História

Em que consiste a investigação histórica?

Saiba o porquê da importância da investigação histórica a partir de uma comparação com a investigação criminal.

Sherlock Holmes, personagem criada pelo escritor inglês Arthur C. Doyle no século XIX, se converteu em modelo de investigador*

A história policial é um dos gêneros literários de maior popularidade ao longo da história da literatura. A personagem criada pelo escritor inglês Sir Arthur Conan Doyle, Sherlock Holmes, é, sem dúvida, a mais popular dentre as histórias de investigação criminal. As variações desse gênero de história no âmbito do cinema e da televisão também conquistaram muitos espectadores de uns tempos para cá. Pois bem, você sabia que, em grande parte, o trabalho do historiador também se assemelha ao do policial investigador?

O policial, sobretudo aquele que é encarregado de solucionar crimes de morte, ou homicídios, estabelece seus critérios de investigação a partir da avaliação de relatos das testemunhas que presenciaram o crime e, principalmente, por meio dos vestígios que o crime tiver deixado. A própria palavra “investigação” significa “ir aos vestígios”, lançar-se sobre os sinais deixados.

Da mesma forma, o historiador, para estudar o passado e compreendê-lo de forma satisfatória, precisa lidar com uma multiplicidade enorme de fragmentos, de vestígios, que as civilizações produziram ao longo de sua história. A diferença é que, ao contrário de crimes, a investigação histórica abrange todos os aspectos da ação humana, desde a forma como as pessoas da Grécia Antiga se vestiam até o tipo de cirurgia que se fazia no Brasil do século XVIII.

Um exemplo simples pode facilitar a compreensão: imagine que você esteja andando no interior da Península Itálica e, de repente, depara-se com uma pedra onde se lê a inscrição esculpida: “LEG X FLO”. A aparência indica que a pedra não foi esculpida recentemente, pelo contrário, parece que o que ali se lê foi escrito há mais de mil anos. Pois então, um historiador especializado na história da antiga civilização romana, ao se deparar com uma pedra como essa, imediatamente saberá que se trata de uma demarcação de território, em latim, da antiga Legião (LEG) Décima (X) do general Floro (FLO), do antigo Império Romano. Repare que, aos olhos de alguém que não está familiarizado com técnicas de investigação histórica, a tal pedra é apenas um objeto antigo com uma estranha inscrição; aos olhos de um especialista, torna-se um preciosíssimo achado histórico.

Há alguns historiadores que, no esforço de compreenderem seu trabalho, a natureza de sua ciência, frequentemente estabelecem essa comparação entre investigação histórica e investigação criminal. Um dos mais notáveis é o italiano Carlo Ginzburg, cujos livros acabaram por se tornar sucessos de venda entre o público não especializado em história, pois sua narrativa possui um estreito vínculo com as narrativas das histórias policiais, tais como as aventuras de Sherlock Holmes.

A investigação histórica, portanto, quando comparada ao trabalho do investigador criminal, acentua a importância e a consistência dos métodos utilizados pelo historiador. Assim como o policial, o historiador não pode comprometer os vestígios do passado ou ocultar fontes decisivas para seu trabalho. A investigação histórica consiste, essencialmente, em lidar com os vestígios da ação humana passada e apresentá-los ao espectadores presentes de forma responsável, clara e interessante.

*Crédito da imagem: Shutterstock e Olga Papova


Por Me. Cláudio Fernandes

Por Escola Kids

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