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O moderno conceito de História

Conheça como se desenvolveu o moderno conceito de História a partir do século XVIII e saiba de que forma isso nos afeta hoje.

O filósofo alemão George W. Hegel foi um dos autores que sistematizaram o conceito moderno de História O filósofo alemão George W. Hegel foi um dos autores que sistematizaram o conceito moderno de História

É muito comum encararmos a história hoje como História, com “H” maiúsculo. O que está implicado nessa concepção de história? Quando dizemos “a História é cheia de reviravoltas!”, ou “Precisamos mudar a história!”, ou ainda “Queremos fazer História [isto é, agir na História, no sentido de transformá-la]!”, o que queremos dizer? Geralmente, nesse conceito moderno de história, está presente a ideia de que ela (a História) é uma entidade singular, algo substantivo que tem sua própria substância e que pode ser “modelada” pelos homens tal como uma massa de argila.

Como dito, esse é um conceito moderno de história, o que indica que nem sempre a história foi encarada dessa forma. Nem sempre a história foi concebida como algo que pode ser transformado, algo que estivesse disponível para ser alterado e que se adequasse aos anseios de grupos ou classes sociais, do Estado ou de quem quer que fosse. Isso, de fato, teve início por volta do século XVIII e intensificou-se no século XIX.

Até meados do século XVIII, a história era encarada de uma forma não uniforme, isto é, não havia ainda “a História”, mas sim histórias, no plural, ou melhor, um conjunto de histórias que não se reduzia a um movimento único e universal do homem sobre a Terra. A ideia de um movimento universal que comandasse o destino dos homens só era atribuída, até então, à Providência Divina. Mas foi exatamente por meio do processo de secularização, isto é, atribuição das características divinas a instâncias humanas, que as histórias, antes plurais, a partir do século XVIII, convergiram para uma só História, singular e coletiva: a História Universal, a História da Humanidade.

Como disse o historiador alemão Reinhart Koselleck, a história, no século XIX, “se tornou onipotente, justíssima, onisciente, e, finalmente, a gente se tornou responsável diante dela. Como algo semissecularizado, foram atribuídos à História significados religiosos, que dificilmente poderiam ter sido derivados do próprio conceito”. (KOSELLECK, Reinhart. “A configuração do moderno conceito de história”. In: KOSELLECK [et al.] O conceito de história. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2013. p. 217)

Esse conceito de história como história singular e universal foi sistematicamente trabalhado por filósofos, que ficaram conhecidos como “filósofos da história”. Os primeiros que se dedicaram a pensar a história nesses termos foram os iluministas, como Kant e Voltaire. Mas foi no século XIX, com o desenvolvimento da história como disciplina científica, que filósofos como Hegel puderam dar uma formatação especial ao conceito de história.

A Revolução Francesa, que ocorreu nos fins do século XVIII, acabou por dar fôlego às perspectivas sobre uma história que pode “ser feita”, que pode ser transformada. Hegel e os demais filósofos da história do século XIX foram demasiadamente afetados pela singularidade dessa revolução. O próprio conceito de revolução passou a ser associado ao de história, e os dois, por sua vez, associados à ideia de transformação radical. Dos herdeiros de Hegel, Karl Marx foi um dos principais autores que “emolduraram” o conceito moderno de história. Ainda seguindo o raciocínio do historiador Koselleck, citado acima, a “'História' se transformou num desaguadouro de todas as ideologias imagináveis.” (KOSELLECK, Reinhart. “A configuração do moderno conceito de história”. In: KOSELLECK [et al.] O conceito de história. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2013. p 218)


Por Me. Cláudio Fernandes

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