Tenentismo

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Tenentismo A primeira revolta tenentista aconteceu no Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro, em 1922
Por Daniel Neves Silva
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O tenentismo foi um movimento político e militar organizado por oficiais do exército brasileiro durante a década de 1920. Esse movimento era composto por jovens tenentes e capitães que estavam insatisfeitos com os rumos da política brasileira praticada no período da Primeira República. O grande alvo dos tenentistas eram as oligarquias que controlavam o funcionamento da política nesse período.

O surgimento do tenentismo contribuiu para o desgaste do regime político da Primeira República na década de 1920. Esse grupo surgiu durante o processo eleitoral para a escolha do presidente nas eleições de 1922. Nessa eleição, as oligarquias de São Paulo e Minas Gerais lançaram Artur Bernardes como candidato à presidência, que concorreu com Nilo Peçanha, representante da aliança das oligarquias de Rio grande do Sul, Rio de Janeiro, Bahia e Pernambuco.

A candidatura de Nilo Peçanha ficou conhecida como Reação Republicana e teve como principal alvo conquistar o voto dos eleitores urbanos. A campanha eleitoral de Nilo Peçanha defendia o controle financeiro para impedir o crescimento da inflação, além de atacar o federalismo brasileiro e a excessiva valorização dada ao café na economia brasileira.

Foi durante essa campanha eleitoral que a relação dos tenentes com Artur Bernardes e as oligarquias que o apoiavam desgastou-se. Em outubro de 1921, foram divulgadas supostas cartas escritas por Artur Bernardes nas quais ele fazia críticas a Hermes da Fonseca e ao Clube Militar. As cartas eram falsas, conforme se descobriu mais tarde, no entanto, o estrago já estava feito.

A relação dos tenentes com o governo azedou de vez quando o presidente Epitácio Pessoa ordenou o fechamento do Clube Militar, localizado no Rio de Janeiro, e a prisão de Hermes da Fonseca. A ordem do presidente foi em represália às críticas dos militares contra medidas do governo vigente (que apoiava a candidatura de Artur Bernardes). A partir daí, surgiu o tenentismo enquanto movimento político e militar.

A atuação dos tenentistas ocorreu entre 1922 e 1927 e, durante esse período, os tenentistas realizaram diversas revoltas em diferentes partes do Brasil. Podemos citar como exemplos:

  • Revolta do Forte de Copacabana: aconteceu em 1922, no Forte de Copacabana, no Rio de Janeiro;

  • Revolta Paulista de 1924: aconteceu em 1924, no estado de São Paulo. Os tenentistas rebelados chegaram a controlar a cidade de São Paulo por algumas semanas;

  • Coluna Prestes: surgiu da junção dos tenentistas rebelados em São Paulo com os tenentistas rebelados no Rio Grande do Sul. Esse movimento atuou entre 1925 e 1927 e marchou por mais de 25 mil quilômetros no interior do Brasil.

Quais eram os ideais dos tenentistas?

A primeira consideração a ser feita a respeito da ideologia dos tenentistas é de que eles eram terminantemente contra o regime político existente na Primeira República, pois alegavam que os grandes males do Brasil, sobretudo a desigualdade social, resultavam da política inapropriada praticada pelas oligarquias, sobretudo as mais poderosas, São Paulo e Minas Gerais.

O tenentismo é considerado pelos historiadores como um movimento salvacionista, pois os tenentistas colocavam-se como salvadores da República brasileira. A insatisfação dos tenentistas não estava reclusa a apenas questões sociais e políticas, mas também a questões internas da própria corporação, uma vez que consideravam estar destinados a salvar a honra dos militares no Brasil.

Os tenentistas criticavam o federalismo, pois afirmavam que esse sistema possibilitava o fortalecimento das oligarquias, como as citadas oligarquias de São Paulo e Minas Gerais. Tinham ideologias liberais para a economia do país, mas, em questões políticas, defendiam a imposição de uma República autoritária. Isso é visto pelos historiadores como algo contraditório, uma vez que a tradição liberal é defensora árdua das liberdades individuais e de um sistema democrático.

Além de defensores do liberalismo, havia dentro do tenentismo militares que se alinhavam com outros ideais, tais como os ideais de esquerda. Luís Carlos Prestes é um grande exemplo disso, uma vez que, anos depois de participar da Coluna Prestes, anunciou que havia se tornado comunista. No campo da economia, os tenentistas defendiam a modernização e industrialização do Brasil para combater a dependência excessiva do café.

Por fim, defendiam reformas no sistema eleitoral brasileiro, a obrigatoriedade do ensino no Brasil e criticavam constantemente a desigualdade social. A atuação dos tenentistas foi desorganizada, uma vez que agiram mais no impulso e, assim, não chegaram a organizar um projeto político de ascensão ao poder de maneira democrática. Estiveram no centro da crise que causou o fim da Primeira República a partir da Revolução de 1930.

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