21 de abril – Dia de Tiradentes

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21 de abril – Dia de Tiradentes Tiradentes foi um dos participantes da Inconfidência Mineira
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Tiradentes é o apelido que foi dado a Joaquim José da Silva Xavier (1746-1792), que ficou conhecido por ter sido o único participante da Inconfidência Mineira, ocorrida em 1788, a receber a pena de morte. Ele foi acusado de conspiração pelas autoridades da Coroa Portuguesa e foi morto no dia 21 de abril de 1792.

Além do interesse pela atividade política, Joaquim José da Silva Xavier exerceu diversas atividades profissionais, dentre as quais a de dentista amador, que acabou lhe rendendo o apelido de Tiradentes.

Tiradentes detinha o posto de militar na cavalaria dos Dragões, cargo que lhe garantia algum dinheiro e lhe dava alguma influência social. Foi por meio das relações que tinha com intelectuais, mineradores, clérigos e outras pessoas de destaque em Vila Rica (atual Ouro Preto), também interessados em uma rebelião contra o governo local da Capitania de Minas Gerais, à época representado pelo Visconde de Barbacena, que Tiradentes decidiu integrar a conspiração.

Sabe-se que as ideias dos inconfidentes, incluindo as de Tiradentes, tinha influência, em grande parte, do Iluminismo francês, mas também havia um pouco dos “libertadores da América”, isto é, dos homens que fizeram a Independência dos Estados Unidos. A gana de Tiradentes pela independência das Minas Gerais surgiu por causa dessas ideias.

  • Tiradentes e a Inconfidência Mineira

Entretanto, o projeto da conspiração sequer chegou a sair do plano das ideias. Um dos conspiradores, chamado Silvério dos Reis, denunciou o plano ao governador Visconde do Ouro Preto, julgando que, com tal gesto, conseguiria abonar as dívidas que tinha com a Coroa. Sendo assim, os principais líderes da Inconfidência foram capturados, julgados e punidos. Alguns receberam a pena do degredo (exílio forçado) para o continente africano. Tiradentes foi o único apanhado fora de Minais Gerais. Ele foi preso no Rio de Janeiro, lugar onde também foi condenado e morto, na forca, em 21 de abril de 1792. Além disso, o corpo de Tiradentes foi alvo de um procedimento considerado “exemplar” pelas autoridades portuguesas. Vejamos como o narra Lucas Figueiredo:

“Tiradentes, o ponto mais frágil da urdidura, teve o fim mais cruel. Depois de amargar três anos de prisão, ele foi enforcado e esquartejado. Para que os súditos da Coroa nunca se esquecessem da lição, a cabeça de Tiradentes foi encravada numa estaca e exposta em praça pública em Vila Rica, e seus membros, espalhados pela estrada que levava ao Rio de Janeiro.” [1]

  • Tiradentes como símbolo de heroísmo nacional

Com a Independência do Brasil, em 1822, deu-se início a um processo de construção da ideia de “nação” e de “povo brasileiro”. Esse processo teve seu pontapé inicial no campo das artes (principalmente a literatura do Romantismo) e no campo da investigação científica (botânica, geografia, história etc.). Com o advento da República, em 1889, esse processo ganhou uma nova face. Era a vez de se elencar os símbolos e os heróis da nação. Tiradentes, que foi considerado traidor pela Coroa portuguesa, foi retomado como símbolo de resistência e de liberdade.

Muitos quadros foram pintados no início do período republicano brasileiro para retratar Tiradentes como mártir. Mas só foi em 1965, quando o marechal Castelo Branco, então presidente da República, sancionou a Lei Nº 4. 897, de 9 de dezembro, que o dia 21 de abril tornou-se feriado nacional e Tiradentes tornou-se, oficialmente, Patrono da Nação Brasileira.

NOTAS

[1] FIGUEIREDO, Lucas. Boa ventura!, A corrida do ouro no Brasil [1697-1810]. Rio de Janeiro: Record, 2011. p. 297.


Por Me. Cláudio Fernandes

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