Evolução da cidade medieval

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Evolução da cidade medieval Cidade medieval de Monteriggioni, na Itália
Por Daniel Neves Silva
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A cidade medieval passou por inúmeras mudanças desde o seu surgimento com o fim do Império Romano do Ocidente e o processo de recuo populacional e ruralização da Europa até o seu crescimento após o século XI, quando houve o desenvolvimento de novos ofícios artesanais e do comércio.

Surgimento da Cidade Medieval

O Império Romano possuía um desenvolvimento urbano elevado com as rotas comerciais, que supriam as necessidades da população urbana, e a grande população que habitava as cidades. A cidade na Europa Ocidental sofreu grandes alterações com o fim do Império Romano do Ocidente e início da Idade Média.

Ocorreu uma grande migração de pessoas das cidades para as zonas rurais em decorrência da fome, epidemias e violência que marcaram a decadência do Império Romano. Esse processo foi acelerado pela chegada dos povos germânicos, que vinham do Norte da Europa em buscas de novas terras para estabelecer-se.

A chegada dos povos germânicos trouxe violência porque, após invadirem o interior do Império, eles atacavam os centros de produção e saqueavam as cidades que conquistavam. Ao atacar os centros de produção, os germânicos afetaram diretamente o abastecimento das cidades, pois muitas fazendas foram destruídas e outras foram abandonadas pelos camponeses, que temiam por suas vidas.

A interrupção da produção afetou as rotas comerciais e logo as cidades ficaram sem abastecimento de alimentos. Assim, houve fome e o desenvolvimento de epidemias, o que causou grande mortalidade. Além disso, a violência dos ataques germânicos trouxe pânico às pessoas, que fugiam para proteger-se.

A cidade medieval surgiu a partir do esvaziamento das antigas cidades romanas. O mundo medieval foi, portanto, um mundo ruralizado em que a maioria da população morava nas zonas rurais.

Desenvolvimento e crescimento

Nos séculos seguintes (século IX e X), os saques realizados por outros povos, como os normandos e os húngaros, fizeram com que muitas cidades buscassem a proteção por meio da construção de muralhas. Isso deu à cidade uma maior segurança, mas também trouxe problemas relacionados com a higiene.

À medida que a produção de alimentos aumentou e o abastecimento das cidades melhorou, a população urbana foi crescendo. O aumento na produção ocorreu por causa do desenvolvimento da charrua (ferramenta que permitia um melhor arado), da técnica de rotação, que possibilitava maior rendimento do solo, e de uma melhora no clima europeu com o aumento da temperatura.

Com alimentos sobrando, surgiram próximo das cidades feiras em que as pessoas compravam inúmeras mercadorias de comerciantes. Essas feiras aos poucos foram incorporando-se e fixando-se permanentemente nas cidades.

Além disso, o crescimento das cidades gerou a necessidade de novos ofícios artesanais, que foram ocupados por pessoas que não queriam mais sobreviver como camponeses. Assim, pessoas faziam fortunas à medida que a cidade crescia e passaram a exercer poder sobre a cidade. Com isso, houve grande crescimento urbano, como é o caso de Paris, que possuía por volta de 200 mil habitantes no século XIII.

A nova cidade medieval, desenvolvida e mais habitada, sofreu forte impacto com a crise do século XIV, quando uma epidemia de peste bubônica, a peste negra, agiu de forma fulminante sobre as cidades, que possuíam ainda poucas práticas para manter a higiene. Cerca de um terço da população europeia morreu em decorrência da doença. A peste negra era contraída pelo contato com as pulgas presentes nos ratos e chegou à Europa por meio de navios que vieram da Ásia.


Por Daniel Neves
Graduado em História

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