Revolta Farroupilha (1835-1845)

  • Atualmente 5/5 Estrelas.
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4
  • 5
Revolta Farroupilha (1835-1845) A Batalha de Farrapos, obra de José Wasth Rodrigues (1891-1957) retratando o conflito no sul do Brasil
PUBLICIDADE

Dentre as revoltas que ocorreram durante o Período Regencial, a Revolta Farroupilha (ou Guerra dos Farrapos) foi a mais longa. Ocorrida entre 1835 e 1845, a revolta levou as províncias do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina a proclamarem duas repúblicas independentes do governo imperial.

A origem do conflito estava na insatisfação dos proprietários rurais gaúchos que administravam a produção de charque (carne-seca), gado e couro, e foram obrigados a pagar um imposto de 25% sobre essas mercadorias. Por outro lado, as mesmas mercadorias que eram produzidas na Argentina e no Uruguai pagavam uma taxa de impostos muito menor, de 4%.

Essa situação indignou os estancieiros, os criadores gaúchos de gado. Mas não eram apenas os impostos que incomodavam os gaúchos. Eles pretendiam também conquistar maior autonomia política para as províncias, o que garantiu um apoio popular. A revolta teve início em 1835, quando as tropas lideradas pelo rico estancieiro Bento Gonçalves tiraram do poder o presidente da província, nomeado pelo governo central. Ao ocupar Porto Alegre, os rebeldes proclamaram a República de Piratini, ou República Rio-grandense.

O caráter republicano ajuda o leitor a entender por que a revolta ganhou o nome de Revolta Farroupilha. Farroupilha, ou farrapos, era o nome dado aos liberais radicais republicanos que se identificavam com os sans-culottes da Revolução Francesa. Os sans-culottes eram revolucionários populares que se distinguiam da elite por suas roupas, calças longas e de tecidos de baixa qualidade. Daí o surgimento dos termos farrapos e farroupilhas.

O ideal republicano atraiu outras pessoas na luta contra o governo central do Império. Um deles era o italiano Giuseppe Garibaldi, que havia fugido da Itália por motivos políticos. Em conjunto com David Canabarro, Garibaldi liderou a invasão de Laguna, em Santa Catarina, e proclamaram a República Juliana, em julho de 1839. O objetivo era formar uma confederação entre as duas repúblicas.

Entretanto, o governo central do Império não aceitava que essas províncias se separassem do Brasil. Inicialmente foram tentados acordos diplomáticos para pôr fim à revolta. Mas as medidas não tiveram sucesso. O resulto foi uma guerra que durou dez anos.

A Revolta Farroupilha somente teve fim em 1845, já no reinado de D. Pedro II, quando as tropas lideradas por Luís Alves de Lima e Sobrinha, o Barão de Caxias, conseguiram vencer o movimento. O principal meio utilizado pelo Barão de Caxias para conter a revolta foi explorar as diferenças entre moderados e radicais. Aproximando-se dos moderados, o Barão de Caxias conseguiu isolar os radicais.

O governo central tentou também conter a revolta com o aumento do imposto do charque estrangeiro em 25%. O governo adotou tal medida por não ter uma força militar forte o suficiente para acabar rapidamente com a revolta.

Em 1845, as duas partes em conflito assinaram o Convênio de Ponche Verde, que estabeleceu o fim do conflito, sem punir os revoltosos. Parte dos farrapos foi incorporada ao exército imperial, sendo que os escravos que lutaram ao lado dos farrapos foram libertos e as terras confiscadas durante a revolução foram devolvidas a seus donos.

Giuseppe Garibaldi e sua mulher brasileira, Anita Garibaldi, foram para Montevidéu, no Uruguai. De lá, os dois dirigiram-se para a Itália, onde cumpriram um papel de destaque nas lutas pela Unificação Italiana.


Por Tales Pinto
Graduado em História

Avaliação

10.0

    Escola Kids