Guerra da Bósnia

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Guerra da Bósnia Soldados do Exército Bósnio lutando na cidade de Mostar, em 1993*
Por Daniel Neves Silva
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A Guerra da Bósnia foi um conflito que aconteceu na região da Bósnia-Herzegovina entre 1992 e 1995, durante o processo de independência desse país e de fragmentação da antiga Iugoslávia. Esse conflito também foi motivado pelos ressentimentos existentes entre as diferentes etnias que habitavam a região (bosníacos, sérvios e croatas). Durante essa guerra, registraram-se crimes contra a humanidade e a morte de 100 mil pessoas, aproximadamente.

Histórico da Iugoslávia

Historicamente, a Iugoslávia foi uma nação em que havia grande variedade étnica e religiosa. Os principais grupos que habitavam a região eram os bosníacos (bósnios muçulmanos), os sérvios ortodoxos e os croatas católicos. A coexistência entre esses grupos foi marcada por inúmeras turbulências, e as guerras da década de 1990 foram consequência da intolerância já existente entre esses grupos.

Essa intolerância étnica e religiosa foi agravada ao longo da história da Iugoslávia, principalmente no século XX. A formação desse país ocorreu em 1918, com a criação do Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos. Em 1929, esse território alterou seu nome para Reino da Iugoslávia, que era controlado pela elite dos sérvios ortodoxos.

Esse domínio dos sérvios sobre a região não agradava, por exemplo, os croatas que, desde o século XIX, lutavam pela sua emancipação e para livrarem-se do governo controlado pelos sérvios, os quais eram encarados como opressores. Esse ressentimento croata com o domínio sérvio levou à formação de um nacionalismo extremo que desembocou em um governo totalitário na região, entre 1941 e 1945.

A partir de 1945, o controle da Iugoslávia esteve nas mãos dos comunistas liderados pelo general Josip Broz Tito, que exerceu um domínio ditatorial sobre a Iugoslávia e manteve a intolerância étnica e religiosa existente na região sob controle. A morte de Tito (em 1980), aliada ao desmoronamento do bloco socialista no Leste Europeu, fez com que os ressentimentos étnicos e nacionalismos extremos ganhassem força durante a década de 1980.

Pelo fato de o debate político na Iugoslávia, naquela década, ter sido pautado pela questão nacionalista, surgiram lideranças que passaram a defender os interesses de sua própria etnia, com prejuízo para as outras. Parte desses líderes políticos passou a alimentar ideais separatistas, e essa foi a principal razão para os diferentes conflitos que eclodiram na região durante essa época.

Fragmentação da Iugoslávia

No início da década de 1990, os primeiros países a declarar sua independência da Iugoslávia foram Eslovênia e Croácia. O processo de independência desses países provocou conflitos contra o governo iugoslavo e a população sérvia. A partir da independência desses dois países, acirraram-se também os ânimos na Bósnia na sua luta por emancipação.

O desejo dos bosníacos pela independência era manifestado pelo presidente do país, Alija Izetbegovic. O movimento de independência da Bósnia, no entanto, não agradava a população bósnia de origem étnica sérvia. A animosidade sérvia era representada por seu líder, Radovan Karadzic, que afirmava abertamente que a independência da Bósnia seria respondida com guerra. Isso porque os sérvios defendiam a vinculação da Bósnia com a Sérvia para formar a “Grande Sérvia”.

A Bósnia declarou sua independência em março de 1992, e sua soberania foi reconhecida internacionalmente. Os sérvios, conforme havia prometido Karadzic, responderam essa declaração de independência com fogo e iniciaram os ataques contra cidadãos bosníacos na cidade de Sarajevo (capital da Bósnia).

Com os ataques promovidos pelos sérvios, a guerra espalhou-se por todo o país, com a organização do Exército da República Sérvia e de várias milícias pequenas, como os Tigres de Arkan. Os ataques das tropas sérvias concentravam-se nos locais habitados por bosníacos, promovendo uma limpeza étnica (extermínio da etnia) nessas regiões. As milícias sérvias também desenvolveram campos de concentração para os bosníacos e violentaram milhares de mulheres.

Um exemplo da atuação dos exércitos sérvios ocorreu em Srebrenica, localidade invadida em 1995 por tropas sérvias, que executaram sistematicamente cerca de 8 mil pessoas. Outra catástrofe característica desse conflito foram os mais de 40 meses em que a cidade de Sarajevo esteve sob cerco dos sérvios. Nesse episódio, o exército sérvio recebeu autorização para matar civis que transitavam pelas ruas da cidade.

Os bósnios organizaram-se em torno do Exército da República da Bósnia e Herzegovina e contaram com grande ajuda dos países muçulmanos, que lhe enviaram armamentos e soldados para lutar contra os sérvios. Durante essa guerra, também houve ataques contra a população sérvia, porém cometidos em menor proporção, se comparados aos ataques feitos contra os bosníacos.

O isolamento internacional da Sérvia nesse conflito levou Radovan Karadzic a negociar o cessar-fogo em 1995. Essa negociação ficou conhecida como Acordo de Dayton. Também foi estabelecida a divisão da Bósnia em duas unidades autônomas, cada qual dedicada às diferentes etnias. Muitos dos responsáveis por crimes de guerra, durante esse período, foram julgados em tribunais internacionais.

*Créditos da imagem: Northfoto e Shutterstock.

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