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Sans-culottes e a revolução

Conheça a ação política dos sans-culottes e o porquê desse nome.

Durante a Revolução Francesa, vários grupos sociais destacaram-se na luta por seus direitos e interesses. Um desses grupos cumpriu importante influência por ser formado pelas classes mais pobres da sociedade parisiense e por buscar, através de ações práticas radicais, executar os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade: eram os sans-culottes.

O nome do grupo tem origem nas roupas usadas à época da Revolução. As roupas servem, até nos dias atuais, para proteger o corpo e esconder algumas partes. Mas servem também para mostrar diferenças sociais.

Na França de finais do século XVIII, os homens da nobreza e das camadas sociais mais altas usavam os culottes, calças curtas e justas, que chegavam até a altura do joelho, onde eram amarradas.

Os trabalhadores, os camponeses, mendigos e pequenos comerciantes, que formavam as classes baixas da sociedade, usavam calças largas e cumpridas. Por não usarem os culottes, ficaram conhecidos na França como os sans-cullotes, ou seja, os sem culotes.

Dessa forma, a utilização de tipos diferentes de roupas serviu para marcar as diferenças sociais, mas elas não estavam relacionadas apenas às roupas. Elas estavam também relacionadas aos objetivos políticos e sociais.

A posição política e social dos sans-culottes durante a Revolução Francesa foi marcada por um radical republicanismo. Defendiam o fim da monarquia, conseguida em 1792, além de pressionarem pela execução do rei Luís XVI. Mas eram também partidários de uma forma de igualdade que passava pela participação direta de todos nas decisões políticas. Por isso, eram contra o voto censitário estabelecido na Constituição de 1791.


As mulheres também participaram da revolução, junto aos sans-culottes

Mas os sans-culottes não esperaram que a Constituição mudasse para poderem exercer essa forma de democracia direta. Em seus clubes exerciam na prática esse tipo de democracia. Além de haver igualdade entre todos os homens, havia ainda o espaço aberto à participação das mulheres. Em 1790, formaram a Sociedade Fraternal dos Patriotas de Ambos os Sexos e o Clube dos Condoliers.

Mas a ação dos sans-culottes manifestou-se também nas instituições criadas após a Revolução. Os sans-culottes foram os principais apoiadores dos jacobinos, principalmente após 1792, quando foi proclamada a República. As medidas efetuadas pela República para a garantia de direitos sociais conseguiram amplo apoio das camadas populares francesas.

Porém, a reação da burguesia e a deposição dos jacobinos representaram também a intensificação da repressão aos sans-culottes. A partir de 1795, sua influência política diminuiu drasticamente, além de seus clubes serem fechados e de impedirem suas reuniões.

Apesar de derrotados na Revolução Francesa, os sans-culottes iriam voltar à cena política durante a Primavera dos Povos, em 1848. A participação política dos sans-culottes demonstra que eles representaram uma das primeiras formas de organização da classe trabalhadora durante o capitalismo.


Por Tales Pinto
Mestre em História

Representação de um sans-culotte, feita por Louis-Léopold Boilly (1761-1845), com a bandeira tricolor da República Francesa Representação de um sans-culotte, feita por Louis-Léopold Boilly (1761-1845), com a bandeira tricolor da República Francesa
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