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Maurício de Nassau

Maurício de Nassau foi um nome destacado na história brasileira por ter sido governador de Pernambuco durante o domínio holandês no Nordeste. Nassau, no entanto, era alemão, de origem aristocrática e, durante grande parte da sua vida, foi militar. Na década de 1630, ele foi contratado pela Companhia das Índias Ocidentais (WIC, na sigla em holandês) e enviado para governar a colônia holandesa.

Nassau ficou conhecido por realizar uma série de reformas em Pernambuco, sobretudo em Recife. O desgaste da relação de Nassau com a WIC fez com que ele fosse destituído de seu cargo e, poucos anos depois, fosse mandado embora de Pernambuco.

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Juventude e educação de Maurício de Nassau

Maurício de Nassau foi o governador-geral de Pernambuco, de 1637 a 1643.[1]

Johann Moritz von Nassau-Siegen é o nome original (em alemão) e de nascimento de quem conhecemos como Maurício de Nassau. Ele nasceu em Dillenburg, cidade na atual Alemanha, mas que na época fazia parte do Sacro Império Romano-Germânico. Seu nascimento aconteceu no dia 17 de junho de 1604.

Maurício de Nassau era de uma família aristocrática que pertencia à antiga nobreza feudal, mas que, no começo do século XVII, estava em decadência. Seu pai chamava-se João VII, também conhecido como conde de Nassau-Siegen, e sua mãe, uma dinamarquesa, chamava-se Margarida de Schleswig-Holstein-Sonderburg.

Maurício de Nassau foi o primeiro filho do casal João VII e Margarida, de um total de 13 filhos. Ele também tinha outros doze irmãos oriundos do primeiro casamento de João VII. A criação de Maurício de Nassau baseou-se em uma boa educação. Isso aconteceu porque, naquele momento, as aristocracias estavam perdendo antigos privilégios feudais e, então, a educação era uma saída importante para garantir a riqueza dessas famílias.

Até os dez anos, Maurício de Nassau estudou em sua casa com tutores humanistas e, dos dez aos quinze anos, ele passou por diversos locais, estudando em escolas diferentes. Nesse período, ele estudou em muitos países, como Suíça, França e na própria Alemanha, sempre fundado em valores humanistas e calvinistas.

Acesse também: Princípios do calvinismo no contexto da Reforma Protestante

Carreira militar de Maurício de Nassau

Com quinze anos, Maurício de Nassau retornou a Siegen, porque sua família não tinha mais condição de pagar seus estudos, já ele estudava em uma escola muito cara. A partir daí, o alemão partiu à procura de iniciar sua carreira em algum ofício e, por isso, mudou-se para os Países Baixos (conhecemos como Holanda) para morar com seu tio.

O tio de Maurício chamava-se Willem Lodewijk van Nassau e teve influência para que seu sobrinho iniciasse sua carreira como militar. Maurício de Nassau lutou em duas guerras que envolviam os Países Baixos: a Guerra dos Oitenta Anos, travada contra a Espanha pela independência, e a Guerra dos Trinta Anos, travada entre católicos e protestantes na Europa.

Nassau teve muito destaque como militar, foi promovido de patente algumas vezes e venceu batalhas importantes nas guerras em que lutou. Por conta disso, Nassau tornou-se um nome importante e com certo prestígio nos Países Baixos.

Vinda de Maurício de Nassau para o Brasil

Em 1636, Maurício de Nassau recebeu uma oferta para trabalhar no Brasil. Essa oportunidade de trabalho fazia menção a uma vaga disponibilizada pela Companhia das Índias Ocidentais, empresa responsável pela administração da colônia dos holandeses no Brasil – a Capitania de Pernambuco. O fato de um território ocupado pelos portugueses ter parado nas mãos dos holandeses é explicado pela União Ibérica.

A União Ibérica teve início em 1580, quando o trono português foi ocupado pelo rei da Espanha, fazendo com que as colônias que antes eram de Portugal passassem para a posse dos espanhóis. Na época, holandeses e espanhóis estavam em guerra e, em represália aos espanhóis, os holandeses resolveram invadir o Brasil e tomar para si o lucrativo comércio do açúcar.

Ponte da Boa Vista, uma das construções realizadas na gestão de Nassau em Pernambuco.[2]

A indicação de Nassau para assumir o cargo de governador-geral da colônia holandesa foi muito mais uma escolha política do que uma escolha da própria WIC. Isso porque a família de Nassau era influente e tinham muitos parentes nos Países Baixos – além de Nassau prestar grande serviço no exército holandês.

Nassau chegou ao Brasil, em janeiro de 1637, e trouxe consigo funcionários da WIC e muitos cientistas e artistas – ele era aficionado pelas ciências e pelas artes. Entre as principais medidas tomadas por Nassau aqui no Brasil, destacam-se:

  1. Propôs-se recuperar a economia local, procurando compradores para os engenhos locais;

  2. Ampliou o domínio holandês no Nordeste;

  3. Promoveu reformas estruturais em Recife;

  4. Manteve relação pacífica com os indígenas.

Leia também: Palmares: o quilombo que prosperou durante as disputas entre portugueses e holandeses

Retorno de Maurício de Nassau à Europa

Mauritshuis, a casa de Nassau em Haia, nos Países Baixos.

Maurício de Nassau ocupou o cargo de governador-geral da colônia holandesa no Brasil, entre 1637 e 1643, período no qual fez muitas mudanças, mas também foi um período marcado por atritos com a empresa que administrava os negócios holandeses aqui, a WIC. As dificuldades econômicas que a WIC enfrentou foram cruciais para determinar o retorno de Nassau para a Europa.

Em 1643, ele foi demitido de sua função e retornou para a Holanda, voltando a morar em Haia, e levou consigo uma enorme coleção de itens que ele adquiriu no Brasil, como artefatos arqueológicos e obras de arte. O fracasso da WIC também foi o fracasso holandês, pois, a partir de 1640, a União Ibérica teve fim, e os portugueses começaram a organizar-se para reconquistar o Nordeste. Essa missão foi concluída em 1654, ano em que Pernambuco voltou a ser terra dominada por Portugal.

Morte de Maurício de Nassau

Depois de retornar à Europa, Nassau retomou sua carreira militar e lutou novamente pela Guerra dos Trinta Anos. Sua casa, em Haia, ficava ao lado do centro político dos Países Baixos, o que demonstra um interesse dele em manter-se atento ao cenário político holandês. Continuou prosperando no exército e chegou à patente de marechal-em-campo, uma das mais altas do exército holandês.

Foi também governador de províncias do Sacro Império Romano-Germânico e recebeu o título de príncipe do rei Fernando III. Em 20 de dezembro de 1679, faleceu em Cleves. Maurício de Nassau nunca se casou e não teve filhos.

Créditos das imagens

[1] Commons

[2] Helissa Grundemann e Shutterstock

Por Daniel Neves Silva

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