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Ciclo do açúcar

Ciclo do açúcar foi um dos ciclos da economia brasileira e implantado pelos portugueses na década de 1530, quando a política de colonização foi modificada.

Vista de frente de uma plantação de cana-de-açúcar A produção de açúcar no Brasil se deu mediante o cultivo da cana-de-açúcar.

O ciclo do açúcar foi um dos ciclos da economia brasileira, sendo marcado pela produção de açúcar por meio do cultivo da cana-de-açúcar aqui. Essa atividade foi implantada pelos portugueses como parte de uma mudança na política de colonização da América Portuguesa.

O ciclo do açúcar se estendeu até o final do século XVII, quando entrou em decadência e foi substituído pelo ciclo do ouro. A produção do açúcar no Brasil ficou marcada pelo uso intenso da mão de obra escravizada, sendo que, inicialmente, os escravizados eram indígenas, mas progressivamente foram substituídos pelos africanos.

Leia mais: Escravidão — instituição que esteve no Brasil por mais de 300 anos e pela qual nosso país foi construído

Resumo sobre ciclo do açúcar

  • Foi um dos ciclos da economia brasileira, iniciado na década de 1530.

  • Entrou em decadência no final do século XVII e foi substituído em importância pelo ciclo do ouro.

  • Os primeiros locais que prosperaram na produção de açúcar foram São Vicente e Pernambuco.

  • A produção do açúcar era feita no engenho.

  • O trabalho era quase inteiramente realizado por escravizados.

Videoaula sobre economia açucareira

Contexto do ciclo do açúcar

A produção de açúcar foi uma das principais atividades econômicas implantadas pelos portugueses no Brasil durante sua colonização. Por meio dela, a colonização e a ocupação do território brasileiro foram de fato realizadas por Portugal. Ela seguiu como a principal atividade econômica aqui até o final do século XVII.

A implantação do açúcar aqui foi parte de uma mudança na política portuguesa em relação à colônia, pois fez com que iniciativas mais organizadas fossem tomadas para explorar e ocupar a terra. Isso se deveu, principalmente, a dois fatores: a decadência do comércio de especiarias na Índia e as invasões que a América Portuguesa sofria nessa primeira metade do século XVI. Nesse momento era muito comum que os franceses invadissem o território para contrabandear pau-brasil. Assim, Portugal resolveu tirar a colônia de sua posição secundária.

Portugal já tinha experiência com a produção do açúcar em suas ilhas Atlânticas (ilha da Madeira, Açores, Cabo Verde, e São Tomé e Príncipe), e, por conta disso, decidiu trazer essa atividade econômica para o Brasil. Isso porque o açúcar era uma especiaria valiosa cada vez mais consumida na Europa.

Primeiros engenhos de açúcar no Brasil colonial

A primeira vez em que foi cogitado instalar a produção de açúcar no Brasil deu-se em 1516, e essa proposta partiu do próprio rei de Portugal, d. Manuel. Entretanto, os primeiros engenhos só foram instalados aqui na década de 1530, e, segundo as historiadoras Lilia Schwarcz e Heloisa Starling, as primeiras mudas de cana-de-açúcar só chegaram em 1532.|1|

Essas mudas foram plantadas na capitania de São Vicente, onde Martim Afonso construiu o primeiro engenho daquela região. Outros engenhos foram sendo desenvolvidos em outras partes da América Portuguesa, como Pernambuco, Porto Seguro e Ilhéus. A partir daí, essa atividade prosperou no Brasil, embora seus custos iniciais fossem bastante elevados.

Construir e manter um engenho não era algo fácil, pois se tratava de uma atividade de custos altos, e grande parte dos portugueses que se arriscavam nesse empreendimento o fazia por meio de dinheiro emprestado de investidores italianos ou flamengos. De toda forma, os engenhos que mais prosperaram foram os de São Vicente e Pernambuco.

