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Cabanagem

Entenda o movimento revoltoso que ocorreu na região norte do Brasil, de 1832 a 1840, conhecido como Cabanagem.

A cabanagem foi uma das principais revoltas do Período Regencial A cabanagem foi uma das principais revoltas do Período Regencial

A Cabanagem, ou Revolta dos Cabanos do Pará, está entre os principais levantes políticos que aconteceram no Brasil Regencial. Ela se enquadra, assim, no contexto de outras revoltas das quais você já deve ter ouvido falar, tais como: Revolta dos Malês, Revolta Farroupilha, Revolta da Balaiada no Maranhão e Revolta da Sabinada na Bahia.

A Cabanagem ocorreu entre os anos de 1832 e 1840 e, de modo semelhante às outras revoltas que ocorreram no mesmo período, tinha como principal motivação o fato de dom Pedro I ter abdicado do trono. Com a saída do imperador do Brasil, várias províncias passaram a rebelar-se contra o poder instituído na capital, Rio de Janeiro. Os encarregados da Regência de Dom Pedro II, que ainda era uma criança quando do afastamento do pai, procuravam exercer forte influência na administração das províncias.

Entretanto, em uma região como a do Pará, que estava, em grande medida, isolada do restante do país, o alcance da influência do Rio de Janeiro não era tão preciso. Veja o que destaca o historiador Boris fausto em seu livro História do Brasil:

A cabanagem explodiu no Pará, região frouxamente ligada ao Rio de janeiro. A estrutura social não tinha aí a estabilidade de outras províncias, nem havia uma classe de proprietários rurais bem estabelecida. Em um mundo de índios, mestiços, trabalhadores escravos ou dependentes e uma minoria branca, formada por comerciantes portugueses e uns poucos ingleses e franceses.” [1]

Grande parte dos envolvidos na revolta morava em cabanas, à beira dos rios, por isso recebeu a alcunha de cabanos. Os cabanos insurgiram-se contra o governador da Província, cuja sede era em Belém, em 1832. Não havia reconhecimento das autoridades ligadas à Regência. Em 1835, os insurgentes invadiram e ocuparam a cidade de Belém. Um dos principais líderes, nesse momento, era o seringueiro cearense Eduardo Angelim, migrante da seca do Nordeste que se instalou no Pará para trabalhar na extração da borracha.

A partir desse evento em 1835, os revoltosos empreenderam uma guerra contra as forças da Regência que durou até 1840. Entretanto, no tempo em que assumiram o controle da província, não houve um desenvolvimento claro em termos administrativos e de reformas sociais. Ainda segundo o historiador Boris Fausto:

“Os cabanos não chegaram a oferecer uma organização alternativa ao Pará, concentrando-se no ataque aos estrangeiros, aos maçons, e na defesa da religião católica, dos Brasileiros, de dom Pedro, do Pará e da liberdade. É curiosos observar que, embora entre os cabanos existissem muitos escravos, a escravidão não foi abolida. Uma insurreição de escravos foi mesmo reprimida por Angelim. Como se vê, aparecem na Cabanagem paraense alguns traços já encontrados na Guerra dos Cabanos de Pernambuco, embora entre os dois movimentos tenha havido apenas uma relação de nome.” [2]

Nesse conflito, cerca de 30 mil pessoas morreram, e venceram as tropas legalistas ligadas à Regência. A cidade de Belém foi praticamente destruída por inteiro.

NOTAS

[1] FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: EDUSP, 2013. p. 143.
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[2] Idem. p. 143.

 

Aproveite para conferir a nossa videoaula relacionada ao assunto:

Por Cláudio Fernandes

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