Revolução Sandinista

  • Atualmente 0/5 Estrelas.
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5
Revolução Sandinista Selo nicaraguense comemorando o aniversário de nove anos da Revolução Sandinista, de 1979.*
Por Daniel Neves Silva
PUBLICIDADE

A Revolução Sandinista foi uma revolução popular que aconteceu na Nicarágua em 1979, sendo conduzida pela Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), a qual governou o país até 1990. A revolução conduzida pelos sandinistas lutou contra a ditadura dos Somoza e assumiu o poder do país.

Antecedentes

O sandinismo, na Nicarágua, ganhou evidência muito antes da luta contra a ditadura dos Somoza. O movimento surgiu com Augusto César Sandino, importante guerrilheiro do país que, durante as décadas de 1920 e 1930, lutou contra a presença dos Estados Unidos em território nicaraguense.

A Nicarágua alcançou sua independência dos espanhóis em 1821. Durante todo o século XIX, a história nicaraguense ficou marcada por governos que evidenciavam a fragilidade do país e pela interferência direta dos Estados Unidos. A interferência dos norte-americanos não ocorreu apenas na Nicarágua, mas também em diversos países da América Central e do Caribe.

Leia também: Montagem do sistema colonial espanhol

A interferência americana ficou destacada em um caso na década de 1850, quando o presidente americano Franklin Pierce reconheceu uma ditadura iniciada na Nicarágua por um americano chamado William Walker (que inclusive tinha o desejo de tornar a Nicarágua parte dos Estados Unidos). O historiador Victor G. Kiernan menciona que, além da Nicarágua, o presidente americano tinha o desejo de ocupar Cuba e o Havaí|1|.

Vale ressaltar também que existiam americanos que desejavam interferir na política nicaraguense para garantir a construção de um canal que fizesse a ligação entre o oceano Atlântico e o Pacífico. A clara influência dos norte-americanos nos assuntos nicaraguenses levou ao surgimento de um nacionalismo no país que tinha como foco um forte sentimento antiamericano.

Clique também: Canal do Panamá

A continuidade da interferência dos Estados Unidos nos assuntos nicaraguenses fez com que uma revolta eclodisse no país em 1912. Essa revolta aconteceu contra o presidente Adolfo Díaz, claramente influenciado pelos Estados Unidos. Os rebeldes ocuparam várias cidades do país, e o presidente solicitou ajuda dos americanos, que enviaram marines (fuzileiros navais) para ocupar a Nicarágua.

Foi dessa ocupação da Nicarágua que surgiu Augusto César Sandino, de origem humilde e que, a partir de 1926, engajou-se em uma luta pela retirada dos marines de maneira definitiva de seu país. Sandino também ficou conhecido por lutar por uma divisão justa das riquezas existentes no território da Nicarágua.

Sandino engajou-se em uma luta de guerrilha e dessa luta foi obtido um compromisso dos americanos: os marines seriam retirados do país caso fossem realizadas eleições livres. A retirada dos marines aconteceu entre 1932 e 1933, quando a eleição presidencial determinou a escolha de Juan Bautista Sacasa como presidente.

Sacasa nomeou Anastasio Somoza García (conhecido como Tacho Somoza) como presidente da Guarda Nacional, tropa nicaraguense responsável por garantir a ordem social no país. Somoza, por sua vez, voltou-se contra Sacasa e organizou um golpe, que o levou ao poder da Nicarágua em 1936. Foi iniciada nesse momento a longa ditadura dos Somoza, que se estendeu até 1979.

Antes de se tornar presidente do país, Somoza enquanto chefe da Guarda Nacional havia iniciado uma intensa repressão contra guerrilheiros aliados a Sandino. Dessa repressão, o grande nome dos guerrilheiros, Augusto César Sandino, foi morto em 1934. A partir do momento que Somoza assumiu o poder, a perseguição tornou-se muito mais intensa. Durante a década de 1940, os sandinistas quase foram exterminados do país.

Sandinistas ressurgem

Em 1956, Anastasio Somoza foi assassinado, e seu filho Luis Somoza Debayle assumiu a presidência da Nicarágua. A morte de Anastasio Somoza coincidiu com o fortalecimento das guerrilhas na Nicarágua, muito influenciadas pela Revolução Cubana.

Com a rearticulação das guerrilhas na Nicarágua, surgiu um grupo chamado Frente Sandinista de Libertação Nacional, que se lançou na luta armada contra a ditadura Somoza. A FSLN surgiu em 1961 e teve como fundadores Carlos Fonseca Amador, Tomás Borge Martínez e Sílvio Mayorga. Ao longo dos anos de luta da FSLN contra os Somoza, um nome que se destacou foi o de Daniel Ortega.

Os guerrilheiros liderados pela FSLN instalaram-se em regiões montanhosas da Nicarágua e, uma vez estabelecidos, iniciaram a luta contra os Somoza. No final da década de 1970, a luta travada entre sandinistas e o governo Somoza intensificou-se. Encurralado pelos sandinistas, Anastasio Somoza Debayle foi obrigado a fugir do país. Um ano depois, Anastasio foi assassinado no exílio no Paraguai por um tiro de bazuca, que destruiu seu carro.

As forças sandinistas conquistaram a capital do país – Manágua – no dia 19 de julho de 1979. Iniciou-se então o período em que os sandinistas estiveram no poder e realizaram uma série de reformas, as quais caracterizaram a Revolução Sandinista.

Sandinistas no poder

Daniel Ortega já era um nome importante da FSLN desde a década de 1960. Quando os sandinistas conquistaram o país, foi formado um Governo de Reconstrução Nacional, do qual Ortega participou ativamente. Essa junta era composta por cinco pessoas (incluindo Daniel Ortega) e governou a Nicarágua até 1985.

De 1985 até 1990, a Nicarágua foi governada por Daniel Ortega após vencer a eleição presidencial com mais de 60% dos votos. No conjunto dos anos em que os sandinistas governaram a Nicarágua (1979-1990), foram implantadas medidas que tinham como objetivo recuperar a economia após longos anos de ditadura dos Somoza.

Das medidas tomadas nos anos em que os sandinistas estiveram no poder, destacam-se duas:

1. Nacionalização do mercado financeiro e do comércio exterior do país;

2. Estabelecimento de fazendas em terras que foram desapropriadas dos Somoza e seus aliados. Essas fazendas empregaram cerca de 50 mil nicaraguenses e ficaram conhecidas como Áreas de Propriedade do Povo.

A década de 1980 também ficou marcada pela violência na Nicarágua, uma vez que se formaram grupos guerrilheiros de direita para lutar contra os sandinistas. Esses grupos conhecidos como “Contra” tinham apoio direto dos Estados Unidos (na época presidido por Ronald Reagan) e eram formados por direitistas e por antigos aliados dos Somoza. Os Estados Unidos também implantaram embargos para prejudicar a economia nicaraguense.

Acesse também: Guerra Fria

A luta dos sandinistas contra as guerrilhas “Contra” foi responsável por destruir a paz social na Nicarágua. Os sandinistas também começaram a perder o apoio da burguesia e desse desgaste veio a queda. Os sandinistas foram derrotados na eleição presidencial de 1990 por Violeta Barríos Chamorro, que obteve 55% dos votos.

|1| KIERNAN, Victor G. Estados Unidos: o novo imperialismo. Rio de Janeiro: Record, 2009, p. 84.

*Créditos da imagem: Mitrofanov Alexander e Shutterstock

Avaliação

-

    Escola Kids