em Paramaribo, Venezuela.

Simón Bolívar acabou falecendo, em 17 de dezembro de 1830, vitimado pela tuberculose. Na ocasião, Bolívar estava estabelecido em Santa Marta, na Colômbia. Bolívar foi convertido em um grande herói venezuelano, sobretudo a partir do governo de Hugo Chávez, presidente venezuelano de 1999 a 2013.

Crédito da imagem

[1] Créditos da imagem: Neveshkin Nikolay e Shutterstock

Notas

|1| GAVIÃO, Leandro e SUPPO, Hugo. A utopia pan-americana de Simón Bolívar. In.: XAVIER, Lídia de Oliveira e AVILA, Carlos F. Domínguez. Política, cultura e sociedade na América Latina: estudos interdisciplinares e comparativos – Vol. 5. Curitiba: Editora CRV, 2018, p. 165.

|2| Idem, p. 165.

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