O crescimento da produção de açúcar pode ser identificado pela quantidade de engenhos que se estabeleceram no país ao longo do século XVI. Só na região de São Vicente havia 12 deles no final do século XVI.|2| Já em Pernambuco havia 140 engenhos funcionando no mesmo período.|2| Caso queira saber mais sobre o tema deste tópico, leia: Primeiras lavouras de cana-de-açúcar do Brasil.

Como funcionavam os engenhos de açúcar no Brasil colonial

Primeiramente, o trabalho no processo de produção do açúcar era quase inteiramente realizado por escravizados, com uma parte muito pequena sendo feita por homens livres e assalariados. Inicialmente, a totalidade dos escravizados era indígena, mas, ao longo dos séculos XVI e XVII, isso foi se alterando.

O historiador Boris Fausto apresenta que, em 1574, apenas 7% dos escravizados nos engenhos eram africanos; em 1591, esse número já era de 37%; por fim, em 1638, eles já eram quase a totalidade.|3| Essa transição da mão de obra escravizada dos índios para a dos africanos é explicada por uma vontade política e religiosa da Coroa e dos colonos portugueses.

A produção ocorria no engenho, que reunia todas as instalações necessárias para tanto. Além disso, esse local era formado pela casa-grande, onde o proprietário e sua família moravam, sendo reconhecida como um símbolo do poder das elites coloniais. Por fim, havia também a senzala, onde os escravos eram recolhidos para dormir.

Além disso, o engenho era formado por diferentes instalações, como a moenda, a casa das fornalhas, a casa de purgar. Por fim, havia espaços dedicados a pequenas lavouras de alimentos, além do espaço dedicado ao cultivo da cana-de-açúcar. Os escravos separados para trabalharem na lavoura, na moenda, nas fornalhas e nas caldeiras ficavam com a parte do trabalho mais pesada e perigosa.

Muitas vezes, os senhores de engenho indicavam o trabalho nesses lugares para os escravizados mais rebeldes como forma de punição. Isso porque na moenda era comum que acidentes fizessem-nos perder mão ou braço, e, nas caldeiras e fornalhas, o risco de queimaduras graves acontecerem era alto.

O processo de produção do açúcar pode ser resumido da seguinte maneira:

1. As canas-de-açúcar eram cortadas na lavoura e levadas para a moenda.

2. Na moenda, elas eram moídas para extrair seu caldo.

3. O caldo era então levado para ser cozido em grandes caldeiras e transformado em melaço.

4. Esse melaço era levado para a casa de purgar, onde passava por um processo de branqueamento por 40 dias.

5. Por fim, o açúcar de composição mais clara era separado do mais escuro.

Na Europa, o açúcar branco era mais valorizado e, portanto, revendido a um preço maior. Seu transporte até a Europa era feito por embarcações portuguesas ou holandesas. Além desse produto, os engenhos produziam aguardente, a cachaça, bebida alcoólica que foi bastante usada na compra de escravizados no continente africano.

Leia mais: Ciclo da borracha — existiu no Brasil entre 1880 e 1910, na região amazônica

Fim do ciclo do açúcar

A produção de açúcar no Brasil entrou em decadência na segunda metade do século XVII, e isso teve relação direta com a expulsão dos holandeses do Nordeste brasileiro. Em 1654, os holandeses foram expulsos de Pernambuco, e a região foi retomada por Portugal. Entretanto, havia um forte interesse deles em manter essa atividade econômica.

Ao serem expulsos daqui, eles decidiram estabelecer a atividade em suas colônias no Caribe, e os ingleses e franceses fizeram o mesmo. A grande concorrência internacional fez com que o açúcar brasileiro perdesse sua lucratividade. Esse ciclo se encerrou quando os bandeirantes descobriram ouro em Minas Gerais, dando início ao ciclo do ouro.

Notas

|1| SCHWARCZ, Lilia Moritz e STARLING, Heloisa Murgel. Brasil: uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. p. 54.

|2| Idem, p. 55.

|3| FAUSTO, Boris. História concisa do Brasil. São Paulo: Edusp. 2018. p. 41.

Por Daniel Neves Silva

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