Plano Marshall

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Plano Marshall O Plano Marshall forneceu apoio econômico a muitas das nações afetadas pela Segunda Guerra
Por Cláudio Fernandes
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Sabemos que, após a Segunda Guerra Mundial, a situação de muitos países do continente europeu era absolutamente crítica. Além das vultosas perdas humanas que a guerra produziu, a destruição de cidades inteiras, a ruína econômica e a desagregação social levaram os sobreviventes a condições de vida lastimáveis. A fome foi o primeiro grande problema enfrentado pelos europeus após 1945. Esse cenário catastrófico exigiu uma estratégia para promover a recuperação desses países. Essa estratégia foi proposta por um general dos Estados Unidos chamado de George Marshall e, por isso, ficou conhecida como “Plano Marshall”.

O Plano Marshall tinha, portanto, como objetivo principal a reconstrução da Europa – ou, ao menos, da Europa Ocidental. Calcula-se que o valor empregado pelos americanos nesse processo de reconstrução foi de aproximadamente 12,6 bilhões de dólares entre 1948 e 1952. Além da reconstrução das cidades, no auxílio do Plano Marshall, estava incluso o envio de alimentos, produtos industriais e matérias-primas. Em contrapartida, as exigências que os americanos fizeram aos europeus foram: estabilização da moeda e a integração e cooperação entre os países – como forma de prevenção contra novas formações nacionalistas totalitárias, tais como o nazismo.

Deve-se ressaltar que os países que mais se beneficiaram do auxílio fornecido pelo plano Marshall foram a Grã-Bretanha, a França e a Holanda. A parte atribuída à Alemanha, menos da metade da que coube à Grã-Bretanha, foi relativamente modesta. Esse plano, inicialmente, foi proposto também aos soviéticos, como bem destaca o historiador Norman Davies:

O discurso original do Marshall convidava explicitamente a URSS a participar. Porém, tal como Kennan previa, Stalin recusou – não sem antes incumbir Molotov de investigar os pormenores. Impediu também a Polônia e a Checoslováquia de estarem presentes na conferência de Paris, em que o funcionamento do plano ficaria definido. A URSS compensaria a sua economia exigindo fornecimentos a pressos irrisórios a todos os Estados-satélites. [1]

O trecho acima faz referência ao convite à URSS feito pelas autoridades americanas para que também participasse do Plano Marshall. O principal representante soviético para essas questões na época era o Ministro das Relações Exteriores, Viatcheslav Molotov, que não chegou a fazer as negociações com os EUA em virtude da pronta recusa de Stalin. O problema maior por trás dessa recusa era a profunda divergência ideológica entre a União Soviética, de expressão comunista, e os EUA, marcadamente liberais e democráticos.

Em 1947, o presidente dos EUA, H. Truman, já havia deixado claro sua preocupação com a possível expansão do comunismo soviético pelo continente europeu após a guerra. Stalin, por sua vez, via no Plano Marshall uma estratégia americana para promover a hegemonia ocidental sobre a Europa. Em dada medida, esse era mesmo um dos efeitos colaterais do plano de reconstrução: impedir o avanço do comunismo. Como resposta ao Plano Marshall, Stalin pressionou os países-satélites da URSS, como a Checoslováquia, onde, apesar da liberdade política, vigorava ampla tendência comunista, a não aderirem ao plano dos americanos.

Outra estratégia de Stalin foi a criação de organismos como o Comecon (Conselho mútuo para assistência econômica), que tinha como objetivo promover a reconstrução dos países do leste europeu afetados pela guerra, e o Cominform (Escritório de Informação dos Partidos Comunistas Operários), que atuaria na política externa soviética como forma de bloquear a influência ideológica americana. Nasciam, assim, as bases para a Guerra Fria e sua consequente polarização do mundo.

NOTAS

[1] DAVIES, Norman. A Europa em Guerra. Lisboa: Edições 70, 2006. p. 229.


Por Me. Cláudio Fernandes

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