União Ibérica

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União Ibérica Filipe II da Espanha foi o rei que ocupou o trono português em 1580 e deu início à União Ibérica.
Por Daniel Neves Silva
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O que foi a União Ibérica?

União Ibérica é o nome que os historiadores modernos deram à união das Coroas de Portugal e Espanha que aconteceu entre 1580 e 1640. Com essa união, a dinastia de Avis (dinastia que governou Portugal de 1385 a 1580) teve fim e todo o Império Português passou a ser parte do Império Espanhol. A grande consequência disso para o Brasil foi a invasão do Nordeste pelos holandeses.

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A crise dinástica

A União Ibérica foi resultado da crise da dinastia de Avis que ocorreu no final da década de 1570. Tudo começou com o desaparecimento do rei D. Sebastião durante a batalha de Alcácer-Quibir, travada entre o reino de Portugal e os mouros no Marrocos em 1578. Como nunca foi encontrado o corpo de D. Sebastião, acredita-se que o rei português tenha morrido durante a luta.

Como D. Sebastião não possuía herdeiros diretos, o trono português foi ocupado por seu tio-avô D. Henrique. No entanto, D. Henrique faleceu em 1580, e, como também não possuía herdeiros diretos ao trono português, foi iniciada uma crise dinástica. Dessa crise surgiram três pretendentes:

  • Catarina de Portugal

  • Antônio, o prior de Crato

  • Filipe II da Espanha.

Filipe II era o rei da Espanha e, por ser um poderoso monarca, possuía grande apoio e respaldo da nobreza e da burguesia de Portugal. Apoiando-se nesse respaldo e no seu poder militar oriundo da Espanha, Filipe II invadiu Portugal, prevaleceu em combate e, por isso, foi coroado Filipe I de Portugal. Com isso, as Coroas de Espanha e Portugal estavam unidas sob a autoridade do mesmo rei.

A administração realizada por Filipe sobre os territórios de Portugal primou-se pela política de mantê-la como responsabilidade portuguesa. Com isso, Filipe evitou atritos com os portugueses, e os cargos administrativos mais importantes foram mantidos sob responsabilidade daqueles que já possuíam o cargo antes da coroação de Filipe.

Da União Ibérica, podem ser destacadas duas grandes consequências para a história do Brasil enquanto colônia. Primeiro, houve a invasão do Nordeste pelos holandeses durante parte considerável do século XVIII. Segundo, com o fim das restrições do Tratado de Tordesilhas, os colonos portugueses expandiram-se para outros territórios, o que levou, em longo prazo, à ampliação do território dominado pelos portugueses.

A invasão holandesa do Nordeste

A grande consequência da União Ibérica foram as investidas holandesas sobre o Nordeste brasileiro. Isso era resultado da inimizade existente entre os Países Baixos (representado aqui pela Holanda) e a Espanha, fruto da guerra de independência travada pelos holandeses contra os espanhóis que ficou conhecida como Guerra dos Oitenta Anos.

A princípio, antes da unificação das coroas, os holandeses já possuíam participação na comercialização do açúcar produzido aqui no Brasil. Quando a União Ibérica iniciou-se, a forma que os holandeses encontraram para atingir os espanhóis como represália pela guerra em curso foi atacar o Brasil e outras posses portuguesas para tomar o controle da produção e comercialização do açúcar.

Por isso, os holandeses atacaram a costa da África em 1595 e atacaram Salvador em três momentos: 1604, 1624 e 1627. A última investida dos holandeses foi contra a região de Pernambuco, e, assim, em 1630, Olinda e Recife foram atacadas e dominadas pelos holandeses durante 24 anos.

O domínio dos holandeses encontrou seu auge durante a regência de Maurício de Nassau, enviado pelas autoridades holandesas para reconstruir a região. Nassau incentivou a liberdade religiosa e o desenvolvimento das artes, assim como autorizou uma série de obras públicas pela cidade. O domínio de Nassau estendeu-se até 1644.

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Fim da União Ibérica

O domínio dos espanhóis na dita União Ibérica teve fim com o processo de Restauração Portuguesa. Durante esse processo, os portugueses iniciaram luta para retomar o controle de seu território e pôr fim ao domínio dos espanhóis. A guerra travada contra os espanhóis resultou na coroação de D. João IV, o que marcou o início da dinastia de Bragança.

Após retomarem o controle do trono, os portugueses organizaram esforços para retomar Pernambuco. Isso deu início ao que ficou conhecido como Guerras Brasílicas e resultou na expulsão definitiva dos holandeses de Pernambuco em 1654.

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