Revolta da Chibata

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Revolta da Chibata Hermes da Fonseca, presidente brasileiro de 1910 a 1914 *
Por Daniel Neves Silva
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A Revolta da Chibata foi um episódio que aconteceu em 1910 quando marinheiros rebelaram-se e tomaram o controle de dois encouraçados (navios de guerra) que estavam no litoral do Rio de Janeiro. O movimento tinha como principais reivindicações o fim do uso do castigo físico a partir das chibatadas e o fim do preconceito racial presente na Marinha brasileira.

Chibatadas e o Início da Revolta

Na Marinha brasileira, era comum o uso da chibatada como forma de punição. O uso do castigo remetia aos tempos de colônia, mas também foi autorizado após a independência. A chibatada havia sido revogada em 1889, mas foi novamente permitida um ano depois no Decreto n. 328, de 12 de abril de 1890. As primeiras manifestações de insatisfação com o uso da chibata ocorreram a partir da década de 1890, com a consolidação da abolição da escravatura.

A Revolta da Chibata não representou somente a insatisfação dos marinheiros contra um castigo cruel, mas também representava a insatisfação com a condição geral de todos os marinheiros da Marinha brasileira. As reivindicações, em geral, pediam mudanças na legislação penal e melhores condições de trabalho.

Além disso, muitos dos marinheiros que se revoltaram eram negros, o que também refletia o racismo presente na Marinha, pois o oficialato era todo composto por homens brancos. Os cargos mais baixos, compostos pelos marinheiros alistados, eram, em geral, formados por negros e mulatos|1|.

O movimento começou no dia 22 de novembro com os marinheiros rendendo os oficiais e tomando o controle de dois encouraçados: Minas Gerais e São Paulo. A partir daí, um manifesto com as reivindicações foi elaborado, e os canhões dos navios foram virados na direção da cidade do Rio de Janeiro. Não se sabe ao certo quem escreveu o manifesto, mas especula-se que ele tenha sido escrito pelo marinheiro Francisco Dias Martins ou por Ricardo Freitas.

O manifesto foi encaminhado para o presidente recém-eleito, Hermes da Fonseca. No manifesto, os marinheiros destacavam que, se as chibatadas não fossem revogadas e as reivindicações não fossem aceitas, os canhões atirariam contra a cidade do Rio de Janeiro ou qualquer outro navio da Marinha que não fizesse parte da revolta. Na liderança da revolta, estava João Cândido.

Fim da Revolta

A revolta durou quatro dias e foi encerrada em 26 de novembro de 1910 com um comunicado do Governo aceitando as condições impostas pelos marinheiros e prometendo-lhes anistia (perdão). Entretanto, a postura do governo foi outra, e muitos dos envolvidos foram presos e encaminhados para a Ilha das Cobras, onde foram torturados e ficaram presos. Outros marinheiros foram punidos e deportados para o Acre, onde passaram a trabalhar na construção de uma ferrovia ou em seringais. Alguns dos marinheiros envolvidos, como João Cândido e Adalberto Ribas, passaram a vida sofrendo represálias da Marinha.

|1| SKIDMORE, Thomas E. Uma História do Brasil. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1998, p.125.

* Créditos da imagem: Commons


Por Daniel Neves
Graduado em História

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