Características da prosa e da poesia

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Características da prosa e da poesia Um dos elementos que as diferencia é a subjetividade, baseada no próprio “eu” do escritor.
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Será mesmo que poesia é tudo aquilo que escrevemos em verso e prosa é aquilo não se escreve desta forma? Pois bem, chegou o momento de aprendermos um pouco mais sobre as diferenças existentes entre estas duas modalidades.
Para isto, iremos observar este primeiro exemplo:


DORME RUAZINHA… É TUDO ESCURO!…



Dorme ruazinha… É tudo escuro…
E os meus passos, quem é que pode ouvi-los?
Dorme teu sono sossegado e puro,
Com teus lampiões, com teus jardins tranquilos…

Dorme… Não há ladrões, eu te asseguro…
Nem guardas para acaso perseguí-los…
Na noite alta, como sobre um muro,
As estrelinhas cantam como grilos…

O vento está dormindo na calçada,
O vento enovelou-se como um cão…
Dorme, ruazinha… Não há nada…

Só os meus passos… Mas tão leves são,
Que até parecem, pela madrugada,
Os da minha futura assombração…


Mário Quintana

 Do livro: Antologia poética para a infância e a juventude, Ed. Henriqueta Lisboa, Rio de janeiro, INL:1961.

 
Segundo exemplo:

A bela adormecida    



Era uma vez... um rei e uma rainha que desejavam muito ter um bebê. Um dia nasceu uma menina, a princesa tão desejada.

Quando ela completou um ano, o rei ofereceu uma festa convidando o dono das terras vizinhas, com seu pequeno filho.

Durante a festa, chegaram três fadas para presentear a princesa. A primeira lhe desejou beleza; a segunda lhe desejou formosura. Mas antes que a terceira pudesse dizer seu desejo, apareceu uma feiticeira e rogou uma praga:

- Quando completares 15 anos, menina, hás de espetar teu dedo num fuso e hás de morrer.

E, dizendo isso, desapareceu.

Diante do espanto de todos, a terceira fada falou:

- Não, a princesa não vai morrer. Cairá em sono profundo, porque esse é o meu desejo, e despertará, depois, com um beijo de amor.

O rei ficou muito assustado e ordenou que queimassem todas as rocas do reino pra livrar a princesa da maldição da bruxa.

Tempos depois... a jovem, que já tinha completado 15 anos, possuía todas as virtudes concedidas pelas fadas e era amada por todos. Um dia passeando pelo castelo chegou até a torre mais alta. Quando abriu a porta, deparou-se com uma velha fiando linho. Era a feiticeira, disfarçada.

A princesa ficou muito interessada, pois nunca tinha visto uma máquina como aquela e quis fiar também. Ao tentar, furou o dedo e logo adormeceu. O mesmo aconteceu com todos os habitantes do castelo.

As fadas logo, logo, ficaram sabendo do que tinha acontecido e correram para o castelo e levaram a princesa para seus aposentos. O príncipe foi logo, logo, avisado do que acontecera.

E a bruxa, sabendo que o príncipe tentaria salvar a jovem, quis esconder o castelo e fez crescer ao redor dele uma floresta, assim, de repente, num passe de mágica.

O príncipe partiu imediatamente pra salvar a princesa. Mas, ao chegar, deparou-se com a floresta fechando todos os caminhos. Desorientado, ele não sabia mais o que fazer, lembrou-se então das fadas e pediu-lhes ajuda. Estas fizeram então aparecer em suas mãos um machado.

E foi com ele que o príncipe abriu caminho e pôde entrar no castelo. Chegou à torre, aproximou-se da princesa e a beijou. Ela despertou, linda, linda!.

Iniciava-se assim uma nova era de felicidade pra todos.


Irmãos Grimm

No primeiro texto, percebemos que a emoção, os sentimentos estão à flor da pele, não é verdade? É exatamente por este motivo que o classificamos como “poesia”, pois o autor, no caso, Mário Quintana – um importante poeta, fala da realidade de dentro para fora. Isto quer dizer que cada leitor pode interpretá-la de modo diferente, pois ela se constitui de um aspecto único – a subjetividade, ou seja, as diferentes opiniões que as pessoas possuem sobre um determinado assunto. Outro fator de extrema importância é que na poesia não há uma sequência contínua, expressa pelo começo, meio e fim. Percebeu as reticências? Elas existem para que cada um de nós a interpretemos à nossa maneira.
Não nos esquecendo também das rimas, da sonoridade, enfim, de toda magia que ela nos transmite, não é mesmo?

Já no segundo exemplo, percebemos que apesar de não ser uma história verdadeira, ela tem uma lógica mais completa, pois o desenrolar dos acontecimentos acompanha uma sequência (começo, meio e fim). Outro aspecto é que o autor escreve a partir da sua observação de fora para dentro, por isso podemos considerar que se trata de um texto totalmente objetivo, pois ele não permite que façamos múltiplas interpretações, somente uma.

Percebeu como fica fácil diferenciarmos? De agora em diante é bem possível que você não tenha mais dúvidas, certo?


Por Vânia Duarte
Graduada em Letras
Equipe Escola Kids
 

Avaliação

7.8

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