Revolução Industrial

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Revolução Industrial O desenvolvimento das locomotivas e das estradas de ferro foi resultado direto da Revolução Industrial
Por Daniel Neves Silva
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O que foi a Revolução Industrial?

Segundo os historiadores, a Revolução Industrial foi um período de intenso desenvolvimento tecnológico, que permitiu o desenvolvimento da indústria moderna e consolidou o capitalismo enquanto modelo econômico. O desenvolvimento da indústria foi responsável por grandes transformações no processo de produção de mercadorias e também nas relações de trabalho até então existentes.

O desenvolvimento tecnológico aconteceu de maneira pioneira na Inglaterra e foi posteriormente se espalhando por outras partes do mundo. Iniciou-se a partir do desenvolvimento da máquina a vapor, oficialmente fundada por Thomas Newcomen em 1698 e aperfeiçoada por James Watt em 1765. A melhoria da máquina a vapor consistiu na diminuição do desperdício de energia, tornando-a mais eficiente.

Outras máquinas importantes surgiram naquele período, principalmente para dar suporte à indústria têxtil (principal área da economia inglesa). Dessas novas máquinas, a mais eficiente delas foi a water-frame, um tear que utilizava a energia gerada pela força da água. Esse tear hidráulico foi criado por Richard Arkwright e permitiu que a quantidade de fios dos tecidos aumentasse consideravelmente em relação ao trabalho manual.

Outra criação importante desse período foram as estradas de ferro, que, a partir das décadas de 1830 e 1840, tiveram um crescimento acelerado em toda a Inglaterra. As estradas de ferro foram em grande parte financiadas a partir dos lucros gerados pelo desenvolvimento da indústria têxtil e trouxeram como grande benefício o encurtamento das distâncias e o transporte de mais mercadorias.

Quais foram as grandes mudanças nas relações de trabalho e na produção de mercadorias?

A Revolução Industrial trouxe inicialmente grandes transformações no processo de produção das mercadorias, principalmente de vestiário. O processo produtivo anterior ao desenvolvido na Revolução Industrial era o manufatureiro, no qual a produção ocorria em oficinas, com trabalhadores especializados e que realizavam o trabalho manualmente.

A partir da Revolução Industrial, desenvolveu-se a maquinofatura, na qual o processo produtivo deixou de ser realizado de maneira manual e passou a ser feito pelas máquinas. O processo de produção a partir das máquinas era realizado em uma maior velocidade e era necessária a utilização de apenas um trabalhador, que não necessitava de especialização, para manejar a máquina.

No caso das relações de trabalho, o grande impacto da Revolução Industrial foi o de promover a desvalorização do salário do trabalhador. Isso porque, no processo manufatureiro, o trabalhador possuía qualificações específicas para produzir roupas, uma vez que a produção era toda manual. Com o uso das máquinas, não era mais necessário a contratação de trabalhadores especializados, já que qualquer um poderia manejar o maquinário.

Assim, os salários despencaram em toda Inglaterra, conforme o dado a seguir, que mostra que os salários dos artesãos em Bolton caiu de 33 xelins em 1795 para aproximadamente 6 xelins entre 1829-1834|1|.

O que explica o pioneirismo da Inglaterra?

O pioneirismo da Inglaterra no desenvolvimento tecnológico da Revolução Industrial foi resultado de uma série de fatores. O primeiro deles foi o sucesso da Revolução Gloriosa, revolução encabeçada pela burguesia inglesa que resultou na queda do absolutismo e na instalação de uma monarquia parlamentarista que atendia aos interesses econômicos dessa burguesia.

Uma dessas medidas ficou conhecida como Leis dos Cercamentos, que consistia na expulsão de camponeses de suas terras para que elas fossem transformadas em pastos e, assim, ampliar a criação de ovelhas realizada pela burguesia inglesa. A expulsão dos camponeses permitiu à burguesia inglesa aumentar a produção de lã, um item fundamental para a indústria têxtil inglesa.

A Lei dos Cercamentos, além de permitir o aumento na produção de lã, possibilitou uma grande disponibilidade de mão de obra. Essa mão de obra era formada pelos camponeses expulsos de suas terras e que não possuíam outra alternativa de sobrevivência a não ser a de vender sua força de trabalho nas indústrias têxteis.

O último fator de relevância que nos ajuda a entender o pioneirismo da Inglaterra no desenvolvimento da Revolução Industrial foi a existência em abundância de carvão mineral. Esse item era fundamental para as máquinas da época, uma vez que o combustível era exatamente o carvão mineral.

|1| HOBSBAWM, Eric. A Era das Revoluções, 1789-1848. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2014, p. 79.

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