Internetês

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Internetês O internetês veio para ficar! Contudo, é preciso saber quando e como utilizá-lo
Por Luana Castro Alves Perez
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Vc sabe o q eh internetês? Naum? Entaum tá na hra de aprender + sobre esse assunto! =)

Se você acha que não sabe o que é internetês, mas conseguiu ler as orações acima sem nenhuma dificuldade, acaba de descobrir que não só sabe como provavelmente também o usa! Quem nunca apelou para a abreviação das palavras durante um bate-papo virtual, hein? Aposto que você já precisou eliminar letras, sílabas inteiras e até mesmo a acentuação de alguns vocábulos na hora de conversar nos ambientes virtuais, tudo isso para deixar a comunicação mais dinâmica e mais parecida com nossas conversas da modalidade oral.

Essa linguagem simplificada e informal chamada internetês surgiu no ambiente da Internet, lá nos anos 1990. Sua principal função é conferir dinamismo às conversas. Para isso, inventamos uma sintaxe meio maluca, ignoramos as regras ortográficas e abusamos dos “emoticons” (smiley sad frown crying surprise indecision), que servem para traduzir em símbolos a maneira como nos sentimos, já que a escrita não conta com os mesmos recursos de expressividade disponíveis na oralidade. Veja alguns exemplos de internetês:

Emoticons

Acrônimos

Abreviações

Ortografia adaptada

:)

Rs (risos)

Qdo (quando)

Kdê (cadê)

;)

Lol (laughing out loud ou rindo muito)

Tbm (também)

Axo (acho)

:/

Tks (thanks ou obrigado)

Vc (você)

Naum (não)

;*

Blz (beleza)

Tdo (tudo)

Eh (é)


Criamos alternativas inteligentes para nos comunicarmos com rapidez e, ao mesmo tempo, diminuir a distância e a impessoalidade dos diálogos travados nos ambientes virtuais. Ótimo, não? Sim, mas há controvérsias... Apesar de ser uma linguagem muito útil em nosso dia a dia, o internetês deve ficar restrito à internet. Existe um princípio chamado de “adequação linguística” que nos mostra a importância de utilizar adequadamente (ou seja, respeitando o contexto comunicacional) os diferentes registros da língua portuguesa. Assim como não falamos com nossos pais como falamos com nossos colegas de escola, e vice-versa, não devemos também permitir que o internetês invada uma praia que não é a dele, isto é, não devemos permitir que ele “contamine” a escrita de textos que exijam a adequação à norma culta da língua.

Escrever fazendo uso de siglas, abreviaturas e emoticons tornou-se um hábito tão corriqueiro que, às vezes, nem notamos que estamos fazendo uso de uma linguagem que deveria ficar restrita à internet. O internetês é um fenômeno interessante, mas deve ser tratado como uma linguagem grupal (tipo de língua utilizado por grupos específicos: note que a maioria dos adeptos do internetês são crianças e jovens) e adequada apenas para contextos específicos. Na escola e na vida profissional, devemos priorizar nos textos escritos a norma culta, variedade que deve ser aprendida e preservada. Respeitar as variações linguísticas é fundamental, assim como é fundamental escolher a variedade adequada para cada situação, certo?


Por Luana Castro
Graduada em Letras

Avaliação

8.0

    Escola Kids