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Existe certo e errado quando o assunto é a linguagem?

Conheça as particularidades da linguagem e descubra o que é a adequação linguística.

Quando o assunto é a linguagem, é comum os debates acontecerem. E não é menos comum expressões como: “Fulano fala tudo errado”, “Não podemos usar gírias”, “Que região do Brasil fala o português mais correto”? A fim de eliminarmos estas dúvidas, analisaremos a seguir, alguns conceitos.

Toda língua possui o seu código (conjunto de sinais convencionados) e é imprescindível que os interlocutores o compartilhem, para que a comunicação aconteça. Por exemplo, o brasileiro tem costume de cumprimentar apertando a mão uns dos outros. Para nós, isso é normal e não causa nenhuma estranheza. Entretanto, o asiático não compartilha desse código. Para eles, o cumprimento acontece inclinando-se levemente para frente. Logo, haverá problemas na comunicação entre um brasileiro e um asiático quando ambos desconhecem o código um do outro.

Além do código de sinais, há aquele formado por palavras e leis combinatórias, a Língua. No nosso caso, usamos a Língua Portuguesa. As leis combinatórias chegam até nós de forma espontânea, por exemplo, “quebrou cadeira menino o” é uma construção totalmente atípica e qualquer um sabe que não faz sentido. Por que sabemos disso? Em virtude das leis combinatórias. Utilizando-as o enunciado passará a fazer sentido: “O menino quebrou a cadeira”.

Sempre que utilizamos a linguagem objetivamos a comunicação, no entanto, é importante entender que a linguagem não transmite apenas nossas ideias, mas transmite diversas informações sobre nós. 

A língua também é um fator social, através dela é possível saber a região de origem, a “tribo”, grau de escolaridade etc.

Diante disso, o que fazer para usar a linguagem a favor e não contra o falante? É importante entender que o conceito de certo e errado deve ser substituído pelo de adequado e inadequado. Então, na hora de escolher a variante é preciso perguntar se ela está adequada ao interlocutor, à situação de comunicação etc. Tentando esclarecer essa questão, imagine a seguinte situação: Ao meio dia, alguém aparece na praia com um lindo vestido longo, preto, com alguns bordados, salto alto, maquiagem bem feita e um penteado feito no melhor salão da cidade. Assim que ela chega, as pessoas estranham e começam a comentar, algumas riem, outras abaixam a cabeça...

Há algum problema com a roupa da personagem ou com os acessórios? Não. Então, por que as pessoas começam a rir, estranhar, tentar entender? Pelo local, não é? Em geral, para frequentar a praia existem algumas convenções que indicam o que está adequado ou não. Neste caso, a roupa não está adequada ao local. Logo, o problema não é a roupa, mas onde ela foi utilizada.

Agora imagine outra situação: Um jovem apaixonado resolve enviar um bilhete para sua namorada e escreve:

“Excelentíssima senhorita:

Venho por meio desta expressar-lhe todo o meu amor. Peço-lhe humildemente que recebas estas flores como sinal de meu apreço e de minha admiração.

Despeço-me,

Atenciosamente,

Seu amado.”

Há algum problema no bilhete enviado pelo rapaz? Não, demonstra, inclusive, grande conhecimento da linguagem padrão. Mas por que gera estranheza? O grau de formalismo do bilhete e o tipo de relacionamento entre os interlocutores, não é? O que esses exemplos pretendem mostrar? A importância de adequar a linguagem ao contexto. Percebemos que mesmo usando a linguagem padrão, o texto pode estar inadequado.

Da mesma forma que para cada ocasião devemos escolher uma roupa, para cada contexto é preciso escolher uma linguagem. Diante disso, não há uma região que fale mais certo do que outra, nem existe uma proibição do uso da gíria. Entretanto, é preciso entender que há contextos que vão exigir um grau maior ou menor de formalidade.  Então, para que a linguagem seja usada a favor do falante, é necessário adequar-se.


Por Mayra Pavan
Graduada em Letras

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