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Luteranismo

O luteranismo é uma doutrina religiosa que surgiu a partir de Martinho Lutero. O ponto central do luteranismo é a crença de que a salvação é garantida pela fé.

Estátua de Martinho Lutero, aquele que deu origem ao luteranismo. Martinho Lutero foi o reformador que deu origem ao luteranismo.

O luteranismo é uma doutrina religiosa que surgiu a partir de Martinho Lutero, um monge alemão do século XVI. Tem como elemento central a crença na justificação pela fé, ou seja, que a salvação de uma pessoa é garantida exclusivamente pela fé. Foi a doutrina que iniciou a Reforma Protestante na Europa.

O surgimento do luteranismo se deu em um contexto de descrédito em relação à Igreja Católica por suas práticas e dogmas. A questão das indulgências foi o que motivou Lutero a manifestar-se contra a Igreja. Um dos pontos mais basilares do luteranismo é a crença nas “cinco solas”.

Leia também: João Calvino — outra liderança de destaque no contexto da Reforma Protestante

Resumo sobre o luteranismo

  • O luteranismo é uma doutrina religiosa que surgiu durante a Reforma Protestante.

  • Seu surgimento tem relação com as pregações de Martinho Lutero, monge alemão do século XVI.

  • Os luteranos têm como base de sua crença a ideia de que sua salvação é garantida unicamente pela fé.

  • Lutero não concordava com algumas práticas da Igreja, em especial as indulgências.

  • Escreveu um documento chamado “95 teses”, contendo críticas à Igreja Católica.

O que é o luteranismo ou a doutrina luterana

O luteranismo é uma doutrina religiosa que surgiu a partir de Martinho Lutero, um monge alemão do século XVI. O luteranismo surgiu por meio das interpretações do texto bíblico feitas por Lutero, sendo que a base dessa doutrina é a crença de que a fé é o elemento fundamental para que uma pessoa consiga sua própria salvação.

Trata-se do movimento que iniciou a Reforma Protestante, no qual novas doutrinas religiosas surgiram no interior do cristianismo, levando a uma ruptura na Igreja Católica e ao surgimento de novas igrejas cristãs no continente europeu. Após Lutero, outros reformadores se estabeleceram, como João Calvino, por exemplo.

O principal elemento que motivou a discordância de Lutero em relação à Igreja Católica, além das questões envolvendo a doutrina religiosa e a interpretação da Bíblia, foram as indulgências. Considera-se que a divulgação das 95 teses tenha dado início ao luteranismo, e inúmeras mudanças aconteceram depois disso.

Surgimento do luteranismo

O luteranismo foi a primeira doutrina religiosa a surgir no contexto das Reformas Religiosas. No século XVI existia uma grande insatisfação represada contra a Igreja Católica, o seu domínio, sua doutrina e práticas. Uma das questões que mais incomodava na época, e que foi o motivador de Lutero para fazer seu questionamento público, era a questão das indulgências.

As indulgências eram uma prática da Igreja em que era pedido dinheiro dos fiéis para que eles recebessem o perdão dos seus pecados ou a promessa de salvação. Lutero, por exemplo, considerava a oferta de indulgências algo imoral e se indignou com o pedido do papa Leão X, em 1517, de uma indulgência para a construção da Basílica de São Pedro.

Lutero entendia que a prática das indulgências não garantia a salvação, pois o critério para ele era outro. Além da questão das indulgências havia a corrupção e imoralidade do clero católico, o que chocava e indignava muitos — o caso do papa Alexandre VI é um grande exemplo. Apesar da força das críticas de Lutero, não era a intenção inicial dele romper com a Igreja Católica.

É importante lembrar que Lutero era um monge, portanto membro do clero católico. O rompimento de Lutero com o catolicismo aconteceu porque suas críticas não foram aceitas e porque ele foi excomungado. A perseguição a ele foi tamanha que ele só sobreviveu porque contou com auxílio de membros da nobreza alemã para se proteger.

A Reforma Religiosa foi entendida por parte da nobreza alemã como uma oportunidade para enfraquecer o poderio político da Igreja Católica, livrando-os das interferências da Santa Sé em seus domínios, além de permitir que essa nobreza deixasse de pagar impostos para a Igreja Católica, preservando os seus recursos. Muitos historiadores também entendem que a reação dessa nobreza foi parte de um movimento de unificação alemão contra a influência estrangeira da Igreja Católica.

