Guerra Civil na Síria

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Guerra Civil na Síria Cidade síria de Homs parcialmente destruída pela ação da guerra, em foto de setembro de 2013 *
Por Daniel Neves Silva
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A Síria é um país do Oriente Médio que desde 2011 é assolado por uma guerra civil entre diferentes forças militares. A guerra civil síria foi um desdobramento dos protestos da Primavera Árabe em que grupos de oposição passaram a ser violentamente reprimidos por tropas do governo de Bashar al-Assad.

Após seis anos de conflito, essa guerra tomou proporções de sectarismo religioso, ou seja, o conflito hoje também é realizado por rivalidades religiosas entre determinados grupos. A Guerra civil síria é considerada um verdadeiro desastre humanitário, com aproximadamente 470.000 mortos, segundo dados do Observatório Sírio de Direitos Humanos de fevereiro de 2017. Dois episódios que chocaram o mundo durante a guerra síria foram o uso de armas químicas contra pessoas comuns (chamados de civis) em 2013 e 2017.

Síria antes da guerra e Primavera Árabe

A Síria é um país ditatorialmente controlado pela família al-Assad desde a década de 1970. A presidência do país foi ocupada por Hafez al-Assad (pai de Bashar al-Assad) até 2000 e, então, foi ocupada por Bashar al-Assad, após a morte de seu pai. O governo de Bashar al-Assad foi marcado pela falta de liberdade e pela corrupção, de acordo com os observadores internacionais.

A falta de liberdade na Síria motivou protestos populares na virada de 2010 para 2011 a partir da Primavera Árabe – uma série de manifestações populares iniciada na Tunísia que se espalhou por inúmeros países do Norte da África e do Oriente Médio e que buscava mais democracia e melhores condições de vida.

Os protestos na Síria concentraram-se em três grandes cidades: Daraa, Damasco e Aleppo. A resposta do governo sírio aos protestos pacíficos foi violenta. Isso motivou a organização de novos protestos em diferentes partes desse país. Por fim, a repressão do governo levou grupos de oposição a armarem-se e iniciarem o confronto armado contra as tropas do governo.

O primeiro grande grupo de oposição que se organizou foi chamado de Exército Livre da Síria e foi oficialmente criado em julho de 2011. Esse grupo foi formado por civis que atuavam nas manifestações e por militares desertores que não estavam de acordo com a repressão violenta do governo de Bashar al-Assad. O Exército Livre da Síria é considerado um grupo secular, ou seja, não defende ideais de fundamentalismo religioso.

Entrada do Estado Islâmico na guerra

A continuidade da guerra na Síria levou o autoproclamado califado do Estado Islâmico (EI) a infiltrar-se nesse país a partir de finais de 2013. Califado é um tipo de reino islâmico que se considera como o sucessor direto do profeta Maomé ou Muhammad (como é conhecido Maomé entre os muçulmanos) que iniciou a pregação do Islã no século VII.

O Estado Islâmico surgiu no Iraque como um braço armado da Al-Qaeda, que é uma outra organização fundamentalista islâmica que busca o protagonismo no Oriente Médio e que, em 2001, foi responsável pelos ataques às Torres Gêmeas em Nova York, nos EUA. No entanto, houve o rompimento do Estado Islâmico e da Al-Qaeda, o que levou o EI a atuar de maneira independente e de acordo com seus interesses.

Assim, em 2013, o grupo aliou-se a grupos rebeldes fundamentalistas organizados na Síria com o decorrer da guerra. Em 2014, a política do Estado Islâmico mudou, e o grupo rompeu com os seus aliados nesse país, passando a atuar de maneira independente. Seus seguidores atacaram e dominaram várias cidades sírias com o objetivo de expandir o seu califado por todo o mundo a partir da imposição da sharia, a Lei Islâmica interpretada a partir do Corão.

Na Síria, o EI impôs uma forte perseguição contra qualquer tipo de oposição ou minoria religiosa e étnica, como ficou evidente por grandes massacres contra populações yazidis (curdos) e xiitas, principalmente. Nos últimos meses do conflito, o Estado Islâmico sofreu um enfraquecimento tanto no Iraque quanto na Síria, perdendo alguns territórios em ambos os países.

Outros grupos que atuam na guerra civil da Síria, além do Estado Islâmico, são:

Jabhat Fateh al-Sham (antiga Frente Al-Nusra): milícia de orientação fundamentalista sunita;

Unidade de Proteção Popular: milícia secular formada por curdos. Em maio de 2017, esse grupo passou a receber apoio dos EUA e luta, sobretudo, contra o EI.

Interferência estrangeira

A guerra civil na Síria segue sendo alimentada após seis anos de conflito, principalmente pela intervenção de potências estrangeiras por meio do financiamento financeiro e militar de grupos atuantes no conflito. Atualmente, os países que mais participam dessa guerra são os Estados Unidos, a Rússia e a Turquia.

Os Estados Unidos atuam na guerra, principalmente, no combate contra o Estado Islâmico e lideraram milhares de ataques aéreos contra posições dominadas pelo EI. Além disso, recentemente, em abril de 2017, os EUA atacaram uma base aérea do governo sírio após acusarem Bashar al-Assad de ter autorizado um ataque químico contra civis na província de Idlib.

A Rússia participa do conflito desde 2015, quando enviou tropas para atuarem ao lado do exército de Bashar al-Assad e impedirem que rebeldes e o EI derrotassem as tropas do governo, que, naquele momento, estavam enfraquecidas. O governo sírio é um importante aliado dos russos na região.

Por fim, a Turquia entrou no conflito alegando lutar contra o crescimento do Estado Islâmico. No entanto, existem denúncias feitas por observadores internacionais que afirmam que a Turquia chegou a comprar petróleo do EI. Além disso, essa nação luta contra a milícia formada pelos curdos, uma minoria étnica historicamente perseguida na Turquia por causa de seu movimento separatista.

*Créditos da imagem: Art Production e Shutterstock.


Por Daniel Neves
Graduado em História

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