Coluna Prestes

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Coluna Prestes Alto comando da Coluna Prestes em uma fota tirada em 1925.*
Por Daniel Neves Silva
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O que foi a Coluna Prestes?

A Coluna Prestes foi um movimento armado organizado por tenentistas. Esse movimento percorreu o Brasil entre 1925 e 1927, combatendo as tropas do presidente Artur Bernardes. O objetivo central da Coluna Prestes era mobilizar a população do interior do país para lutar contra as injustiças e as desigualdades promovidas pelos governos oligárquicos da Primeira República. O movimento também ficou conhecido como Coluna Miguel Costa-Prestes e ficou muito famoso por ter percorrido 25 mil quilômetros no interior brasileiro.

Quem foi Luís Carlos Prestes?

Essa pergunta é pertinente, uma vez que esse movimento tenentista leva o sobrenome de Luís Carlos Prestes. Sendo assim, é importante esclarecer algumas informações a respeito dessa personalidade da história do Brasil.

Luís Carlos Prestes nasceu em Porto Alegre em 3 de janeiro de 1898. Tornou-se militar e, na década de 1920, engajou-se em um movimento político chamado tenentismo. Esse movimento lutava contra o regime político da Primeira República e contra o jogo de poder conduzido pelas oligarquias. Os tenentistas pretendiam fazer mudanças no país, e alguns deles tinham ideal de formar uma República baseada no autoritarismo.

Em 1924, Luís Carlos Prestes liderou uma revolta tenentista no Rio Grande do Sul. Em virtude dos desdobramentos dessa revolta, o movimento que liderava no sul aliou-se aos tenentistas que conduziam uma revolta em São Paulo. Dessa fusão, nasceu a Coluna Prestes. Luís Carlos Prestes foi o grande nome desse movimento, que existiu entre 1925 e 1927.

Em 1931, Prestes mudou-se para União Soviética e lá recebeu treinamento militar e em teoria marxista pelo governo soviético. Retornou ao Brasil em 1934 e liderou a Intentona Comunista, revolta militar armada contra o governo de Getúlio Vargas. Foi preso em 1936 e só libertado em 1945. Durante os anos da Ditadura Militar, foi perseguido pelo regime e permaneceu em exílio até 1979. Faleceu em março de 1990.

Acesse também: Conheça a história da revolucionária que se casou com Luís Carlos Prestes

Como surgiu a Coluna Prestes?

A Coluna Prestes foi fruto do tenentismo, movimento de oposição às oligarquias que surgiu durante a campanha presidencial da eleição de 1922. Nessa campanha, as oligarquias paulista e mineira lançaram Artur Bernardes como candidato à presidência. Outras oligarquias, insatisfeitas com o domínio de paulistas e mineiros na política nacional, lançaram Nilo Peçanha.

Durante essa campanha eleitoral, a relação de Artur Bernardes com os militares tornou-se bastante ruim em virtude de cartas falsas veiculadas, nas quais, supostamente, o candidato mineiro fazia críticas às Forças Armadas. Essa relação conturbada entre militares e Artur Bernardes prosseguiu mesmo depois que Bernardes venceu a eleição.

Da insatisfação dos militares com Artur Bernardes, surgiu o movimento que recebeu o nome de tenentismo. Esse movimento era formado pelos baixos oficias do Exército Brasileiro. Segundo as historiadoras Lilia Schwarcz e Heloisa Starling a ideologia do tenentismo, em geral, pode ser resumida da seguinte maneira:

Os tenentes, como ficaram conhecidos, acreditavam que o Brasil precisava de um governo central forte capaz de intervir na economia para desenvolver os recursos naturais, promover a industrialização e proteger o país da exploração estrangeira. Também enxergavam no regionalismo e na corrupção a origem e os motivos do que havia de errado no Brasil. Eram liberais em temas sociais e autoritários em política|1|.

Os tenentistas, por sua vez, não possuíam um plano de ação político para o Brasil. Assim, encontraram na via armada uma forma de derrubar as oligarquias do poder da Primeira República. Uma série de revoltas armadas começaram a acontecer no país, sendo a Revolta do Forte de Copacabana, em 1922, a primeira delas.

A Coluna Prestes em si foi resultado de revoltas tenentistas que aconteceram no Brasil em 1924. Nesse ano, foi iniciada uma revolta tenentista em São Paulo, na qual os tenentistas chegaram a dominar a cidade, mas, cercados, acabaram fugindo para o Paraná. Lá foram alcançados por tropas vindas do Rio Grande do Sul que participaram de levantes tenentistas neste estado.

A Coluna Prestes, então, foi resultado da fusão dessas duas forças que se encontraram no Paraná. Depois que se encontraram, os dois grupos organizaram uma reunião, na qual definiram a fusão das tropas, que eram compostas, ao todo, por cerca de 1500 pessoas. Essas forças foram divididas em duas tropas, que eram lideradas por Luís Carlos Prestes, Miguel Costa e Juarez Távora.

Atuação da Coluna Prestes

A marcha da Coluna começou em 29 de abril de 1925. O objetivo era lutar contra o governo de Artur Bernardes e percorrer o país para mobilizar a população do interior nessa causa. Isidoro Dias Lopes, um dos participantes da Revolta Paulista de 1924, foi enviado à Argentina para organizar uma cooperação internacional para a Coluna. As tropas da Coluna percorreram, ao todo, 25 mil quilômetros no interior do Brasil.

Apesar de lutarem contra as tropas do governo, evitavam confrontos abertos e diretos pelo fato de as tropas da Coluna serem pequenas e terem recurso limitado. Ao longo dos quase dois anos de atuação, a Coluna Prestes passou por 12 estados brasileiros, mas não foi capaz de alcançar o objetivo de mobilizar a população. Em muitas regiões, sofreram intensa resistência das forças locais, enquanto, em outras, eram encarados com desconfiança.

Fim da Coluna Prestes

No começo de 1927, com o fim do governo de Artur Bernardes e com o desgaste de tanto tempo em marcha e em luta, as lideranças da Coluna Prestes decidiram colocar fim à marcha. Com as armas depostas, as tropas da Coluna Prestes exilaram-se na Bolívia. A Coluna Prestes ficou conhecida como “Coluna Invicta”, já que, entre 1925 e 1927, não foi derrotada pelas tropas do governo em nenhum momento.

Luís Carlos Prestes, como citado, foi para União Soviética alguns anos depois. Em virtude de sua atuação na Coluna Prestes, ficou conhecido como “Cavaleiro da Esperança” e passou a ser enxergado, na época, como símbolo da luta popular.

*Créditos da imagem: FGV/CPDOC

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