Leia também: Guerra dos 30 Anos — o conflito entre católicos e protestantes

As 95 teses

O documento que deu origem às Reformas Religiosas e ao luteranismo foi uma carta escrita por Lutero e conhecida como “95 teses”. Esse documento reunia 95 argumentos de Lutero com críticas às práticas da Igreja Católica, além de trazer alguns elementos da fé luterana. O que motivou Lutero a escrever esse documento foi a visita do arcebispo de Mainz a Wittenberg para solicitar a indulgência para a construção da Basílica de São Pedro.

Como citado, Lutero se incomodava com a cobrança de indulgências porque não acreditava que essa prática garantia a salvação de ninguém. Ele acreditava que apenas a fé garantia a salvação das pessoas. A comprovação da posição pode ser feita pelas próprias teses, como a 24ª, em que ele afirma que as pessoas estavam sendo enganadas pelos vendedores de indulgências.

Tornou-se consolidado na tradição luterana que Lutero teria pregado as 95 teses na porta da Catedral de Wittenberg, gerando grande repercussão e iniciado a Reforma Protestante, em 31 de outubro de 1517. Esse fato, no entanto, não tem comprovação na historiografia, e, até onde se sabe, Lutero apenas teria enviado as teses como uma carta para o arcebispo de Mainz.

Doutrina do luteranismo

Como mencionado em algumas partes deste texto, a crença central do luteranismo é a justificação pela fé. Essa crença se baseia em um versículo bíblico: O justo viverá pela fé (Hebreus 10:38). Sendo assim, os luteranos acreditam que apenas a fé é o suficiente para garantir a salvação, não necessitando de pagamento de indulgências ou a realização de boas obras para isso.

Portanto, não há necessidade de um mediador entre os fiéis e Deus — como um padre — para os luteranos. A crença luterana determina que os fiéis podem, por eles mesmos, pedir perdão pelos seus pecados para Deus, e eles mesmos podem manter uma prática de leitura da Bíblia — por isso Lutero traduziu a Bíblia para o alemão.

A tradução da Bíblia do latim para uma língua vernácula visava garantir a autonomia das pessoas em relação às escrituras, permitindo que eles fizessem sua própria interpretação bíblica. Além disso, os luteranos acreditam no que é chamado de cinco solas, isto é, cinco pontos essenciais da doutrina luterana.

As cinco solas são as seguintes:

  • Sola fide (somente a fé): só a fé justifica e salva uma pessoa.

  • Sola scriptura (somente a escritura): a caminhada cristã tem como base única a Bíblia, sendo o único escrito de inspiração divina e a única base do cristão.

  • Solus Christus (somente Cristo): foi o sacrifício de Jesus o responsável por dar uma chance para a humanidade, redimindo-a de seus pecados e reconciliando-a com Deus.

  • Sola gratia (somente a graça): a salvação da humanidade se dá apenas pela graça de Deus.

  • Soli Deo gloria (glória somente a Deus): os cristãos devem glorificar unicamente a Deus.

Fontes

ALTMANN, W. et al. Lutero e a Reforma – 500 anos depois, um debate. Revista do Instituto Humanitas Unisinos. Disponível em: http://www.ihuonline.unisinos.br/media/pdf/IHUOnlineEdicao514.pdf.

CORDEIRO, Tiago. Há exatos 502 anos, papa Leão X excomungava Martinho Lutero. Disponível em: https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/reforma-protestante-1521-o-papa-excomunga-martinho-lutero.phtml.

FIGUEIREDO, Felipe. 500 anos da Reforma Protestante. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=QkheKbaDZGs&t=458s&ab_channel=Nerdologia.

KRAMER, Klaus. Martinho Lutero, o monge que revolucionou o mundo. Disponível em: https://www.dw.com/pt-br/martinho-lutero-o-monge-que-revolucionou-o-mundo/a-36213487.

MATOS, Alderi Souza de. A Reforma Protestante do século XVI. Disponível em: http://www.faifa.edu.br/revista/index.php/voxfaifae/article/view/24

MICELI, Paulo. História Moderna. São Paulo: Contexto, 2020.

Por Daniel Neves Silva

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